“Loro velho não aprende a falar”: porque a idade não é desculpa para não aprender um novo idioma

Loro velho não aprender a falar mesmo? Desmistificamos o velho ditado com nossa colaboradora Adriana Jiménez, que no alto dos seus 50 anos aprende alemão.
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“Loro velho não aprende a falar”: porque a idade não é desculpa para não aprender um novo idioma

A conhecida frase “loro velho não aprender a falar” parece que se tornou uma maneira de desanimar as pessoas mais velhas que querem estudar na terceira idade novo idioma. Sejamos realistas, está certo que nós aprendemos de maneiras e ritmos diferentes, mas a frase acima não pode ser entendida como a norma, especialmente quando existe um interesse real e nos concentramos para alcançá-lo. Aprender um segundo idioma, inclusive depois dos 50 anos, traz muita satisfação, diminui os níveis de estresse, turbina o nosso cérebro e, como se fosse não bastasse, nos ajuda a recuperar a capacidade de concentração.

O cérebro não se enruga com a idade (o que infelizmente acontece com nossa pele), mas ele passa por algumas modificações que retardam a maneira como recupera certas informações.

Muitos adultos depois dos “enta” fazem curso de inglês e de outros idiomas, é bem comum. Então, não nos enganemos, não é que o loro por ser velho não aprenda, é que ele já alcançou uma idade que pode decidir o que, quando e como ele quer aprender.

Missão impossível?

Todas essas ideias erradas sobre o envelhecimento apenas contribuem para que as pessoas se deem por vencidas e desistam de aprender outro idioma sem sequer terem tentado, ignorando de longe todos os benefícios que os anos também trazem. Quando chegamos aos quarenta e tantos, somos mais conscientes do que queremos e das razões por que queremos. De certa maneira, temos a maturidade necessária para enfrentar as dificuldades com perseverança, e ainda mais, contamos com certa quantidade de tempo livre que possibilita o aprendizado autodidata. Aos 50, já queremos fazer coisas diferentes, não para os outros, mas sim para nós, buscando a satisfação pessoal e nos impondo metas próprias.

E assim, da mesma forma que nos preocupamos em manter uma dieta saudável, lutando dia a dia contra esses quilinhos a mais, devemos nos preocupar também em exercitar nosso cérebro diariamente… e qual melhor escola do que o aprendizado de um novo idioma? Isso mantém o cérebro em ótimas condições, proporciona ferramentas para diminuir a perda de memória e contribui para a regeneração de neurônios, que, segundo comprovado, continua mesmo na velhice.

Dar o primeiro passo

Após se decidir a aprender uma nova língua, o primeiro passo é definir qual idioma se quer aprender. E, para isso, é importante também determinar a motivação: uma viagem, conhecer a cultura de um país ou um desafio pessoal. Meu sonho de criança, por exemplo, era aprender alemão, mas situações da vida fizeram com que este sonho ficasse guardado, não esquecido. Com quase 50 anos, depois que meus filhos cresceram, eu pude investir tempo em mim, resgatei esse sonho (um pouco empoeirado, com certeza) e comecei a aventura de aprender alemão sabendo uma só palavra: Hallo. Hoje, depois de 5 anos, ainda sigo estudando e seguirei exercitando meu cérebro por muito mais tempo com este maravilhoso e estruturado – e por que não? – complicado idioma, que se transformou na minha paixão. Logo depois de descobrir o universo maravilhoso dos idiomas, eu me animei para aprender mais um. Não devemos ter medo de procurar naquele “baú” de coisas esquecidas e resgatar sonhos que ainda podem se tornar realidade.

O segundo passo é estabelecer suas próprias estratégias e objetivos. Não tente aprender todo o vocabulário de uma lição em um dia, toda aprendizagem requer prática, paciência e constância. Crie hábitos em um horário fixo, escute algumas canções por dia, leia pequenos textos ou contos infantis e busque neles novas palavras a serem adquiridas. Marcar objetos da casa ou fazer uma lista de mercado no idioma em que se aprende ajuda a reter as informações e faz com que nosso cérebro associe o objeto com a palavra, assim sem pensar, estamos repetindo uma mesma palavra muitas vezes por dia e nosso léxico se enriquece de forma surpreendente.

Quinze minutos por dia de estudos são suficiente para alcançar a concentração sem nos saturarmos. Se queremos fazer uma rotina com mais de 15 minutos, é aconselhável uma pequena pausa para realizar qualquer outra atividade e logo retomar o que foi visto naquela mesma lição. Vamos um pouco mais devagar, mas com segurança.

Nunca é tarde demais para começar. Faça sua primeira lição de graça.

Os avós cibernéticos

Nós, os avós cibernéticos, estamos na moda, e apesar de estarmos conectados na rede ainda é preciso encontrar a ferramenta adequada para nossas necessidades. A Babbel, por exemplo, combina pedagogia e tecnologia para facilitar o aprendizado e é uma maneira simples de introduzir lentamente uma rotina de aprendizado no nosso cotidiano. O mais importante é não se apressar e nem sentir medo por ir devagar.

Fazer com calma e ao seu ritmo diminui as possibilidades de perder o interesse e a motivação. Outra dica de ouro é perguntar e pedir ajuda para resolver questões que possam aparecer. Nisso temos uma grande vantagem e ficamos na frente em relação aos jovens, pois não temos medo de perguntar.

Agora também já não temos que memorizar grandes listas de verbos, isso ficou para trás. Eleja um número de verbos que considere adequado para aprender por dia, pode ser de 3 a 5.  Memorize-os antes de dormir e escreva uma ou várias orações simples com eles.

Embora possa demorar um pouco mais de tempo para nós que temos mais de 50 anos aprender, contamos com recursos poderosos como a disciplina, a tenacidade e a liberdade, que nos dá direito de ter o nosso tempo e adaptar a aprendizagem aos nossos gostos e necessidades. A experiência dos anos vivido nos habilita a comparar costumes entre culturas, regras sociais, e até de trabalho, o que torna ainda mais fácil a compreensão do idioma; nos facilita o contato com nossos iguais para conversar sem medo de errar, aceitar as correções e sugestões. As vantagens de aprender um novo idioma são infinitas, os limites nós mesmos estabelecemos e apesar do caminho estar cheio de altos e baixos, vamos seguir em frente buscando sempre a satisfação pessoal e nunca esquecer que querer é poder. Se eu pude, você também pode, garanto.

Nunca é tarde para (re)começar!
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Adriana Jiménez
Adriana é filóloga e desde pequena se interessa por aprender coisas novas. Sua fascinação por idiomas a levou a aprender turco e alemão depois dos 40 anos de idade, e se considera uma especialista quando o assunto é motivação e técnicas de aprendizado para adultos.
Adriana é filóloga e desde pequena se interessa por aprender coisas novas. Sua fascinação por idiomas a levou a aprender turco e alemão depois dos 40 anos de idade, e se considera uma especialista quando o assunto é motivação e técnicas de aprendizado para adultos.
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