Vocabulário feminista: o que saber para se empoderar

Feminismo foi a palavra de 2017. E agora, que tal colocá-lo em prática em 2018?
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Vocabulário feminista: o que saber para se empoderar

Ilustrado por Elena Lombardi

Feminismo x femismo

Feminismo foi a palavra do ano em 2017, de acordo com o dicionário Merriam Webster.

O termo ganhou muita visibilidade graças ao movimento #metoo, à Marcha das Mulheres e até mesmo graças às séries O Conto da Aia e Big Little Lies. O Brasil não ficou para trás e também falou do abuso contra as mulheres na novela global O outro lado do paraíso.

Mas, afinal, o que é feminismo?

Existem muitas vertentes do feminismo, que foi, primariamente, um movimento em prol da igualdade de direitos entre homens e mulheres (salários iguais, a mesma liberdade de ir e vir, a mesma segurança nas ruas etc.). É importante esclarecer uma coisa: o feminismo não é, de jeito nenhum, “machismo ao contrário”.

Enquanto o machismo prega a opressão às mulheres das mais diversas formas (um ótimo texto sobre esse tema pode ser encontrado aqui), o feminismo luta justamente para expor essa opressão – mas não basta deixar na teoria, cabe a cada um avaliar suas ações e privilégios e mudar padrões de comportamento.

Voltando ao “machismo ao contrário”: a palavra que descreve esse comportamento seria femismo, ideologia que prega a supremacia das mulheres sobre os homens (gerando, também, um sistema de opressão).

Dito isso, apresentamos a seguir um pequeno glossário de palavrinhas usadas no inglês para se referir a alguns comportamentos machistas nada legais para com as mulheres (e para com os próprios homens também, afinal o machismo também os aflige de diversas formas).

Manterrupting (man + interrupting = homem + interrompendo)

Esse termo vem da união de duas palavras em inglês: man, que significa homem, e interrupting, que quer dizer interrompendo. Faz referência a quando um homem interrompe uma mulher que está falando e não a deixa concluir seu discurso.

Mansplaining (man + explaining = homem + explicando)

Esse termo foi inicialmente cunhado por Rebecca Solnit, autora do livro Os homens explicam tudo para mim, que fala exatamente de como alguns homens tendem a querer desvalorizar ou até mesmo descreditar os conhecimentos de uma mulher ao explicar-lhe assuntos que ela conhece muito bem. Também vale para quando os homens querem nos explicar coisas óbvias por assumirem que, pelo fato de sermos mulheres, não podemos compreendê-las.

Bropriating (bro + appropriating = irmão + apropriando)

A palavra brother (irmão) ou, no caso, bro, seu diminutivo, aparece neste contexto não de forma positiva, mas simplesmente para se referir à figura masculina. Um bropriating acontece quando um homem se apropria de uma ideia tida por uma mulher e age como se fosse ele fosse o autor, tomando todos os créditos.

Gaslighting

O termo se originou com o filme de mesmo nome (Gaslight, 1944), em que um marido manipula emocionalmente sua esposa, a ponto de ela achar que ficou louca, só para ficar com sua herança. Gaslighting é uma tática de manipulação e violência emocional – e, apesar de também acontecer com homens, as mulheres são as vítimas mais frequentes.

A manipulação é feita com o objetivo de confundir, descreditar a pessoa e até mesmo fazer com que ela não confie mais em seu próprio julgamento.

Frases do tipo “você é muito emocional/dramática”, “você não entendeu direito”, “para de surtar” e, finalmente, a famosa “você está louca” são típicas de alguém que pratica gaslighting.

Em casos extremos, as vítimas podem sentir que perderam totalmente o controle sobre suas vidas.

Slut-shaming (slut = “vadia”; shame = vergonha)

Significa julgar uma mulher, dizendo que seu comportamento é típico de uma “vadia”. Definir o que é, ou não, apropriado para uma mulher já é, em si, algo limitante e machista. Geralmente, esse termo é usado quando uma mulher expõe sua sexualidade e seu corpo mais livremente.

Body-shaming (body = corpo; shame = vergonha)

Semelhante ao slut-shaming, o body-shaming é o ato de julgar uma mulher pelo seu corpo. De novo, geralmente acontece quando uma mulher decide expor seu corpo de forma mais livre. Além disso, padrões de beleza constantemente divulgados pela mídia reforçam esse tipo de comportamento.

Fontes e links para se informar mais:

http://thinkolga.com/2015/04/09/o-machismo-tambem-mora-nos-detalhes/

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/10/cultura/1499708850_128936.html

http://www.revistacapitolina.com.br/glossario-de-termos-feminismo/

https://hysteria.etc.br/ler/palavras-de-mulher/

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