15 minutos por dia é suficiente para aprender – uma entrevista com Karoline Schnur, especialista em linguística

15 minutos por dia é o necessário para você aprender um novo idioma. Quem explica é nossa especialista em linguística Karoline Schnur.
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ESCRITO POR Claire Larkin
15 minutos por dia é suficiente para aprender – uma entrevista com Karoline Schnur, especialista em linguística

Claire Larkin: Você poderia falar um pouco sobre de onde vem a nossa máxima de que 15 minutos por dia é o tempo ideal para aprender um novo idioma?

Karoline Schnur: É ideal porque você passa aprendendo um pouco todos os dias, em vez de apenas uma vez por semana por, digamos, 10 horas. Você deve saber que é muito provável que você não absorva tudo ao ler muita informação. Nós chamamos isso de sobrecarga de informação ou sobrecarga cognitiva. Portanto, nosso cérebro não é feito para absorver grandes quantidades de conteúdo de uma vez só. Na verdade, existem estudos sobre isso desde os anos 1950 na psicologia.

O psicólogo George A. Miller conduziu um estudo sobre quanta informação uma pessoa pode processar por vez. Ele chegou à conclusão de que seria, por minuto, 7 “partes de informação” com uma variação de 2 itens a mais ou a menos. Outros estudos também confirmaram essa proporção. Claro que, não é exatamente o mesmo para todos, mas algo em torno disso – existe apenas uma quantidade limitada de itens que alguém pode processar por vez. O que faz isso ainda mais válido é que essa teoria é válida para partes de informação. Não é necessariamente 7 palavras, mas 7 partes de informação relacionadas. Por exemplo, muitas expressões precisam de mais que 1 palavra, como em vá se vestir. Essas palavras estão conectadas e são armazenadas como um 1 parte de informação. Seu cérebro tem capacidade para mais.

A parte mais importante disso é que o cérebro faz conexões, mas não com informações em excesso. Nós queremos ter esse tipo de informação em nossa memória de longo prazo, certo? Se nós damos muita informação ao nosso cérebro, ele decide muito, mas muito rápido – em questão de segundos – qual informação fica e qual não. Para manter informações em nossa memória de longo prazo, nós precisamos de atenção, precisamos de estímulo, audição e de usar todos os nossos sentidos. Para isso, você deve fazer conexões e repetir. Repetição é realmente importante para aprender no geral, e também no aprendizado de idiomas.

Nossas lições são desenvolvidas pensando nisso. As lições repetem as partes de informação que você deve aprender, portanto, é mais provável que isso vá parar na sua memória de longo prazo. Assim a informação faz a jornada toda, em vez de ser jogada no lixo pelo nosso cérebro.

CL: Em relação a isso, existe um benefício por trás dos 15 minutos, se comparado a um período mais curto de tempo, como cinco minutos, ou um período mais longo, como uma hora?

KS: Na verdade, eu diria que é mais importante fazer algo todo dia. Mesmo que seja apenas 10 ou 15 minutos, mas limite o tempo, quando comparado com se sentar uma ou duas vezes na semana ou estudar três horas seguidas. Existe um termo, binge learning, que significa estudar compulsivamente. Você talvez se lembre disso dos tempos de escola, quando você tinha uma prova para fazer e tentava na noite anterior aprender tudo o que precisava. Mas, quanto disso você vai lembrar depois de uma semana? Provavelmente, não muito. Portanto, eu não posso afirmar que 20 minutos é o número mágico, mas se você pensar na capacidade do nosso cérebro em digerir sete partes de informação, o tempo é claramente um fator limitante.

Se pensarmos da nossa perspectiva aqui na Babbel, de preferência, você começaria com repetição: você repete 10 itens e precisa de menos de 5 minutos para isso. Então você faz uma nova lição, vamos dizer, um curso de iniciantes, que leva 15 minutos. Ao final disso, você tem 20 minutos – você não excede o número de informação que você consegue absorver e já fez sua parte do dia. Também funcionaria se você faz algo de manhã e à noite, porque então você tem esse espaço de tempo entre uma prática e outra, não apenas 5 minutos. Mas o ideal é repetir e fazer algo todos os dias.

CL: Como essa abordagem é mais útil para aprender do que ficar horas e horas na frente de livros ou, como você disse, estudando compulsivamente? Por que esse excesso não é bom para a retenção a longo prazo?

KS: Quando você vai a um parque ou jardim, você sempre encontra trilhas porque as pessoas querem fazer o menor caminho. Se você pensar no aprendizado de idiomas dessa forma, em que o caminho corresponde à palavra, quanto mais conexões você fizer, melhor. Vamos dizer que você quer aprender a palavra Apfel, que em alemão significa maçã. Então, esse caminho vai ser maior e maior se você conecta a palavra Apfel a diversas coisas – quanto mais coisas, melhor – e coloca essa palavra em vários lugares dentro do seu cérebro, por exemplo: como uma maçã se parece? Como é o seu gosto? Quais são os tipos de maçã que existem? Você gosta ou não de maçãs? Talvez você pense em uma torta de maçã. Todos esse pensamentos estão criando conexões. Por um lado, isso está fazendo com que você armazene a informação em diversos lugares. Por outro, isso faz com que você use a palavra em muitos outros contextos em vez de você apenas saber que maçã é uma fruta. Use muito essa trilha bastante e diariamente, como o caminho no parque: quanto mais usado, maior ele fica e melhor também. Talvez no fim, você vai tê-lo pavimentado com asfalto. Ou, no final, é como ter um caminho para motos, realmente acessível. Muito fácil de usar e muito mais rápido.

Essa é a real diferença ao compararmos esse método com o aprendizado compulsivo, em que você fica vagando em apenas um lugar, talvez até comece a criar conexões, mas elas crescem rápido demais, uma em cima da outra, porque você não as repetiu. Mas se você tem uma conexão por dia, ou apenas uma revisão, o caminho anda para frente e fica mais acessível.

CL: Eu acho que essa é uma analogia muito boa. Então como as pessoas podem otimizar esses 15 minutos?

KS:  Bom, mesmo fazendo alguns exercícios rápidos por dia é melhor do que nada, porque você cria conexões. Até mesmo não prestando 100% de atenção é ainda melhor do que nada. Mas, eu pensei em melhores jeitos para aproveitar os 15 minutos. Se você diz: Eu quero gastar 15 minutos estudando, é extremamente importante que você facilite o seu conhecimento. Pode ser uma repetição de 5 a 10 minutos.

Na Babbel, nós desenvolvemos as lições para se encaixarem perfeitamente naqueles momentos em que você tem que esperar por algo ou está à caminho de algum lugar. Eu também escolheria lições que tem mais a ver com o tempo que eu tenho disponível, vamos dizer, por exemplo, no ônibus, porque as nossas lições do nível iniciante tendem a ser um pouco mais longas, de 15 minutos, e consomem mais tempo do que as lições para o nosso curso sobre férias ou lições de vocabulário. Essas, às vezes, precisam apenas de 5 minutos do seu tempo. Se você dedica um pouco de tempo para determinar quando você tem mais ou menos tempo livre, você pode escolher a lição de acordo com isso. Neste sentido, elas se encaixam na sua rotina diária.

Ainda com relação a isso, eu acho que existem dois tipos de estudantes. Eu percebi isso quando ensinava em sala de aula. Primeiro aqueles que realmente gostam de manter uma rotina. Essas pessoas conseguem fazer sua própria agenda, com duas rodadas de repetições e uma lição nova. O importante para eles é, depois de 15 minutos, reconhecer que o cérebro precisa de uma pausa. É uma boa forma de digerir o conhecimento. E eles seguem isso à risca.

Mas se você não gosta de rotina, não tem problema. Apenas não faça o mesmo todos os dias. Um dia você pode trabalhar apenas repetição – e isso é ótimo! Não é tempo perdido, apesar do que muitas pessoas pensam. Alguns estudantes podem pensar: ah, não aprendi nada de novo, mas isso não tem problema, porque nada também foi esquecido. Eles facilitaram o aprendizado. Em outro dia, eles podem pular a repetição e fazer duas novas lições (mas cuidado para não estudar compulsivamente, até mesmo nos 15 minutos).

E daí você pode também dizer: eu preciso de mais alguma coisa. Pegue então um dia e foque em aplicar na vida real o que você estudou. Você pode achar um alguém para praticar o idioma, ou tentar ir a lugares onde se fala o idioma que você está aprendendo. Se você não tem contato com pessoas que falam o idioma que você está aprendendo, aproveite o que há de melhor de viver na era da tecnologia! Ler jornais e revistas estrangeiros on-line é fácil, pelo menos as manchetes, se você está apenas começando. Ouvir podcasts também ajuda, você não precisa entender todas as palavras, mas com isso você já tem uma boa noção de como é a língua. Você pode ainda achar uma comunidade na internet onde você possa se comunicar no novo idioma. Existem várias possibilidades. Portanto, não é uma perda de tempo tentar aplicar na vida real: você já tornou o seu caminho muito mais amplo, fazendo conexões. Agora aplicar o idioma no seu dia a dia faz com que ele fique na sua memória de longo prazo.

CL: E como o app da Babbel foi desenvolvido pensando nessa abordagem?

KSNós temos um número limitado de novas partes de informação que introduzimos por lição. Nós temos o mecanismo de repetição já embutido nas lições, em diferentes exercícios e diferentes contextos, para você criar as conexões. Como eu disse antes, fazer conexões é crucial. Mesmo que você comece aprendendo palavras soltas ou partes de informação, você vai, aos poucos, encontrá-las nos exercícios seguintes – coloque em uma frase ou diálogo – para ter um contexto comunicativo. Outra parte dessa história de criar conexões é, que é tão crucial criar conexões, que tentamos ter uma foto onde faz sentido e ter sons falados por nativos. Você vai ter todos os aspectos necessários para aprender com eficiência.

Para resumir, nós temos lições curtinhas, como as de vocabulário – que duram de 4 a 5 minutos – e as lições do curso nível iniciante –que duram de 10 a 20 minutos. Nos cursos para iniciantes, 3 lições formam uma unidade. A primeira e a última lição são de revisão. Já as lições do meio são mais curtas e são mais focadas em gramática. As unidades sempre terminam em revisão. Assim, colocamos todas essas palavras e partes de informação novas em contexto, e a gramática em contexto. Qual é a utilidade disso? Para qual finalidade de comunicação?

Nós temos ainda o Sistema de Revisão, que se baseia em repetição espaçada. Isso não é novidade. Esse método vem da psicologia e se baseia em intervalos de tempo. Nos anos 1930, Cecil Alec Mace sugeriu um número de dias e semanas para que a informação fosse repetida. No app, toda vez que você repete algo e acerta, você vai para um novo passo. Existem muitos estudos desde 1930 sobre isso que foram feitos para provar sua eficiência. Essa é principal coisa em que nosso Sistema de revisão é baseado.

Por exemplo, você aprende um novo vocábulo e passa a ficar disponível no Sistema de Revisão no dia seguinte. Se você acerta o exercício sobre o vocábulo, o tempo em que você vai exercitá-lo de novo será maior. De preferência, depois de todos os passos já feitos, nós concluímos: okay, isso está na sua memória de longo prazo.

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