Dicas de Paris: um guia para quem está aprendendo francês

As dicas de Paris que você não vai achar em nenhum guia turístico, e ainda de quebra vai colocar o seu francês em prática!
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ESCRITO POR Joriam Philipe
Dicas de Paris: um guia para quem está aprendendo francês
Ilustrado por Jocelyn Kao.

Aquele belo sonho clichê — tomar um cafézinho com a Torre Eiffel ao fundo (que agora infelizmente, Notre Dame só em um futuro distante). Sentar nas escadarias de Montmartre bebendo um vinho e apreciando os dançarinos esplêndidos que ali se apresentam. Passear pela Champs-Elysées à noite. Essas dicas de Paris são mais do que válidas, mas espera… o garçom acabou de me fazer um pergunta em inglês! A mesa ao lado está debatendo em italiano e a outra em árabe. O guia local está disponível em tantas línguas que eu acabei encontrando uma versão em português brasileiro e outra em português de Portugal. Se você está aprendendo francês, não é exatamente isso que você está procurando, certo? 

Uma cidade superturística como Paris tem dessas coisas: ela está pronta para quem não fala francês. Se você achou que ia praticar os seus bonjours, muitos pontos turísticos não darão a você essa oportunidade.

Por isso separei aqui algumas dicas de Paris onde você vai, de fato, praticar, testar e desafiar os seus conhecimentos francófonos.

Esses passeios não vêm para substituir as atrações principais: você deve, sim, ir na Torre Eiffel e no Louvre. Mas vamos admitir que admirar uma torre e apreciar as telas dos grandes pintores não vai botar o seu francês à prova.

Atenção: essas dicas de Paris são ideais para quem já está chegando no nível intermediário do francês (ou até mais proficiente). Essas atrações vão envolver leitura, escuta e até conversas inteiras em francês. Se você começou a aprender semana passada, acho que vai ser um pouquinho demais.

Dicas de Paris: Musée départemental Albert-Kahn

Desafio de leitura

Em 1909, em uma viagem de negócios ao Japão, o banqueiro Albert-Kahn teve uma ideia. Pediu que seu chauffeur parasse o carro, sacasse a sua mais nova câmera fotográfica — na época, um grande luxo — e tirasse uma foto.

Esse foi o estopim de uma paixão (e uma verdadeira odisseia) que duraria até o fim de sua vida. Aproveitando-se da sua posição abastada, Kahn decidiu que parte da obra de sua vida seria registrar o mundo: ao longo das duas décadas que viriam, ele enviou dezenas de fotógrafos ao redor do mundo numa espécie de missão de registro universal.

Esses fotógrafos registraram mais de 72 000 fotos com o então processo chamado autocromo — uma das primeiras tecnologias de fotografia a cores do mundo. Pela primeira vez as pessoas na França puderam ver templos chineses, abacaxis, elefantes e tantas outras coisas de outros cantos do mundo.

Pois estas fotos e suas histórias estão todas exibidas em Paris, no Musée Départemental Albert-Kahn. Prepare-se para bastante leitura: as imagens vêm salpicadas de histórias fascinantes das aventuras vividas por quem as tiraram.

Quando a vista cansar, aproveite os jardins do museu: grande amante de jardins ornamentados, Kahn criou um jardim que imita os estilos ao redor do mundo. Ora, você parece estar no Japão ou na Índia, alguns passos depois você está na Inglaterra ou no interior da Alsácia.

Mais informações sobre o museu aqui.

Dicas de Paris: Salon Chopin

Desafio de escuta

Todo mundo já ouviu uma valsa de Chopin. Seja num filme de Hollywood, num vídeo de casamento ou num episódio de Tom e Jerry.

Mas poucas pessoas sabem da história do compositor: um polonês apaixonado por sua terra que viveu em Paris por metade da sua vida, mas não por escolha — e sim por exílio.

Os poucos pertences que sobraram de sua longa trajetória hoje se encontram no Salon Chopin, um pequeno espaço da Bibliothèque Polonaise à Paris, dedicada a artistas da Polônia. A sala não é pequena por acaso: era o quarto onde o próprio Chopin morou durante a maior parte de seus anos parisienses.

A vantagem desse museu é seu tamanho: justamente por ser um espaço pequeno, os guias e ajudantes do museu tiveram todo o tempo do mundo para mim das quatro vezes que fui lá, um luxo que você raramente terá num grande museu como o d’Orsay ou o Louvre. Aqui eu tive o espaço para fazer perguntas, ouvir histórias e aprender muito mais sobre a fascinante vida desse artista — tudo, claro, em francês.

Por exemplo, você sabia que o famoso Estudo Revolucionário é uma peça musical sobre bombardeios em Varsóvia? Agora você vai escutá-la de uma nova maneira.

Enfim, essas histórias você poderá escutar em primeira mão no museu. Atenção pois os horários de abertura são limitados e mudam dependendo da estação! Essa informação você pode encontrar aqui.

Dicas de Paris: Meetup

Desafio de conversação

Ok, museus são ótimos, mas não dá pra viver 24h de museu! Vamos às atrações mais sociais.

Adivinha só! Você não é nem de longe a única pessoa interessada em melhorar o seu francês em Paris — na verdade existe toda uma comunidade internacional tentando se aperfeiçoar e uma comunidade local ajudando esse pessoal.

Um dos grandes pontos de encontro dessas comunidades é o aplicativo Meetup — muito utilizado e famoso na Europa, mas ainda dando seus primeiros passos no Brasil. O conceito é simples, um aplicativo para marcar eventos de todos os tipos: conferências sobre tecnologia, aulas de culinária, passeios do parque… qualquer coisa!

Uma cidade como Paris borbulha com milhares de eventos diários, mas não é complicado encontrar alguns falando especificamente sobre a prática da língua francesa.

Alguns grupos de conversação são o Cafe Conversation e o TripMeeters. Se você estiver visando algo mais parecido com uma aula que um papo, grupos como o MFCP oferecem aulas para pequenos grupos de estrangeiros.

Quer desafio melhor do que simplesmente bater um papo em francês? Ainda mais apoiado por outra pessoa que sabe que você não é fluente ajudando a conduzir a conversa?

Dicas de Paris: saia da zona de conforto!

Nem sempre aprender uma língua é moleza: muitas vezes você precisa se desafiar, quebrar a cuca e se meter em situações que você não realmente sabe solucionar para que, de fato, aprenda a utilizar aquela nova ferramenta.

Mas sendo bem sincero: até passar perrengue em Paris é uma situação maravilhosa. Se você não entender algum texto ou se perder em uma conversa, não se alarde. Coma um macaron, passe umas 2 horas apreciando o bom e o melhor da arte mundial — e tente novamente no outro dia.

Leve o máximo de francês possível na bagagem. Quem sabe você não fala e entende até mais do que você achava?

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