5 filmes em espanhol para treinar o idioma (ou aprender mais dele!)

Para quem sempre procura treinar o idioma, aqui vai uma lista com filmes incríveis falados em espanhol.
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5 filmes em espanhol para treinar o idioma (ou aprender mais dele!)

Aprender com filmes em espanhol pode ser uma opção eficaz (e divertida) já que existe uma vasta cinematografia neste idioma. Nomes como Pedro Almodóvar, Guillermo del Toro e Luis Buñuel criaram obras-primas atemporais e que hoje estão acessíveis nas mais diversas plataformas. Eu recomendo conhecer os clássicos produzidos por estes diretores, mas para este artigo pesquisei e assisti a filmes contemporâneos de diversas nacionalidades e que tocam em temas universais e muito atuais, como os dilemas e perigos da imigração, a situação das trabalhadoras domésticas na América Latina, a colonização e suas consequências para esta parte do continente e também a discriminação de gênero.

Assistir a filmes com certeza vai complementar as aulas e os estudos de espanhol, bem como ajudar a desenvolver o seu vocabulário para uma eventual conversa mais profunda. Além disso, os sotaques presentes nos filmes selecionados são os mais diversos, já que na lista existem produções de países como México, Chile, Espanha e Argentina, que trazem atores de diversas localidades incluindo Bolívia e Honduras. Todos estes detalhes podem ajudar a expandir a sua compreensão auditiva e tornar o aprendizado do espanhol uma atividade mais completa.  

Sem nome (2009)

O premiado filme de Cary Joji Fukunaga conta a história de Sayra, uma jovem hondurenha que deseja migrar para os Estados Unidos com a família em busca de novas oportunidades. Ela é interpretada pela atriz mexicana Paulina Gaitán Ruíz, que recentemente também desempenhou o papel da mulher de Pablo Escobar na série Narcos, do Netflix. No caminho de trem, sua vida se cruza com a de Casper, um criminoso mexicano que precisa deixar a sua cidade por conta de um crime. Apesar de não ter sido um filme muito fácil de assistir – já que ele traz diversas cenas de violência e a visualização (mesmo que fictícia) das mazelas a que estão sujeitas a população desta área do globo –, achei interessante ter acesso a um retrato visual de como acontece a travessia do México aos Estados Unidos e dos perigos a que os imigrantes estão sujeitos ao longo do caminho. Uma das passagens mais emblemáticas do filme é quando a personagem de Sayra explica a Casper que ela tem certeza que vai chegar aos Estados Unidos por conta de uma profecia de uma vidente: “Llegarás a los Estados Unidos pero no de la mano de Dios sino de las garras del Diablo… “, ou seja “Você vai chegar aos Estados Unidos, mas não pelas mão de Deus, mas pelas garras do diabo”. O filme é produzido por Gael García Bernal.

Também a chuva (2010)

Mais uma vez o ator Gael García Bernal entra na lista. Desta vez como um dos atores principais deste filme que mistura realidade e ficção e retrata a ida de uma equipe de filmagens espanhola à Bolívia para produzir um filme que mostra as atrocidades cometidas pelos colonizadores. Ao chegarem à região de Cochabamba, os produtores se sentem realizados por poder trazer mais realismo ao filme ao empregar os locais, e se sentem orgulhosos em pagar uma quantia irrisória aos atores e figurantes. No meio das filmagens, a cidade entra em estado de emergência devido às manifestações da população contra a privatização do sistema de águas do local. O episódio aconteceu de verdade e ficou conhecido como a Guerra da Água, que deixou a cidade em estado de calamidade em 2000. O filme traz diversos questionamentos, e mostra que a exploração dos recursos locais no país não terminou com o fim do colonialismo. Uma das passagens mais comoventes traz o produtor do filme se despedindo da cidade. Ele pergunta a Daniel, um dos atores locais que fez parte do filme, sobre os planos depois de sua partida, e a resposta é  “Sobrevivir, como siempre. Es lo que hacemos mejor“, ou seja “Sobreviver, como sempre. É o que fazemos melhor”.

Relatos selvagens (2014)

Esta antologia de seis histórias independentes e geniais traz um tema em comum: como a raiva e o desejo de vingança podem levar o ser humano de volta à selvageria, e nos tornar criaturas capazes de cometer barbaridades e violências. Difícil escolher a melhor de todas as histórias, mas a última delas, chamada “Hasta que la muerte nos separe” (Até que a morte nos separe) certamente foi a que mais prendeu a minha atenção. Durante a festa de seu casamento, Romina – interpretada por Érica Rivas – tem a sua fúria despertada ao descobrir que o marido a traía com uma das convidadas. Este episódio traz muito choro, maquiagem borrada, sangue, boas atuações e diálogos recheados de ironia e humor negro. No meio de toda a tensão, impossível não rir quando a personagem de Romina ameaça o marido “Voy a divulgar todos tus secretos en Facebook“, ou “Vou  divulgar todos os seus segredos no Facebook” em uma das cenas mais intensas e engraçadas deste capítulo. Produzido por Pedro Almodóvar, Relatos Selvagens foi um dos melhores filmes que assisti recentemente.

Uma mulher fantástica (2017)

O filme se passa no Chile e traz uma verdadeira aula sobre as dificuldades enfrentadas diariamente por uma mulher transexual, mesmo nas situações mais básicas, como dizer o nome. “Me llamo Marina Vidal, ¿tiene algún problema con eso?” (Me chamo Marina Vidal. Algum problema com isso?) é uma das frases do longa que mostra um pouco dos pequenos desgastes diários da personagem. As burocracias e acusações após a morte do parceiro, além da não aceitação e a falta de respeito por parte da família do falecido tornam o dia a dia de Marina praticamente um inferno. O tema é muito relevante neste momento, já que representatividade é um assunto abertamente discutido e lembrado em grande parte das pautas políticas ao redor do mundo. Durante o filme, além de percorrermos Santiago a partir do olhar de Marina, vemos uma atuação brilhante de Daniela Vega, a atriz que interpreta esta personagem cheia de dignidade e resiliência em face à intolerância. Mais do que tudo, “Uma mulher fantástica” convida a repensar a forma como a sociedade lida com a questão da transexualidade. A película de Sebastián Lelio foi indicada a diversos prêmios em 2017, quando ganhou o merecido Oscar de melhor filme estrangeiro.

Roma (2018)

Este é talvez um dos filmes mais conhecidos da lista. O drama autobiográfico Roma, do diretor mexicano Alfonso Cuarón, ganhou os mais diversos prêmios pelos festivais onde passou recentemente, sendo o mais recente deles o Oscar 2019, recebendo 10 nominações e levando para casa 3 estatuetas: melhor diretor, melhor filme de língua estrangeira e melhor fotografia. A película narra um ano na vida de uma família classe média na Cidade do México pelos olhos de Cleo, a funcionária que trabalha e dorme na casa. O filme se passa no começo da década de 1970, uma época turbulenta para a história deste país, e traz diversos temas importantes para a atualidade, como o abandono paterno, a dinâmica das famílias abandonadas pelo pai e a situação do povo indígena na América Latina. A boa notícia é que o filme está disponível na Netflix, já que é uma produção da empresa. Além de atuações lindas, a fotografia do filme, que foi filmado em preto e branco, também é um dos pontos altos da película.

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