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Bonjour e Irasshaimase – uma diferença crucial entre a França e Japão

Priscila Koshimura é nossa editora convidada e criadora do blog Peach no Japão. Depois de viver no Japão ela se mudou para a França, e conta como as diferenças entre os dois idiomas dizem muito também sobre as diferenças culturais.
Escrito Por Piti Koshimura

Por mais difícil e diferente que possa parecer a língua japonesa, quem já esteve no Japão com certeza saiu de lá com uma expressão martelando na cabeça: IRASSHAIMASE! – caixa alta pra reforçar o tom efusivo e às vezes estridente que essa saudação chega aos seus ouvidos. Assim você é recebido toda vez que entra em lojas de conveniência, izakayas, restaurantes, lojas de departamento, enfim, estabelecimentos de comércio e serviço em geral.

Dependendo do tipo de estabelecimento, a saudação é tão presente e constante que ecoa de uma forma automática, a cada vez que a porta se abre e o sininho toca pra indicar a presença de um novo cliente. Esse vídeo mostra mais ou menos o clima.

“Irasshaimase” significa, de um modo geral, “seja bem-vindo”. Mas tem um detalhe importante: nessa expressão é empregado o sonkeigo, que é a forma honorífica da língua japonesa, na qual o interlocutor é tratado de uma forma extremamente respeituosa, como se estivesse hierarquicamente acima da pessoa que o saúda. O sonkeigo é usado, por exemplo, por funcionários para falar com o chefe, por repórteres para entrevistar uma personalidade ou por qualquer mortal para se dirigir ao imperador.

Sem saber o jeito mais apropriado para responder essa saudação, perguntei a um amigo japonês: o que eu deveria falar assim que ouvisse o tal do irasshaimase? Ele me disse: nada em especial. Geralmente, os japoneses não dizem nada de volta e fazem, no máximo, um aceno com a cabeça. De qualquer forma, se for abordar o atendente para perguntar qualquer coisa, deve-se usar a forma polida da língua, demonstrando respeito a uma pessoa desconhecida, mas sem enaltecê-lo hierarquicamente. Afinal, no Japão, o cliente está acima de tudo.

Na França, vi que as coisas são bem diferentes. Quando vim pra cá pela primeira vez, a passeio, as pessoas me alertavam: “eles são grossos se você não fala francês”, “não te atendem se você só falar inglês”. Fiz questão de chegar falando pelo menos o pacote básico: “excusez-moi”, “merci”, “s’il vous plaît” e “bonjour”. Foi tudo tranquilo e fui embora com a impressão de que eles são muito mais simpáticos do que falam.

Hoje, morando no país, percebi que essa última expressão do pacote tem um papel fundamental no dia a dia. Quando entramos num estabelecimento comercial, os franceses sempre nos recebem com um bonjour (ou bonsoir, dependendo da hora). E, diferente do que rola no Japão, os clientes respondem de volta, repetindo a mesma saudação, olhando nos olhos de quem os atende. Para dirigir a palavra ao atendente ou, na situação contrária, ao cliente, ambos se tratam pelo pronome “vous”, que implica numa relação respeituosa e sem intimidade. Ou seja, há respeito, mas não há diferenciação no tratamento – cliente e atendente estão no mesmo patamar.

Numa simples saudação entre desconhecidos dá pra perceber, então, valores muito importantes desses países. No caso do Japão, o respeito à hierarquia, e, entre os franceses, a igualdade.

Isso me fez pensar um pouco… Será que se começássemos um diálogo com franceses sempre com um sincero bonjour, essa fama de que são grosseiros diminuiria um pouco?

fotos: Piti Koshimura

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Piti Koshimura

Nascida em São Paulo, Piti Koshimura divide sua vida entre o Japão, a França e o Brasil. Depois de se formar em Comunicação, passou temporadas em Barcelona, Tóquio e Montpellier. Atualmente, de volta ao sul da França, a produtora de conteúdo se dedica a um mestrado em Estudos Culturais. Adora colecionar descobertas que envolvem idiomas, cultura e turismo, e compartilha boa parte delas no blog Peach no Japão.

Nascida em São Paulo, Piti Koshimura divide sua vida entre o Japão, a França e o Brasil. Depois de se formar em Comunicação, passou temporadas em Barcelona, Tóquio e Montpellier. Atualmente, de volta ao sul da França, a produtora de conteúdo se dedica a um mestrado em Estudos Culturais. Adora colecionar descobertas que envolvem idiomas, cultura e turismo, e compartilha boa parte delas no blog Peach no Japão.

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