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Festa literária da FLIP: autores recomendam livros para entender seus países

Pedimos para alguns dos escritores convidados da FLIP indicações de um livro e um filme que eles recomendariam para os estrangeiros entenderem um pouco dos seus países. Confira!

Escrito por Julie Krauniski

A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) começa dia 26 de julho e trará diversos escritores nacionais e internacionais. Nós resolvemos, então, pedir a alguns dos escritores convidados indicações de um livro e um filme que eles recomendariam para os estrangeiros entenderem um pouco dos seus países e entrarem em contato com as respectivas línguas.

Confira as escolhas culturais de Jacques Fux (Brasil), Sjón (Islândia), Prisca Agustoni (Suíça), Pilar del Río (Espanha), Patrick Deville (França) e Luaty Beirão (Angola).

Jacques Fux (Brasil)

Jacques Fux nasceu em Belo Horizonte, em 1977. Ele é graduado em Matemática, mestre em Ciência da computação pela UFMG, doutor e pós-doutor em Literatura pela UFMG, pela Universidade de Lille 3 (França) e pela Unicamp, além de pesquisador visitante na Universidade de Harvard. Antiterapias (Scriptum, 2012), seu romance de estreia, venceu o Prêmio São Paulo de Literatura em 2013. Seu último livro Meshugá: um romance sobre a loucura (Editora José Olympio – Record, 2016) recebeu o Prêmio Manaus de Literatura em 2016.

As escolhas do autor para entender o Brasil:
Livro: K. Relato de uma busca, de Bernardo Kucinsky, editora Companhia das Letras. Filme: O ano em que meus pais saíram de férias, dirigido por Cao Hamburguer.

“O Brasil foi formado por diferentes povos e culturas. a minha literatura, eu exploro a questão judaica: a assimilação e a influência mútua do povo judeu no Brasil. Por isso, recomendo o livro K. Relato de uma busca, de Bernardo Kucinsky, e o filme O ano em que meus pais saíram de férias, dirigido por Cao Hamburguer. Tanto livro quanto filme abordam a o período da ditadura militar no Brasil, mas falam também do antissemitismo, da assimilação e do amor pelo futebol, temas muito importantes e relevantes na construção política e cultural do Brasil”, explica Jacques Fux.

Sjón (Islândia)

Sjón, abreviação de Sigurjón Birgir Sigurðsson, nasceu em Reykjavík em 1962. O escritor já foi traduzido em mais de trinta idiomas e sua obra apresenta forte influência dos contos de fada, do surrealismo e da mitologia nórdica. Sjón também é compositor – um dos principais parceiros de Björk. Ele foi indicado ao Oscar pelas letras do filme Dançando no escuro, dirigido por Lars von Trier. No Brasil, foi publicado A raposa sombria (Hedra, 2014). Pela boca da baleia (Planeta, 2017) será lançado durante a Flip.

As escolhas do autor para entender a Islândia:

Livro: O Cisne, de Guðbergur Bergsson, editora Rocco.

“A beleza, a crueldade e a estupidez de nossa pequena sociedade é vista pelos olhos de uma menina de 9 anos, que foi enviada para trabalhar numa fazenda como punição por furto. Guðbergur Bergsson mapeou a mentalidade islandesa melhor do que qualquer outro autor contemporâneo”, comenta Sjón.

Filme: Noi the Albino, dirigido por Dagur Kári.

“O filme conta a história de Noi, uma adolescente rebelde que mora em uma vila próxima a um fiorde da costa oeste islandesa. Em uma sociedade tão pequena, não é preciso tanta rebeldia para arrumar encrenca. O diretor cria uma miniatura incrível da Islândia moderna”, conta Sjón.

Prisca Agustoni (Suíça)

Prisca Agustoni nasceu na Suíça em 1975. Ela é poeta, tradutora e professora. Antes de mudar-se para o Brasil em 2003, ela viveu em Genebra e Ticino. Sua obra, tanto prosa quanto poesia, transita entre as línguas italiana, francesa, espanhola e portuguesa. No Brasil, alguns de seus livros publicados são Irmãs de feno (Mazza, 2002), A neve ilícita (Nankin, 2006) e Hora zero (Patuá, 2016). Prisca leciona Literatura Comparada na Universidade Federal de Juiz de Fora, onde reside atualmente.

A escolha da autora para entender a Suíça:

Livro: L’anno della valanga, de Giorgio Orelli, publicado pela editora Casagrande, de Bellinzona. Não há edição em português.

Pilar del Río (Espanha)

Pilar del Río nasceu em Sevilha, Espanha, em 1950. Além de escritora, ela é tradutora e jornalista. Em 1986, Pilar conheceu José Saramago (1922-2010), com quem partilhou vida, projetos e trabalho. Desde 2007, ela preside a Fundação José Saramago e é a tradutora da obra do escritor para o castelhano. Em 2016, recebeu o Prêmio Luso-Espanhol de Arte e Cultura por sua dedicação "à defesa dos direitos humanos, à promoção da literatura portuguesa e ao intercâmbio da cultura portuguesa, espanhola e latino-americana".

A escolha da autora para entender a Espanha:

Livro: Los Aires Difíciles, de Almudena Grandes.

Filme: La Vaquilla, de Luis García Berlanga.

Patrick Deville (França)

Patrick Deville nasceu em Saint-Brévin, França, em 1957. Formado em Letras e Filosofia, ele partiu ainda jovem para o exterior e ocupou cargos de adido e professor em Cuba, na África e no Golfo Pérsico. Estreou na literatura em 1987. Peste e cólera (Editora 34, 2017) é seu livro mais recente publicado no Brasil.

A escolha do autor para entender a França:

Livro: À la recherche du temps perdu (Em busca do tempo perdido), de Marcel Proust.

Filme: Vivre sa vie (Viver a vida), de Jean-Luc Godard.

Luaty Beirão (Angola)

Luaty Beirão nasceu em Luanda, Angola, em 1981. Rapper e ativista político, ele foi detido em 2015 por ler um livro considerado subversivo pelo regime de José Eduardo dos Santos, há quase quatro décadas no poder. Em 2016, ganhou liberdade condicional e, em seguida, publicou Sou eu mais livre, então (Tinta-da-China, 2016), diário que manteve durante a prisão e que funciona como um testemunho único da resistência angolana. Kanguei no Maiki, uma compilação de suas letras de música, será publicada em breve pela editora Demônio Negro.

A escolha do autor para entender a Angola:

Livro: A Geração da Utopia, de Pepetela.

“Eu acho que o livro de Pepetela é um bom ponto de partida para perceber a geração de angolanos que segurou o poder, e se mantém até hoje lá amarrada. Essas pessoas destruíram o sonho comum – depredando o que deveria ser de todos – para enriquecimento pessoal. O livro explica muita coisa”, comenta Luaty.

“Mambo tipo documentário”: É dreda ser angolano.

“Apesar de não fazer entender a Angola como um todo (complexa demais para ser explicada em uma única obra), o filme oferece um breve ideia acerca da vivência de muitos luandenses e cidadãos de outras províncias que lá se estabelecem. Não chega a ser um documentário, porque inserimos pequenos e bem localizados elementos de ficção. Por isso o chamamos de ‘mambo tipo documentário’. Ele foi inspirado em um álbum de música do Conjunto Ngonguenha”, conta Luaty.

Ilustração por Elena Lombardi

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