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Jogos na educação infantil: o que as crianças podem aprender com Pokémon

Jogos na educação infantil funcionam? Que tipo de jogos? Neste artigo, Joriam fala como a franquia Pokémon pode fazer as criancas aprenderem inglês mais rápido.
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ESCRITO POR Joriam Philipe
Jogos na educação infantil: o que as crianças podem aprender com Pokémon

Os Pokémons têm este poder: eles parecem nunca sair da cultura pop. Os bichinhos são resistentes.

Uma vez a cada punhado de anos, a sagrada Nintendo nos presenteia com uma nova leva dos monstrinhos. Nos últimos anos, nós presenciamos a histeria que foi o lançamento de Pokémon Go — o primeiro jogo da série que lidou com realidade aumentada.

A febre foi tanta que vimos cenas bizarras como esta:

Este ano, com o anúncio de Pokémon Let’s Go Pikachu & Let’s Go Eevee, uma coisa ficou clara: a série está voltando para a sua primeira audiência — crianças entre 7 e 10 anos. Mas afinal, o que uma criança dessa idade pode aprender jogando Pokémon? E, jogos na educação infantil funcionam? 

Num outro texto aqui na revista, eu já abordei como um jogo como Pokémon consegue ativar os sistemas de dopamina no seu cérebro, ajudando no aprendizado. Hoje vou ser um pouco mais específico e falar sobre alguns exemplos do que você acaba aprendendo enquanto joga.

Jogos na educação infantil: vocabulário estrangeiro

Qualquer estudante no nível mais básico conhece a palavra inglesa fire (fogo). Seja porque viu na capa de um filme estrangeiro ou algum exemplo sobre terminologia de cozinha.

Mas um estudante comum vai demorar anos para conhecer muitos dos seus primos: ember (brasa), flame (chama), burn (queimar, queimadura), overheat (superaquecer), heat wave (onda de calor, frente quente). É essa nuance entre os diferentes termos que vai fazer um falante se comunicar de forma clara, escapando daquele bom e velho discurso “Tarzan quer fogo lareira” — que vai salvar você muitas vezes, mas eventualmente precisa ser substituído.

Os nomes que eu citei são apenas cinco exemplos entre os 728 movimentos dos Pokémons — que sozinhos não constituem nem 1% do texto do jogo completo. É um bocado de leitura em língua estrangeira.

Como os novos títulos estão focando numa audiência jovem, podemos esperar uma linguagem simplificada — embora vale notar que a série nunca se desviou de termos complexos como clangorous (retumbante), oblivion (esquecimento), crafty (astuto), stealth (sorrateiro). Mas só de pensar no número de palavras lidas! Uma criança vai ler 2 ou 3 vezes o número de palavras que leria para terminar um livro infanto-juvenil como Harry Potter.

Não só isso, pela característica do jogo, que se baseia em infindáveis duelos entre os Pokémons, a criança vai ter um nível alto de repetição. Esse tipo de dinâmica é em geral muito chata, mas é o jeito mais fácil de acostumar o cérebro com um novo tipo de informação. O jogo ajuda a remover o tédio e adicionar uma nova camada de empolgação na eterna repetição dos termos.

Ao longo dos anos eu devo ter lido a tal palavra ember — um dos ataques mais básicos dos Pokémons do tipo fogo — mais do que 20 000 vezes. Inclusive, devo ter lido umas boas 200 vezes antes de ir lá descobrir o que realmente significava.

O que nos leva ao próximo ponto…

Aprendizado Tangencial

Sabia você que existe um Pokémon inspirado em Galileu Galilei?

Sabia você que uma das evoluções especiais do Pokémon Marowak é baseada numa dança tradicional do povo samoano?

Sabia você que todos os mapas e geografias dos jogos da franquia são baseados em alguma região do mundo real (muitos distritos do Japão, mas também França e Havaí)?

Tenho que tirar o chapéu para a Nintendo, eles sempre tiveram muito cuidado e carinho pelas fontes simbólicas de todos os seus jogos. Os universos desses jogos se tornam mais ricos e oferecem muitas oportunidades de aprendizado sobre assuntos que não têm nada a ver com videogame ou bichinhos virtuais.

Pelo envolvimento emocional natural que um jogo (ou um filme, um livro etc) causa em seu jogador, muitas vezes uma criança vai ter uma curiosidade focada em alguns símbolos específicos. Se a maioria das referências vai passar batida, apenas a proatividade de descobrir de onde um ou outro Pokémon preferido vem já é um grande salto.

Num mundo onde wikipédias e youtubes tornam essa busca fácil, não é complicado imaginar esse tipo de busca por conhecimento — que vai levar a um aprendizado mais pleno do inglês, afinal a maioria da informação sobre o jogo (mesmo fora do videogame) também se encontra nessa língua.

Agora só imagine a cena: sua família está num trem viajando de Paris para Berlim. Você se pergunta por que será que um trajeto demora tanto. Sua filhinha de 8 anos explica que é porque aquela região é montanhosa. Você olha para ela embasbacado.

Não que ela nunca tenha ido a França antes.

Ela só jogou Pokémon.

Curiosidade

A verdade é que a grande arma para o aprendizado (de línguas ou qualquer outra coisa) é a curiosidade. Qualquer que seja o motivo, estimular a curiosidade de uma criança por uma palavra em inglês já é um grande feito.

Com um mercado de jogos supersaturado e cheio de jogos medíocres, precisamos oferecer o respeito que uma franquia como Pokémon merece. Com jogos excelentes há décadas e um portfólio de milhões de crianças e adolescentes (incluindo eu mesmo!) que foram atrás de aulas de inglês simplesmente para interagir mais com esses mundos, não dá para negar que ajuda.

O que o jogo não conseguir ensinar, nós ajudamos.

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