10 palavras do português que os millennials inventaram (ou adaptaram)

As gerações mais jovens estão sempre inventando novas formas de se comunicar, e assim influenciando a nossa linguagem. Este é um processo natural. Leia aqui um pouco sobre a língua dos millennials.
Escrito Por Gabriel B.
10 palavras do português que os millennials inventaram (ou adaptaram)

“A língua é algo vivo”, argumentou o escritor clássico Gilbert Highet no livro Explorations (Explorações, em tradução livre). Para o escocês-americano, que ensinou por mais de duas décadas Literatura na Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, “sentimos” quando uma língua está se transformando. Partes dela “tornam-se velhas” e são abandonadas, enquanto outras crescem e “se proliferam”.

Essas mudanças ocorrem por diversos motivos – tempo, local, costumes, população, etc -, mas a internet tem sido um fator relevante na linguagem utilizada por jovens das gerações Y (1981-1996), mais conhecidos no mundo como millennials (e no Brasil como geração do milênio), e Z (1997-2012). 

E neste ambiente virtual (embora não apenas nele) de aplicativos de mensagens, memes, games e redes sociais, os jovens inventam palavras no português e ressignificam outras antigas.

Para vitaminar o seu vocabulário, separamos abaixo algumas das melhores palavras criadas, ou que ganharam novo sentido, pelas gerações mais novas. Parte delas também carrega uma boa dose de adaptações/inspirações vindas do inglês.

Berro 

Esta palavra é bastante utilizada em redes sociais para expressar uma reação a algo. Pode ser uma surpresa ou alguma coisa engraçada, por exemplo.

Ela não foge muito do sentido literal do verbo berrar, ou seja, gritar. Só que esse grito é de ânimo, surpresa, alegria. É uma palavra bem popular no universo LGTBQ+.

“Só vi agora que ganhei um aumento, berro!”

Biscoito

Um dos aspectos mais interessantes (e comuns) de um idioma é quando uma palavra ganha um significado completamente diferentes do original. Pode usar o nome de um alimento para dar uma alfinetada no coleguinha? Pode, sim!

Sabe aquela pessoa que não perde uma oportunidade para chamar atenção, especialmente na internet? Pois é, ela/ele está biscoitando. É alguém que posta cinco selfies seguidas no Instagram ou manda ver nos textões no Facebook com intuito de buscar o holofote.

Uma vertente desta palavra é a expressão “dar biscoito”, ou seja, uma forma sarcástica/debochada de “elogiar” alguém que está buscando enaltecimento (muitas vezes por algo que sequer vale um aplauso).

“O José está querendo biscoito com esses textões.” 

“João, chega de se vangloriar por ter ajudado a arrumar a casa. Toma aqui o seu biscoito.”

millennials

Cancela 

Esta palavra passou a ser usada para expressar descontentamento com alguém ou em relação a um comportamento, deixar de apoiar e pedir boicote a uma pessoa. Um artista fez/disse algo deplorável? Cancela! Ou está cancelada/o!

“A Maria merece ser cancelada depois daquele comentário machista.” 

Contatinho

O português adora um diminutivo para expressar algo meio sem importância, mas nem sempre pejorativo (afinal, “inha/o” também indica carinho). O contatinho aqui é aquele contato que alguém pega para paquerar, para se divertir sem compromisso. 

“Você está cheio de contatinhos, né?”

E choca zero pessoas

Ok, aqui vai uma leve trapaça. Não se trata de uma palavra, mas de uma expressão (até porque é um pouco difícil passar esse sentido com apenas uma palavra). 

E choca zero pessoas significa, bem, exatamente o que diz. É usada para expressar algo óbvio, esperado.

“Gabriel chegou atrasado para o choque de zero pessoas.”

Flopar 

Não é incomum incorporar/adaptar palavras do inglês no português (por exemplo, delete, download, delivery, jeans, etc). Flopar é mais uma dessas adesões ao nosso vocabulário. Ela vem do verbo to flop, ou seja, falhar, fracassar. No português, decidimos até conjugá-la.

“O novo álbum daquela banda flopou demais!” 

Lacrar 

Este é um mais um verbo que teve o seu sentido modificado. Literalmente, é o mesmo que selar, fechar algo com um lacre.

Mais recentemente, tem sido usado como uma expressão para dizer que alguém se saiu bem em algo, como um debate/discussão. Também pode trazer um contexto mais negativo, como uma ironia a uma pessoa que faz um discurso em defesa de minorias, por exemplo, ou que problematiza um assunto/acontecimento que para outros não deveria ser problematizado. É muito popular na comunidade LGBTQ+ com o seu sentido positivo. 

“Ela está lacrando demais naquele debate. Arrasou!”

“Chega de lacração, por favor. Nem tudo é problema.” 

Auge (ou negar o auge)

Esta palavra ganhou fama na internet para expressar tanto um elogio quanto um deboche. Pode ser usada para zoar aquela pessoa sem noção do que está falando/fazendo (o auge do ridículo, da vergonha), ou para elogiar alguém que está em seu ápice.

”O fulano nega o auge compartilhando essas notícias falsas.”

“Esse carro que você comprou é o auge!”

Shippar 

Outra palavra emprestada e adaptada do inglês. É usada quando alguém deseja apoiar um relacionamento amoroso que não existe, ou seja, transformar duas pessoas em um casal.

“Eu vou shippar esses dois! Eles merecem ficar juntos.”

millennials

Xablau 

Foneticamente, esta é a palavra mais interessante desta lista. Ela é utilizada para zoar, criar uma desordem total sobre alguma coisa/tópico (em geral, na internet). Também pode significar algo bombástico e inesperado. É um meme muito presente nas redes sociais. Mas tome cuidado, pois há quem a use com sentido sexual. 

“Aquela festa foi um xablau”. 

“Vou causar um xablau no grupo do WhatsApp da família.”

Aprenda um novo idioma
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Gabriel B.
Gabriel Bonis é jornalista, especialista em Direito Internacional para Refugiados e mestre em Relações Internacionais pela Queen Mary University of London. Ele passa a maior parte do seu tempo escrevendo sobre direitos humanos, ajudando refugiados a lidar com seus processos de asilo e estudando alguma língua nova. Atualmente, vive em Berlim. Siga-o no Twitter (@gbonis).
Gabriel Bonis é jornalista, especialista em Direito Internacional para Refugiados e mestre em Relações Internacionais pela Queen Mary University of London. Ele passa a maior parte do seu tempo escrevendo sobre direitos humanos, ajudando refugiados a lidar com seus processos de asilo e estudando alguma língua nova. Atualmente, vive em Berlim. Siga-o no Twitter (@gbonis).

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