12 dialetos brasileiros que enriquecem a língua portuguesa

Bateu uma curiosidade? Conheça as características e algumas expressões dos diferentes dialetos falados no Brasil.
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12 dialetos brasileiros que enriquecem a língua portuguesa

A língua oficial do Brasil é o português, mas quantas vezes você achou que estava em um outro país por não conseguir entender perfeitamente o dialeto de pessoas que cresceram em um estado ou até mesmo em uma cidade diferente da sua? De Norte ao Sul da nação, há uma infinidade de dialetos com uma acentuada diferença lexical e gírias particulares. Nesse caldeirão de sotaques, expressões idiomáticas e palavras, os dialetos do Rio de Janeiro e de São Paulo são os mais presentes nos meios de comunicação. Já a diversidade de dialetos no Nordeste junto com os dialetos amazônicos constituem o chamado português brasileiro setentrional. 

Dentro dessa imensidão de diferenças, selecionamos alguns dialetos para você conhecer melhor e saber quem fala o quê e onde. 

Baiano: Também conhecido como baianês, o baiano foi um dos primeiros dialetos brasileiros. E se você acha que  seus falantes vivem apenas no estado da Bahia, você vai se surpreender. O baianês também é o dialeto de Sergipe, do extremo norte de Minas Gerais e do leste de Goiás e Tocantins. Uma característica desse dialeto é a abreviação das palavras que, muitas vezes, acaba por criar outras com um significado que pode ser até diferente do inicial. 

E aê, meu rei!? = Olá amigo.

Colé de mêrmo? = Como vai você?

Aooonde! = Não mesmo!

Tá me comediando é? = Está me fazendo de bobo? 

Se plante! = Fique na sua.

Brasiliense: Esse dialeto, também chamado de candango, é resultado do fluxo migratório, que começou em 1955, por conta da construção de Brasília. Usado na cidade e na sua área metropolitana, é uma mistura do dialeto mineiro e goiano, com nuances nordestinas.  

Aff = Ave maria

Baú= Ônibus 

Vou de camelo = Vou de bicicleta

Hoje eu tô com uma lombra = Hoje eu tô com uma preguiça

Caipira: Com uma fonética marcada pelo “R” retroflexo, por trocar o “LH” por “I”, e por não flexionar o verbo, sem obedecer a concordância numérica, o que faz com que ele fique sempre no singular, o caipira é falado no interior do estado de São Paulo, leste e sul do Mato Grosso do Sul, sul de Minas Gerais, sul de Goiás, norte do Paraná e zonas rurais do sul do Rio de Janeiro. A influência desse dialeto vem da língua indígena Tupi.      

Nói, nóis = Nós

Muié = Mulher

Ele é um coió = Ele é um bobo

Nóis fumo = Nós fomos

Us carmânti = Os calmantes 

Num mi alembro = Não me lembro

Carioca: Falado na região metropolitana do Rio de Janeiro e em áreas próximas, o dialeto carioca é conhecido pelo sotaque com muita semelhança ao português lusitano. Todo mundo sabe que é um carioca falando por conta do S chiado e das vogais abertas. Os dialetos dos muitos escravos africanos também foi uma influência no carioquês.

Tô bolado = Tô preocupado

Coé = Qual é

Esse projeto fluiu = Esse projeto deu certo

Maneiro = Muito legal

Mermão = Aglutinação de meu irmão

Gaúcho: Com grande influência do espanhol e um pouco do guarani e de outras línguas indígenas, o dialeto guasca (gaúcho) é falado predominantemente no Rio Grande do Sul, e em parte do Paraná e de Santa Catarina.  

Olhar de revesgueio = Olhar atravessado

Preteou o olho da gateada = A coisa ficou complicada

Te some da minha frente = Sai da minha frente

Tri afú = Muito legal

Toca ficha = Segue em frente

Mineiro: O dialeto montanhês, que é utilizado principalmente nas regiões central e leste de Minas Gerais, apareceu após a decadência da mineração, quando o estado sofreu um isolamento. Por conta disso, o montanhês sofreu influência do dialeto caipira, de São Paulo. 

Quét’ s’criança! = Mãe pedindo às crianças que se calem

Conta Z’óra? = Que horas são?

As’fruta ‘tão ‘pudrecen tud’ = Todas as frutas estão apodrecendo.

Blusdifri = Blusa de frio

Sa passado = Sábado passado

Nordestino: Falado em Pernambuco, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, na porção sul do Ceará, e em algumas regiões da Bahia, do Piauí e do Maranhão, é o dialeto com maior números de falantes. São mais de 53 milhões de pessoas e por conta disso, ele inclui subdialetos, como o da Zona da Mata, do interior Nordestino, e do Meio-Norte. 

Mainha! Ó ele me arengando! = Mãe, olha ele me perturbando!

Arreda = Sai da frente

Agora, avalie o tamanho da encrenca = Agora, imagine o tamanho da encrenca

Vou acochar bem os parafusos = Vou apertar bem os parafusos 

Dar o grau = caprichar

Nortista: Falado pela maioria dos habitantes da bacia amazônica (Acre, Amazonas, Roraima e Amapá e parcialmente no Pará, excluindo-se a região de Carajás), a amazofonia sofreu forte influência dos portugueses. A característica mais marcante é o uso do “tu” nas conjugações em segunda pessoa.  

Gala seca = Idiota

Baixa da Égua = Local distante

Ficar de bubuia = Ficar tranquilo

Tá lá, cheiroso! = De forma alguma!

Tu é leso é? = “Você tá doido é?

Paulistano: Muito usado nos meios de comunicação, o dialeto paulistano é falado na Macrometrópole de São Paulo (com exceção de alguns municípios que utilizam o dialeto caipira). Ele engloba termos e palavras oriundas dos diferentes idiomas falados por seus imigrantes, como os italianos, árabes, japoneses, espanhóis e, claro, os portugueses. 

Se pá = Talvez

Bater um fio = Dar um telefonema

Fica na moral = Fica quieto, calado

Uma pá de vezes = Muitas vezes

Foi descoberta muita corrupa no governo de Sampa = Foi descoberta muita corrupção no governo de São Paulo

Recifense: O dialeto recifense é típico da Região Metropolitana do Recife e da Mesorregião da Mata Pernambucana, no estado de Pernambuco. A sua marca é o chiado e a quantidade de palavras criadas pelos falantes desse dialeto. 

Deixar de pantim = Deixar de besteira

Com os quatro pneus arriados = Estar muito apaixonado por alguém

Fi de rapariga = uma maneira de insultar alguém

Gera = Farra

Avoar no mato = Jogar fora

Sertanejo: Falado no sudoeste, centro-sul e leste do Mato Grosso, noroeste do Mato Grosso do Sul, no centro-norte de Goiás, e em pequenas porções do oeste de Minas Gerais, é um desdobramento do dialeto caipira. Além disso, a construção do sertanejo vem da interação cultural de pessoas que falavam os dialetos mineiro, sulista e nordestino. 

Dar pinote = Fugir correndo

Ela se emperiquitou toda = Ela se arrumou toda

Tchá por Deus = Expressão de espanto ou indiferença

Sulista: Esse dialeto, que possui muitas características particulares, é predominante no Paraná, em praticamente todo o estado de Santa Catarina, no noroeste do Rio Grande do Sul e no extremo-sul do estado de São Paulo.

Cupincha = Camarada

Pila = Dinheiro

Você está borracho = Você está bêbado 

Vou na padaria comprar um cacetinho = Vou na padaria comprar um pão francês

Diferença entre língua, dialeto e idioma

A comunicação é a finalidade maior de uma língua, idioma ou dialeto: é por meio dela que ocorrem as interações sociais, mas saber a diferença entre eles é entender melhor como cada nação cria suas ferramentas para se comunicar. 

Língua: nada mais é do que um instrumento de comunicação. Segundo a definição do dicionário Michaelis, a língua é um conjunto de palavras ou signos vocais e regras combinatórias estabelecidas, de que fazem uso os membros de uma comunidade para se comunicar e interagir, ou seja é ela que estabelece as interações sociais. 

Idioma: é a língua que identifica uma nação, é a língua própria de um povo. No Brasil, o idioma oficial é o português. Existem países, como a Suíça, por exemplo, em que três idiomas são considerados oficiais, o alemão, o italiano e o francês. 

Dialeto: é uma forma particular de uma língua que é peculiar a uma região ou a um grupo social específico. O dialeto é geralmente interpretado geograficamente (dialeto regional), mas também tem relação ao contexto social da pessoa (dialeto de classe) ou ao ofício (dialeto ocupacional).

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