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Caraca, *brother*! Uma breve análise do carioquês

O Rio de Janeiro é lindo… e o seu sotaque também! Fizemos aqui uma breve análise sobre o falar dos cariocas.
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Já aviso aos leitores de antemão: sou paulistana até o último fio de cabelo e qualquer erro na minha análise não é mera coincidência (risos!).

A primeira coisa que sempre me vinha à cabeça quando eu pensava no Rio de Janeiro era: por que eles falam o s com som de x? E, como qualquer criança nascida nos anos 1980, eu era fã de carterininha do programa da Xuxa, ou seja, a associação era imediata – é por causa da Xuxa!

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Brincadeiras à parte e incontáveis discussões com uma ex-colega de apartamento carioca – sobre se o certo é bolacha ou biscoito –, vamos fazer uma breve análise do carioquês.

“Marquei um X, um X, um X no…”

Como dito anteriormente, muito do meu imaginário sobre o carioquês é intrinsicamente ligado à Xuxa. Eu pensava que todas as crianças do Rio de Janeiro comiam aquele café da manhã fabuloso, cheio de frutas, que ela oferecia no começo do programa e brincavam com o Dengue.

Bons velhos tempos… Mas voltando à análise do sotaque, os fonemas típicos cariocas não são frutos da influência da rainha dos baixinhos (que inclusive nasceu no sul do país), porém, da herança dos tempos em que a capital da corte portuguesa era o Rio de Janeiro, no século XIX.

O sotaque carioca, mais particularmente o s chiado ao final da sílaba, é uma herança direta do português de Lisboa, já que a corte portuguesa veio em grande contingente para o Rio de Janeiro, em 1808, e a cidade se tornou capital da República em 1889. (Para mais detalhes, acho legal ouvir esse podcast aqui). O som do s ficou, então, prestigiado por ser o sotaque da realeza, e por isso muito difundido na então capital.

Além do s, o fonema r mais sussurrado também é bem característico da forma de falar do carioca. Em vez de “porrrta” como os paulistas, eles dizem “porta”. Outra coisa interessante sobre o falar carioca é que eles adoram um aumentativo: boladão, felizona, malzãoCuriosão, não?!

“Meu”… Brother!

No Rio de Janeiro, a camaradagem também é algo que parece refletir no “carioquês”. Chamar o próximo de irmão, brother e “mermão” diz muito sobre a vibe da cidade. Apesar de essas gírias também terem subido a serra, o mais comum e usado em São Paulo é o famoso “meu” ou “mano” (que também se refere à irmão).

No vídeo, o nosso colega carioca Pedro falou com o mais puro sotaque a seguinte frase:

Caraca, mermão, tô bolado com essa parada. Esse vacilão aí tá de caô comigo, não é possível.

Para nós paulistas e paulistanos, a frase se traduziria da seguinte forma: “Cacete, mano, tô nervoso com essa fita. Esse cara vacilou, tá de brincadeira comigo, não é possível.”

É claro para mim como as gírias, que apesar de não fazerem parte do idioma formalmente, nos dão um senso de identidade, e ajuda a reconhecer o lugar de onde viemos. Mais do que vencer a querela sobre a bolacha e o biscoito, o sotaque entrega muito da personalidade de alguém.

A frase escolhida para o vídeo, por exemplo, mostra o lado relax do carioca mesmo quando ele está bolado, chateado, ainda duvida que o outro esteja de “caô”, não sendo honesto, com ele. Interessante notar como é um pouco diferente a minha “tradução” da frase, que mostra o imediatismo paulista – “tô nervoso”, já assumindo que a pessoa vacilou e definitivamente está aprontando alguma.

Outro fato interessante sobre as gírias cariocas foi descobrir como o “aí” corresponde ao paulista “então”, e que “já é” é um sim. Podem parecer descobertas óbvias, mas por um tempo eu as interpretei de forma errada (risos).

E, para quem gosta e entende de futebol, outra frase que pode sair de uma boca carioca:

Aí, lek, sinistro o ovinho que o maluco deu. O maior esculacho com o zagueiro, fala aê!

Esclarecendo as gírias:

lek – moleque

sinistro – extraordinário, assustador

ovinho – passar a bola por debaixo das pernas

maluco – homem, “cara”

esculacho – “zoação”, humilhação

zagueiro – nome da posição do defensor no futebol

Partiu? Formou (Formô)

Seja pela herança histórica e cultural, seja pela influência da Rede Globo, o Rio de Janeiro foi e continua sendo uma cidade emblemática. O estilo carioca de ser sempre fascinou muita gente, e devo admitir que depois de conhecer a cidade maravilhosa realmente entendi o porquê do epíteto.

Apesar de não ser a minha praia, o Rio é irado! Como toda cidade, algumas coisas podem “dar ruim” – mas, é só não ficar “bolado” e continuar “suave”.

E aí, passei com o meu carioquês?

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