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Os sotaques do Brasil: como falamos de norte a sul

O português que se fala no Pará é o mesmo que ouvimos no Rio Grande do Sul? Veja aqui a variedade dos sotaques brasileiros.
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Dimensões continentais, 26 estados, um Distrito Federal e um único idioma compartilhado por mais de 200 milhões de habitantes. Mas o português que se fala no Pará é o mesmo que ouvimos no Rio Grande do Sul? Nós, brasileiros, sabemos que não. Mas e os estrangeiros que visitam o país e se interessam pela nossa cultura, será que eles têm alguma ideia de que, apesar de um idioma comum, há modos de falar distintos nas diferentes regiões do nosso país, e que os sotaques do Brasil são muito diferentes entre si?

Para descobrir a percepção que os estrangeiros têm do nosso idioma e explorar a riqueza das nossas diferentes formas de nos expressar, fizemos uma experiência com alguns deles. Três alemães, uma francesa, um mexicano, um colombiano e um italiano — todos falantes fluentes de português (ou quase) — tentaram adivinhar o significado de algumas palavras e expressões típicas de seis diferentes locais do Brasil.

Para não ficar muito fácil, nós selecionamos gírias e expressões que até mesmo brasileiros que não são desses lugares terão certa dificuldade para entender. E como os nossos convidados se saíram? Nada mal, sobretudo porque, a partir do seu domínio de português, eles conseguiram deduzir o significado de muitas das expressões.

Veja os vídeos abaixo e descubra mais sobre alguns dos modos de falar dos brasileiros​​.​

Bahia

Comecemos pela Bahia: “Rafael, quando come água, fica todo cheio de gracinha para cima de mim. Eu fico retada, nunca dei essa ousadia para ele.

Em um português padrão, poderíamos dizer: “Quando Rafael bebe (ou toma umas), ele começa a dar em cima de mim. Isso me irrita, porque nunca dei liberdade alguma para ele.”

Outro bom exemplo de como o linguajar baiano não alcança limites pode ser observado na frase: “Ô véi, tô sabendo cualé di merma, vú. Veio com esse negócio de historinha pra cima de mim, dou logo um xelp!

ô véi: cara, mano
colé de merma: o que está acontecendo, como estão as coisas
negócio de historinha: fofoca, enganação, mentira
xelp: um fora, uma cortada

Clique aqui para ler o artigo completo sobre o sotaque da Bahia.

Minas Gerais

Para o falar de Minas, desvendar as abreviações e palavras aglutinadas é grande parte do desafio: “Moço, eu não faço ideia prondecovô. Você sabe onde é o pondions ali na ruditrás?”

(Moço, eu não faço ideia para onde que eu vou. Você sabe onde é o ponto de ônibus ali na rua de trás?)

Passemos à outra frase: “Cadiquê cê deu o trem lá para ele? Todo mundo sabe que ele é mó Zé Dendágua.”

(Por causa de que você deu o trem lá para ele? Todo mundo sabe que ele é o maior Zé Dendágua.)

Clique aqui para ler o artigo completo sobre o sotaque de Minas Gerais.

Pará

Vejamos as frases do Pará: “Égua, mano, tu não vais acreditar na quantidade de carapanã que tinha no igarapé. A coisa ficou ralada lá à noite.

égua: expressão de espanto, “vírgula do paraense” dita em toda frase, seria o equivalente ao “poxa” ou “caramba”.
carapanã: mosquito, pernilongo
igarapé: rio pequeno, riacho
ralada: feia, difícil (situação)

A segunda frase paraense é: “Mana, tu viste a facada que está esse sapato? É muita bufunfa pra tanta caboquice. Só sendo muito buiado mesmo.

facada: algo está muito caro
bufunfa: dinheiro
caboquice: extravagância, comportamento de quem quer chamar a atenção
buiado: com muito dinheiro

Clique aqui para ler o artigo completo sobre o sotaque do Pará.

Rio Grande do Sul

Vejamos as frases do Rio Grande do Sul: “Bah, mas esse guri eu larguei pras cobras. Ele se faz de leitão vesgo para mamar em duas tetas, é um abusado.

bah: interjeição preferida do gaúcho, muda de significado conforme a entonação, podendo expressar surpresa, descrédito ou mesmo irritação
guri: menino
largar pras cobras: abandonar, desistir de alguém
fazer-se de leitão vesgo para mamar em duas tetas: fingir-se de bobo para tirar proveito de uma situação

Até queria ir no sol lagartear, mas bah, tá um frio de renguear cusco. Só se levarmos o chimarrão e a japona.

lagartear: tomar sol para aquecer o corpo num dia frio (como um lagarto)
frio de renguear cusco: muito frio! “Cusco” significa cachorro, enquanto “renguear” quer dizer algo como cambalear, ou mancar. Ou seja: está tão frio que o cachorro está cambaleando, mancando (tremendo)
japona: jaqueta de inverno

Clique aqui para ler o artigo completo sobre o sotaque do Rio Grande do Sul.

Rio de Janeiro

Caraca, mermão, tô bolado com essa parada. Esse vacilão aí tá de caô comigo, não é possível.

Para paulistas e paulistanos, a frase se traduziria da seguinte forma: “Cacete, mano, tô nervoso com essa fita. Esse cara vacilou, tá de brincadeira comigo, não é possível.”

Passemos à outra frase: “Aí, lek, sinistro o ovinho que o maluco deu. O maior esculacho com o zagueiro, fala aê!

lek – moleque
sinistro – extraordinário, assustador
ovinho – passar a bola por debaixo das pernas
maluco – homem, “cara”
esculacho – “zoação”, humilhação
zagueiro – nome da posição do defensor no futebol

Clique aqui para ler o artigo completo sobre o sotaque do Rio de Janeiro.

São Paulo

E, para terminar, as frases de São Paulo: “Mano do céu, passei mó friaca ontem, fiquei zuadaço. Tem as moral de ir na padoca comprar um lanche pra mim?

mano do céu: expressão emergente nos últimos anos que tem um significado semelhante, embora bem mais expressivo, a cara, mano, bicho etc
friaca: frio
zuadaço: muito mal, doente
ter “as moral”: ter a capacidade e a disponibilidade necessárias para fazer um favor a alguém

Vejamos a outra frase: “Cê tá ligado que o negócio tá osso lá no escritório, né? O novo funcionário não manja nada.”

tá ligado talvez a gíria mais característica de São Paulo, significa algo como estar entendendo ou estar ciente de determinado fato ou situação
estar osso: estar difícil, estar complicado
manjar: entender, saber

Clique aqui para ler o artigo completo sobre o sotaque de São Paulo.

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