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Para viajar sozinha parte 2: A voz da experiência de mulheres e pessoas Queer

Na segunda parte do guia para viajar sozinha da Babbel para mulheres/LGBTQ, conversamos com várias blogueiras experientes, para que você possa aprender a partir das suas vivências.
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ESCRITO POR Steph Koyfman
Para viajar sozinha parte 2: A voz da experiência de mulheres e pessoas Queer

Esta é a segunda parte do Para viajar sozinha: o guia da Babbel para mulheres e pessoas Queer. Confira aqui a primeira parte.

Quais são suas principais dicas para quem está viajando sozinha?

estrangeira

Não deixar o medo impedir que você faça aquela viagem que tanto quer. Não só o medo de acontecer algum imprevisto por estar sozinhx, mas também o medo de ficar cara a cara consigo mesmx. Viajar sozinhx é sempre uma viagem para dentro de si, de auto-conhecimento. Às vezes, não estamos acostumadxs a termos apenas a nossa própria companhia mas, acredite, quando você vencer esse medo, vai perceber que viajar sozinhx é muito gostoso! Uma dica prática é fazer uma boa pesquisa sobre o destino antes de ir. Planejar bem o itinerário, as hospedagens, tentar se antecipar um pouco para aprender algumas palavras básicas do idioma do seu destino… Uma preparação básica vai deixar você mais confiante para explorar o local e vivenciar sua viagem. 
Como lésbicas, diríamos também às pessoas queer que é importante adicionar a essa pesquisa prévia uma noção básica dos direitos e da realidade da comunidade queer do seu destino. Assim você já estará mais preparadx para encarar uma realidade que pode ser super friendly ou o total oposto. E para finalizar, é legal deixar uma cópia do seu itinerário com pelo menos uma pessoa de confiança, além de manter algum contato periódico on-line (uso muito o Whatsapp para me comunicar com minha família, por exemplo). Assim alguém sempre saberá mais ou menos onde você está.  –Estrangeira por Fabia e Gabi 

Amanda Kendle

Seja confiante! É fácil especialmente se for sua primeira vez viajando sozinhx sentir que você não é capaz, que é difícil demais. E, às vezes, amigos e parentes também podem dizer que você não deveria viajar sozinhx. Mas acredite na sua capacidade e, aos poucos, você se sentirá melhor e logo estará adorando a experiência.

Conheça-se bem saiba quanto contato você precisa ter com outras pessoas para se sentir feliz e estruture sua viagem de forma a ter essas interações. Isso pode acontecer ficando em um dormitório num albergue, participando de um tour com outras pessoas ou fazendo uma aula. Encontrar-se com  viajantes e habitantes do seu destino faz com que uma viagem só nunca seja solitária.

Por questões de segurança, planeje com antecedência… Vale a pena pesquisar um pouco para descobrir se é perigoso andar sozinhx durante a noite, por exemplo, e então escolha uma acomodação bem central ou de fácil acesso, sem precisar de uma longa caminhada. — Amanda Kendle

Miyuki Baker

De 2012 a 2013, visitei 15 países ao redor do mundo procurando, explicitamente, artistas queer e comunidades de ativistas. Para mim, foi importante descobrir como as pessoas no exterior se organizam de várias formas como artistas queer e ativistas. Ao visitar esses lugares, observei a cultura primeiro a partir de uma perspectiva queer, mas sabia que essa não era a única forma de vivenciar os países que visitei. Portanto, é importante reconhecer como nossas intenções repercutem na nossa vida cotidiana no exterior.

Quando estou em um outro país, costumo ser bem direta com relação ao fato de eu ser queer. Geralmente as respostas são positivas ou neutras. Porém, percebi que, como estrangeira, há uma tendência de não ser incluída nas regras locais. Por isso, gosto de avaliar quando forçar os limites pode resultar numa conversa produtiva e quando eu não preciso me expor. — Miyuki Baker, neste post

Francesca Murray

Número um, ouça sua intuição mas não dê ouvidos para o medo! Ainda não é regra que mulheres viagem sozinhas, mas as coisas estão mudando! As pessoas podem tentar desencorajar você ou falar que é perigoso, mas se você tiver feito uma pesquisa minuciosa e escolhido um destino bom, vá com tudo!

Planejar com antecedência é essencial. Eu começaria lendo alguns blogues de mulheres viajantes. Você pode até começar pelo meu! Pesquise destinos aonde mulheres já tenham ido sozinhas, como Islândia ou França, e faça seu itinerário partir deles.

Esteja bem equipada. Tenha um cartão SIM para que você possa entrar em contato com alguém em caso de emergência e dinheiro suficiente na moeda local, assim você não precisa ficar desesperada atrás de um caixa eletrônico no meio da noite ou em um lugar estranho. Também não deixe de trazer coisas essenciais, como produtos femininos e outras coisas para seu conforto durante a viagem. — Francesca Murray (@onegrloneworld)

Jessica O'Reilly

Quanto mais você se forçar a fazer as coisas que lhe dão medo, melhor sua experiência se tornará.

Se homens estiverem lhe encarando, não fique intimidadx nem desvie o olhar. Olhe para eles diretamente nos olhos e os cumprimente de modo amigável (de preferência, no idioma deles).

Recolha todas as informações possíveis sobre a segurança da área – e outras recomendações – nos lugares onde você estiver se hospedando (não se esqueça de anotar o endereço e o número de telefone).Jessica O’Reilly

Taylan Stulting

Dormitórios mistos não são apenas mais baratos do que dormitórios separados por gênero como também dão a viajantes trans, especialmente quem viaja só, um pouco mais de segurança e conforto, pois todo mundo é bem-vindo independentemente do gênero. Pague um pouco mais para ficar num dormitório com banheiro, assim você elimina a necessidade de ir a espaços separados por gênero na sua acomodação, o que costuma ser um problema de segurança para pessoas transgênero.

Conheça as leis – se houver alguma – que se aplicam especificamente às pessoas transgênero no seu destino de viagem. Em algumas partes do mundo, pessoas transgênero são totalmente criminalizadas. Em outras partes, há regulações estritas a hormônios e, em outras, há proteção completa. Não deixe que as leis sejam um impedimento, mas conhecê-las permite que você se planeje de acordo e decida se os riscos valem a pena. Fui a países onde ser trans é considerado um crime, e eles acabaram sendo alguns dos meus lugares favoritos. Mas sempre planejei tudo com cuidado.

Se sua expressão de gênero não for a mesma dos seus documentos legais, tenha uma explicação pronta para o caso de isso ser questionado ao atravessar uma fronteira ou pela segurança do aeroporto (isso já aconteceu comigo, mais do que gostaria). E não precisa ser uma explicação aberta, em que você se revela como transgênero a desconhecidos em um país estrangeiro. Meus documentos ainda dizem que sou mulher, mas geralmente me consideram homem. Por isso, quando implicavam com isso no passado, eu simplesmente brincava que meu corte de cabelo ruim me deixava com cara de menino. Geralmente as pessoas dão risada e deixam de implicar. — Taylan Stulting

Tara Povey

Dê uma cópia do seu itinerário a amigos/familiares e avise se você mudar algo. Confie na sua intuição, e se você se sentir desconfortável em alguma situação, saía dela assim que possível. Sempre tenha uma cópia do seu passaporte com você em um lugar diferente do seu passaporte, em caso de roubo ou dano. Você pode até enviar uma foto do seu passaporte por e-mail a si mesmx, assim você sempre o terá guardado em algum lugar. — Tara Povey

Bani Amor

É claro que depende de como você planeja viajar e como você quer que identifiquem você, mas é bom que viajantes trans, especialmente quem planeja passar um tempo em espaços queer e trans, saibam como comunicar seus [pronomes] e perguntar pelos pronomes de gênero das pessoas no idioma local. Isso também pode ser útil ao lidar com as autoridades.

Recomendo que viajantes queer solos pesquisem sobre seu destino a partir do ponto de vista dos habitantes, não apenas perguntando a outros turistas queer sobre os lugares, porque assim você pode acabar no meio de outros turistas, sem conhecer a cena queer local. De bares gays a organizações, tudo pode ajudar você a encontrar o caminho certo. — Bani Amor

(Crédito fotográfico: Neha Gautam Photography)

Renuka Walter

Seja confiante. Confie no seu instinto. Pesquise e planeje bem sua viagem. Mantenha contato com seus amigos no seu país. — Renuka Walter

 

Você tem alguma história ou algum conselho relacionado ao idioma?

Estava viajando sozinha pela China, em 2012, e queria muito fazer amigos por lá. Na ingenuidade de querer conhecer pessoas, acabei caindo em um golpe. Uma moça me abordou dizendo que queria praticar inglês, ela parecia muito simpática… Fui conversando com ela, ela sugeriu irmos para um karaokê e eu topei. Quando estávamos lá chegaram outras pessoas. Ficamos horas lá cantando, comendo e bebendo. Na hora de ir embora, chegou uma conta absurda: 1 500 dólares! Falei que não podia ser, que estava errado – eu já estava na China há um tempo e sabia muito bem que comer lá era sempre muito barato.
Foi aí que percebi que era um golpe. Esse grupo tem um esquema com o karaokê e faz isso para extorquir pessoas estrangeiras. Eu estava em um lugar estranho, com gente estranha, não falava nada de chinês… Eles sugeriram “dividir” a conta entre todos e eu acabei perdendo 400 dólares naquela noite. É claro que eles não pagaram nada, fazia parte do esquema. Foi horrível! Hoje já fico mais esperta para falar com pessoas estranhas nos países que visito… às vezes realmente chegam pessoas legais que querem fazer amizade, mas é preciso ter um pé atrás para se proteger de golpes e também aprender a ouvir sua intuição. Houve um momento lá no karaokê em que eu tive uma sensação ruim, vontade de sair correndo de lá, mas ignorei. Hoje sei que não deveria ter ignorado! – Fabia Fuzeti

Quando estive pela primeira vez em Bratislava, na Eslováquia, fui a uma barraca de cachorro-quente por vários dias seguidos. Não sabia nada de eslovaco, então levantava um dedo para mostrar que queria um cachorro-quente. Todas as vezes, eles me davam dois. Felizmente, os cachorros-quentes eram meio pequenos, mas ainda assim! Levei um bom tempo para perceber que os eslovacos, quando contam com os dedos, começam pelo polegar e, depois, pelo o dedo indicador. Por isso, eles achavam que meu indicador incluía também o polegar, assim estava pedindo dois lanches!! — Amanda Kendle

 

Em relação a idiomas, aprendi que quanto mais exagerada e boba você se sentir, mais próxima estará da pronúncia correta. Quando estava começando a aprender francês e viajando, muitas vezes pedia algo sem cuidar da pronúncia e recebia um olhada vazia de volta. Uma vez, tentei de novo com um sotaque francês exageradíssimo, e de repente caiu a ficha e eles entenderam o que eu estava dizendo! — Francesca Murray

 

Era a primeira vez desde ter chegado ao Afeganistão que estava saindo desacompanhada, algo que me forcei a prometer a mim mesma que não faria. O guarda do apartamento onde estava hospedada me escoltou até o carro carregando um rifle. Falando em farsi, ele começou a conversar com o motorista, rindo bastante, e apontou com a cabeça para mim, sem disfarçar, antes de fechar a porta. Sem os barulhos da rua, comecei a me tornar desconfortavelmente consciente do cara atrás do volante, que cheirava a colônia e tabaco velho. Lembrando-me das histórias de taxistas que sequestram e vendem estrangeiras ao Talibã, fui repentinamente tomada por uma tontura feita de armas, bombas, guerra e alertas contra a complacência. Todos os alertas de viagem me atingiram de uma só vez e quando o carro começou a se mover, entrei logo em pânico. “Pare o carro!”, gritei. O motorista não falava uma palavra de inglês, mas acho que “cagar de medo” é universal. Ele estacionou e me olhou completamente perplexo, uma expressão que mal percebi porque já estava correndo de volta à segurança da minha acomodação. Encabulada, entrei para falar com meu anfitrião, que não ficou surpreso. Então recebi uma ligação do homem que havia me convidado para almoçar e enviado seu motorista para me buscar. Fiquei tão envergonhada e percebi como havia sido idiota. Felizmente, o motorista ainda estava me esperando lá embaixo. Engoli meus preconceitos subconscientes e retornei ao carro para um almoço delicioso com vários homens afegãos que havia conhecido recentemente. — Jessica O’Reilly

 

Sou vegetariana e sofri de verdade em Hong Kong porque muitos restaurantes se diziam vegetarianos, mas quando olhava o cardápio, eles simplesmente haviam colocado a palavra vegetariano na frente de pratos cheios de carne. Acho que eles devem ter uma palavra diferente para isso, ou vegetariano significa algo diferente lá, mas seja lá por que razão, nós temos uma ideia diferente sobre a mesma palavra. Provavelmente, eu deveria ter tentado aprender um pouco de cantonês antes de viajar. Acabei indo a uma Pizza Hut, onde sabia que com certeza encontraria algo sem carne. Normalmente, sempre aprendo o básico no idioma local antes de ir. Mas Hong Kong foi uma decisão de última hora, então não tive a oportunidade. Detesto não saber o idioma local. Sem brincadeira, se eu pudesse ter um superpoder, seria conseguir falar e entender qualquer língua. — Tara Povey

 

Ah! Lembro que havia acabado de pousar em Cochim, Kerala, e estava me sentindo enjoada. Pedi ao taxista para parar, pois precisava vomitar, mas ele não falava meu idioma e eu não sabia o que ele estava [falando]! Acho que é importante aprender algumas palavras na língua do seu país de destino. — Renuka Walter

 

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