Quem é Sofi Tukker, que promete fazer você dançar com poesia brasileira e batidas eletrônicas

O nome dela é Sophie Hawley-Weld, e o dele Tucker Halpern. Juntos eles são Sofi Tukker. Parece apresentação de super-heróis dos quadrinhos da Marvel, mas trata-se mesmo do duo que transforma poesia brasileira em batida eletrônica.
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ESCRITO POR Camila Rinaldi
Quem é Sofi Tukker, que promete fazer você dançar com poesia brasileira e batidas eletrônicas

O nome dela é Sophie Hawley-Weld, e o dele Tucker Halpern. Juntos eles são Sofi Tukker. Parece apresentação de super-heróis dos quadrinhos da Marvel, mas trata-se mesmo do duo que transforma poesia brasileira em batida eletrônica.

Quem é Sofi Tukker?

“com deus mi deito com deus mi levanto
comigo eu calo comigo eu canto
eu bato um papo eu bato um ponto
eu tomo um drink eu fico tonto”

Essa é a letra da música “Drinkee”, que é basicamente a versão musicada do poema “Relógio”, do poeta brasileiro Chacal. Sophie, que é alemã, morou por seis meses no Rio de Janeiro, onde se apaixonou pelo nosso idioma e pela música brasileira.

Neste meio tempo, o norte-americano Tucker recebia a notícia de que teria que deixar as quadras de basquete por causa de uma doença que ataca o sistema imunológico. Isso mesmo, ele era jogador de basquete da liga universitária! Desta situação ruim, no entanto, nascia um novo foco de trabalho: a música.

Quando eles se encontraram em 2014, durante uma apresentação na universidade, nos Estados Unidos, juntaram a batida eletrônica criada por instrumentos inusitados com a criatividade da poesia brasileira. E assim nascia o primeiro hit do duo, “Drinkee”:

“Drinkee” está no primeiro EP da banda, Soft Animals, que tem também outra música em português, “Matadora:

“Ai de mim, aipim
Ô inhame, a batata é uma puta barata
Deixa ela pro nabo nababo que baba de bobo
Transa uma com a cebola
Aquele hálito? que hábito! me faz chorar”

Mesmo para um falante da língua portuguesa essa música é realmente difícil de cantar, imagine para então para a cantora de Sofi Tukker. Matadora foi montada em cima do poema “Ai de mim, aipim”, também do Chacal.

Neste momento, você já deve estar se perguntando sobre a relação da banda com o Chacal, certo? Bom, Sophie encontrou o poeta brasileiro nos Estados Unidos, ocasião em que rolou o “casamento musical”.

Além da letra da música, outra referência à cultura latino-americana se dá na utilização do charango, um instrumento de cordas comum na América do Sul, que dá um certo toque de misticismo cigano às batidas eletrônicas.

Eu fui a um concerto do Sofi Tukker, em Berlim, em fevereiro de 2018, e quando eles perguntaram para a plateia qual era a música que deviam repetir, o público, para minha total surpresa, pediu “Matadora”!

Se você acha que o Chacal é o único brasuca a ser revisitado pela banda, não é, não. Em 2017, Sofi Tukker lançou o single “Johny”, no qual usa um poema de Paulo Leminski.

Mas ok, tanto Sophie quanto Tucker têm uma adoração pelos poemas do Chacal. Tanto que na música “Energia”, o poeta retorna com seu poema “Jeep Lunar”. Se isso já não fosse uma ode à cultura tupiniquim, a banda convidou a artista Pablo Vittar para fazer um remake da música, chamando de “Energia (Parte 2)”:

Quando Sofi Tukker entrou na minha vida, no final de 2015, foi como se eu pudesse experimentar uma pequena amostra daquilo que Carmen Miranda representou para os brasileiros entre as décadas de 30 e 50: as folhas de bananeira, cheias de ritmo e poesia.

“Chegou a hora do carro zunir
chegou a hora do jeep lunar
agora que quero me divertir
agora eu quero me esbaldar”

Bom, agora que você já sabe quem é Sofi Tukker, “Matadora” está na nossa playlist, que tal ouvir lá?

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