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10 palavras e expressões brasileiras que traduzem um pouco da malemolência do Brasil

Ainda não ouvi mundo afora expressão melhor do que “eita”. Escolher palavras e frases que nos representem é uma tarefa dura, mas essas são as que mais me despertam nostalgia.
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ESCRITO POR Gabriel B.
10 palavras e expressões brasileiras que traduzem um pouco da malemolência do Brasil
Ilustração Paola Saliby

Futebol

Somos orgulhosamente pentacampeões mundiais de futebol masculino, nossos jogadores ganharam oito vezes o prêmio de melhores do mundo e Marta levou essa taça cinco vezes entre as mulheres. Só na janela de transferências europeias deste verão, clubes do continente gastaram 400 milhões de euros com futebolistas tupiniquins. Ou seja, temos muito pedigree.

O futebol faz parte do nosso cotidiano desde sempre. Quando criança, eu não desperdiçava uma oportunidade de “jogar bola” na rua ou na escola. Nem perdia um jogo do Palmeiras na televisão.  

A popularidade de alguns jogadores é tão grande que eles lucram milhões com publicidade e produtos, ou até entram para a política, como o hoje senador Romário, ídolo da seleção campeã do mundo em 1994. 

Quando falo que sou brasileiro em conversas no exterior, é quase certo que o assunto vai rumar para o futebol. Mas o estereótipo de que todo brasileiro ama esse jogo é cansativo para muita gente. Logo, caro gringo, talvez seja melhor evitar esse assunto logo de cara. 

Chope e caipirinha

cachaça

Essas são duas das mais populares bebidas alcoólicas no Brasil. Você vai encontrá-las na maioria dos bares, restaurantes e festas.

O chope não é exatamente cerveja. Embora ambos contenham os mesmos ingredientes, a cerveja passa por uma etapa de pasteurização (um processo que usa temperatura elevada  para matar micro-organismos na bebida e aumentar seu prazo de validade). O chope não costuma passar por esse processo, logo, deve ser consumido em um período mais curto.

O chope é servido em barris de pressão, o que ajuda a criar o famoso colarinho – aquela espuma cremosa no topo do copo. A bebida tem sabor um pouco mais leve que a cerveja, além de ser mais refrescante.

Já a caipirinha é bem mais associada ao Brasil. Feita com cachaça, limão, açúcar e gelo, é a bebida mais refrescante para um dia quente na praia (ao menos para mim). 

A galera gringa também “pira” neste coquetel. Sempre que viajo ao Brasil, trago uma garrafa para preparar uma verdadeira caipirinha para amigos estrangeiros. 

Como cachaça é item de luxo no exterior (o preço de uma garrafa de qualidade média pode ser dez vezes maior que no Brasil), os gringos criaram drinks inspirados na caipirinha que utilizam outros tipos de destilados. Não há, contudo, caipiroska (vodka no lugar da cachaça) que se compare à formula original.

Eita

Em toda a sua simplicidade, essa é uma das palavras mais sensacionais do português brasileiro. É uma interjeição que serve para quase tudo. Dependendo da entonação, pode ser um marcador de supresa (Eita, aquele carro quase atropelou a mulher!), felicidade (Eita! ganhei na loteria!), espanto/surpresa (um eita “puro” é o bastante aqui) e admiração (Eita casa bonita!).

Você pode até ficar sem palavras quando algo inesperado acontecer, mas nunca vai ficar sem um eita.

O eita é das coisas mais brasileiras possíveis. Um Eeeeeeeita então, nem se fala. Ainda não ouvi um termo equivalente em outra língua que fizesse justiça ao eita e suas combinações (eita porra, eita “nóis”, etc).

Imagina se pega no olho 

É, possivelmente, a frase mais mãezona que uma criança vai ouvir de um adulto se estiver aprontando algo “perigoso” no Brasil. Todo mundo (ou quase) já escutou alguém gritando “imagina se pega no olho, menino/a” quando você ou seus amigos estavam atirando algo uns nos outros (bexigas de água, jogando futebol ou taco na rua, ou atirando pedra mesmo, porque qual criança nunca perdeu a linha?). E, olha, de vez em quando pegava no olho sim. Logo, havia motivo para tanta preocupação e para a existência dessa expressão brasileira.

Carnaval

Não quero alimentar o estereótipo de que brasileiros são festeiros, mas esse é daqueles clichês dos quais não conseguimos fugir. Reza a lenda que o ano só começa de verdade no Brasil após o Carnaval, que geralmente ocorre em fevereiro ou março. Até lá, funcionamos meio que na expectativa de podermos largar tudo por uns dias para ir celebrar nas ruas. 

O Carnaval é um mega evento com diversas vertentes de norte a sul do país. São Paulo e Rio de Janeiro têm desfiles de escolas de samba, que competem entre si pelo título de melhor espetáculo (o que inclui alegorias, qualidade da letra do samba, bateria, fantasias, entre outros quesitos). É um show profissional de entretenimento preparado durante todo o ano anterior por artistas e comunidades destas duas cidades.

Paralelamente, as ruas de São Paulo e Rio também são inundadas por blocos populares que saem por essas cidades cantando, dançando e arrebatando multidões fantasiadas pelo caminho. Em 2018, o Rio teve 473 blocos registrados. O Cordão da Bola Preta, maior bloco carioca, arrastou mais de 1,5 milhão de pessoas pelo centro da cidade em 2018! São Paulo não fica atrás: durante os dias da festa, 9 milhões de foliões tomaram as ruas da capital paulista.

Mas Carnaval não é só Rio-São Paulo. No Nordeste, Salvador, Olinda e Recife atraem milhões de foliões para blocos de rua repletos de elementos regionais, como os bonecos gigantes que populam Olinda, e criam um espetáculo incrível. Salvador costuma ter trios elétricos com artistas de todo o país, em especial ícones do axé. Em Recife, o destaque fica para os blocos de frevo – dança e música típica de Pernambuco.

O Carnaval em si dura cerca de quatro dias, mas diversos eventos de preparação começam semanas antes. E ainda há algumas festas depois da data! Haja energia!

Pode tirar o cavalinho da chuva 

cavalo na chuva

Quem nunca escutou isso dos pais/avós/responsáveis legais quando estava decidido a ir para a balada com os amigos pirralhos, mas nem tinha idade para isso? Ou quando queria algo tão absurdamente caro que seus pais até davam risada? Pois é, essa é uma das expressões brasileiras que vem quase sempre acompanhada de sarcasmo e daquele sentimento de sonhos juvenis sendo esmagados por adultos. Quer dizer que você pode desistir de alguma coisa porque não vai rolar.

Pão de queijo 

Assim como o mate é parte essencial da vida de gaúchos e catarinenses (além dos nossos vizinhos argentinos e uruguaios), mineiros não vivem sem pão de queijo. Logo, quando mudo de cidade no exterior, uma das minhas prioridades é encontrar polvilho para preparar essa deliciosa receita. 

Na maioria das vezes, é possível comprar esse ingrediente chave em alguma loja brasileira ou asiática. Quando morava na Grécia, fiquei mais de um ano sem pão de queijo. Até que um dia descobri uma mini-Chinatown em Salônica onde vendiam polvilho. Foi, certamente, o dia mais feliz do ano.

Se você der azar de morar em um país sem comunidades asiáticas ou brasileiras, só resta recorrer à internet e torcer para o polvilho chegar via entrega internacional.

Uma fornada de pão de queijo quente com requeijão sempre ajuda a matar a saudade do Brasil. Algumas vezes, elas viram até evento de brasileiros no exterior. Quando algum amigo tem polvilho, é hora de marcar um dia para fazer e comer pães de queijo. 

Amazônia

Poucas coisas são mais impressionantes do que navegar pela imensidão do Rio Amazonas, o maior do mundo em volume de água, e pelo Rio Negro, seu principal afluente. Ambos ficam na Amazônia brasileira, região que integra a maior floresta tropical do mundo – com 6,5 milhões de quilômetros quadrados espalhados por Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa.

Ao longo destes rios estão paisagens magníficas, uma infinidade de árvores, animais e imensa biodiversidade. Há também sempre a esperança de encontrar algum botos pelo caminho ou, para os pescadores e curiosos, se deparar com um cardume das tão temidas piranhas. 

Nas minhas passagens por Macapá e Manaus, infelizmente, não vi botos nem piranhas. Mas sabe aqueles caminhos de água em formas espirais cercados pela floresta que vemos em imagens áreas na Amazônia? Passei por dentro deles de barco! 

Impossível não ficar hipnotizado pela magnitude da floresta amazônica, dos macacos pulando de um lado para o outro nestes espirais e do profundo (e desesperador) silêncio que é estar ali. Foi uma das melhores e mais bonitas experiências que tive.

Resumindo, visite a Amazônia! 

Farofa e feijoada

Toda quarta-feira e sábado é dia de feijoada nos restaurantes populares. O prato mais tradicional do Brasil pode ter algumas receitas diferentes, mas, em geral, inclui o obrigatório feijão preto, carne seca, orelha/rabo/pé/costelinha/lombo de porco e paio. Ou seja, é uma comida bem pesada e gordurosa. Nada disso, contudo, impede o seu sucesso. 

Melhor deixar esse prato de lado em um dia muito quente para evitar indigestão. 

A feijoada costuma ser servida com arroz branco, couve refogada, laranja e farofa. Muita gente prepara uma caipirinha para acompanhar.

Devo admitir que não sou fã de feijoada, mas não dispenso uma farofa preparada com farinhas de mandioca e de milho em flocos!

Brasil não é só Rio-São Paulo

O Rio não tem o apelido de Cidade Maravilhosa por acaso, sua beleza natural e relevância cultural são indiscutíveis. Assim como São Paulo é o centro econômico/financeiro e gastrônomico do País. Mas há muito mais no Brasil do que essas duas metrópoles. 

Salvador, a primeira capital brasileira, é exuberante com sua arquitetura colonial portuguesa, cultura afro-brasileira, marcos históricos como Pelourinho, igrejas barrocas, Mercado Modelo, Baía de Todos os Santos, praias sensacionais, como Itapuã (tema de música de Vinícius de Moraes), e culinária regional. 

Belo Horizonte também é uma cidade incrível, famosa por seus bares, petiscos e ladeiras. Há muitos outros locais sensacionais para descrever aqui, mas experimente Recife, Bonito, Lençóis Maranhenses, Fernando de Noronha, Maceió, Natal, Fortaleza, entre outras cidades.

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