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4 receitas da culinária inglesa que vão fazer você aprender mais inglês

Conheça um pouco da história e os ingredientes de pratos tradicionais britânicos como fish and chips e chicken tikka masala. Quem sabe você não vira um chef!
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ESCRITO POR Gabriel B.
4 receitas da culinária inglesa que vão fazer você aprender mais inglês
Ilustrado por Maria Nogueira

Os meus maiores fracassos certamente aconteceram em uma cozinha enquanto eu achava que poderia emular chefs famosos como Gordon Ramsay ou Gennaro Contaldo, tentando reproduzir pratos da culinária inglesa. Esses momentos, contudo, também renderam algumas das melhores histórias que tenho para contar.

Mas nem tudo é tristeza. Obtive muitos sucessos culinários. Para cada ravioli meia boca ou para aquela moqueca vegetariana que todos os meus flatmates odiaram – mas disseram que estava ótima –, houve algum tortellini ou gnocchi quase perfeitos.

Cozinhar é um dos meus programas favoritos. E, além de muito divertido, pode ser uma ótima forma de mergulhar na cultura de um país. 

Você já deve ter ouvido que a culinária inglesa não é das mais estimulantes, não? Na realidade, não é bem assim. 

Os britânicos até têm alguns pratos bem interessantes, como jellied eels – uma porção de enguia mergulhada em uma gosma gelatinosa do próprio peixe –, mas há também uma grande variedade de refeições tradicionais deliciosas.

Ainda está duvidando? Confira essa lista sobre alguns pratos populares da culinária inglesa, que de quebra vai ajudar você a melhorar suas habilidades na cozinha e aprender como certos ingredientes são chamados em inglês.

Fish and chips (peixe e batata frita)

Esse típico fast-food é uma instituição nacional. Com mais de 150 anos de história, pode apostar que ele está no cardápio de quase todos os pubs do país, não raro servido junto com uma porção de ervilhas (inteiras ou em purê). 

Seu público-alvo vai desde pessoas idosas numa tarde de domingo a quem curte uma balada até altas horas na madrugada.

Para as pessoas vegetarianas, como eu, há até uma deliciosa versão com fatias de queijo halloumi frito no lugar do peixe. Os puritanos vão dizer que não se trata do mesmo prato, mas o que vale é a intenção, certo?

O fish and chips também tem grande valor moral: o prato ajudou a sustentar a população britânica durante grandes conflitos e na Revolução Industrial do Reino Unido. Segundo a BBC, na Segunda Guerra Mundial o governo se esforçou para garantir que o peixe e a batata fossem um dos poucos alimentos nunca racionados, mantendo assim o povo mais animado.

Apesar de a dupla hoje ser inseparável, o peixe e a batata começaram cada um no seu canto. Ainda de acordo com a BBC, as batatas fritas surgiram na Bélgica ou França, no século 17, para substituir o peixe quando os rios congelavam, impossibilitando a pesca. 

No mesmo período, o peixe frito (fried fish) foi introduzido no Reino Unido por refugiados judeus de Espanha e Portugal. Não se sabe quem resolveu unir os dois, mas isso ocorreu na Inglaterra. Seja no norte ou sul do país (as regiões disputam a invenção), o fato é que o prato caiu no gosto da classe trabalhadora e se espalhou por todo canto.

Até os anos 1980, era possível comprar o fish and chips em toda a sua gordurosa glória enrolado em um pedaço de jornal. Mas o contato de alimentos com a tinta no papel foi considerado arriscado e acabou banido. Em alguns locais, a receita ainda é servida em embalagens que imitam o jornal de outros tempos.

O prato é bem simples. As estrelas principais são um file de peixe generoso, que pode ser de bacalhau (cod) ou hadoque (haddock), e fatias largas de batatas fritas (potato wedges). Sal e pimenta à gosto (salt and pepper to taste). 

Um truque crucial é cobrir o peixe em uma espessa massa (batter) antes da fritura (frying), para criar aquela casquinha dourada (golden crust) tradicional.

A lista completa de ingredientes inclui filés de bacalhau ou hadoque (cod fillet/haddock fillet), farinha com fermento (self-raising flour), sal e pimenta preta em pó (salt and ground black pepper), cerveja lager gelada (fridge-cold lager).

Confira a receita completa aqui.

Chicken tikka masala (frango tikka masala)

Considerado por muitos o prato nacional do Reino Unido, a origem do chicken tikka masala é disputada. Para alguns, a receita foi criada nos anos 1970 por um chef bangladense em Glasgow, na Escócia, que adicionou molho de tomate a uma receita de chicken tikka para atender ao gosto de um cliente britânico por um molho mais suculento. Alguns especialistas em cozinha indiana, por outro lado, argumentam que a iguaria é uma derivação do frango com manteiga, uma receita popular do norte da Índia.

A disputa sobre a origem do chicken tikka masala não o impediu de alcançar relevante status cultural no país. Em 2001, Robin Cook, então secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, chegou a dizer que a receita era um símbolo moderno do multiculturalismo britânico.

No fim dos anos 2000, parlamentares britânicos até tentaram garantir o status de “Denominação de Origem Protegida” para o chicken tikka masala junto à União Europeia. Isso colocaria o prato em pé de igualdade com o queijo parmesão de Parma ou o Champagne francês. Mas o movimento acabou não tendo resultado, entre diversos motivos, pela origem claramente disputada da iguaria. Não é possível dizer que a receita é britânica com tantos elementos asiáticos nela.

O chicken tikka masala tem entre seus ingredientes óleo vegetal (vegetable oil), manteiga (butter), cebola (onion), pimentão vermelho (red pepper), peito de frango sem osso e sem pele cortado em cubos (boneless, skinless chicken breasts, cut into cubes), tomates enlatados picados (cans chopped tomatoes), purê de tomate (tomato purée), chutney  de manga (mango chutney, receita aqui), creme de leite (double cream), iogurte natural (natural yogurt), coentro (coriander), pasta de curry (curry paste, receita aqui). 

Confira a receita completa aqui. 

Full English breakfast (café da manhã inglês completo)

Essa bomba calórica de frituras é um dos pratos mais famosos da culinária inglesa, com variações regionais na Escócia e País de Gales. Uma porção pode chegar a 1,190 calorias e 95 gramas de gordura!! Ou seja, cuidado com o coração!

Ainda assim, a iguaria é um sucesso entre nativos e turistas. Mas há quem torça o nariz para ingredientes tão pesados logo pela manhã: bacon, ovos (eggs), linguiça (sausage), morcela (black pudding – uma espécie de linguiça de sangue), feijão cozido (baked beans), tomate grelhado (grilled tomato), pão frito (fried bread), torrada (toast), geleias (jams) ou marmeladas (marmalades), chá (tea), café (coffee) ou suco de laranja (orange juice). Ufa!

Segundo a English Breakfast Society (Sociedade do Café da Manhã Inglês, em tradução livre) – sim, essa organização existe! –, o prato tem origem provavelmente nos anos 1300. Antes de ser adotada na época vitoriana, esse tipo de refeição era comum apenas entre uma rica elite conhecida como gentry. 

Essa elite era composta por indivíduos de sangue distinto”, proprietários de terras e famílias refinadas de longa descendência, entre outros. Eles viam-se como guardiões do estilo de vida tradicional do interior inglês e como herdeiros culturais dos anglo-saxões. 

Desta forma, realizavam famosos banquetes de café da manhã. Esses eventos eram uma oportunidade de esbanjar riqueza com ingredientes de qualidade como carnes, em uma época que proteína animal não fazia parte da dieta de qualquer um. 

Na era da Rainha Vitória, gentry havia entrado em declínio como classe social, enquanto emergiam novos ricos impulsionados pela Revolução Industrial britânica. Esses recém endinheirados se inspiravam nos gentry e em suas tradições, como o café da manhã completo – que ainda era algo refinado e para poucos. 

O prato só se tornou mais popular na época do Rei Edward, na era da pré-Primeira Guerra Mundial. Foi quando a iguaria começou a figurar no cardápio de hotéis, alojamentos com café da manhã (bed and breakfasts), trens e reuniões. 

A padronização dos ingredientes também ajudou a popularizá-lo. E a classe média passou a consumir essa refeição de forma regular, como algo para se fazer com a família. 

Por volta dos anos 1950, o full English breakfast havia se transformado em uma marca da classe trabalhadora, servido em restaurantes/cafés populares. Quase metade da população do Reino Unido começava o seu dia com esse prato.

Atualmente, a paixão perdeu força e, para a alegria dos médicos, menos britânicos consomem essa refeição com frequência. Ainda assim, conforme mostrou uma pesquisa YouGov, 83% da população da Inglaterra afirma gostar do café da manhã completo. 

A mesma pesquisa mostra que a população da Inglaterra tem seus ingredientes favoritos na receita: 89% acham que o bacon é o rei do café da manhã completo, seguido por linguiça (82%), torrada (73%), feijão (71%) e ovo frito (65%).

Confira a receita completa aqui. 

Yorkshire pudding (Pudim de Yorkshire)

Não se confunda. Esse pudim não é aquele doce servido como sobremesa. É uma massa de ovos (eggs), farinha de trigo (flour) e leite (milk), óleo (oil)/gordura de carne (beef dripping), servida com carnes ou creme e golden syrup.

Criada no norte da Inglaterra no século 18 (a primeira receita registrada é de 1747), essa massa é tradicionalmente assada no forno em uma forma retangular rasa e untada com uma larga quantidade de gordura de carne. 

O Yorkshire pudding era um appetizer (aperitivo) barato e servido antes da refeição principal. Como carne era um luxo e costumava ser assada em um espeto sob o fogo, o pudim era colocado embaixo dela para absorver todos os líquidos e gordura que pingassem.

O prato ficava com uma casca crocante e dourada, mas preservava um interior cremoso. Em geral, o pudim era cortado em pedaços retangulares e servido quente com molho. 

Hoje, é um side dish (acompanhamento) no típico almoço de domingo (Sunday roast).

No livro Traditional Food in Yorkshire, Peter Brears sugere que a receita teria surgido em uma comunidade com abundância de carvão e carne. O autor indica que o Yorkshire pudding pode ser uma criação das esposas de trabalhadores de minas de carvão de West Riding. Os mineiros ganhavam carvão como parte do trabalho e sempre tinham carne assada. 

Essa fartura, contudo, tem um lado triste: os mineiros gastavam sua renda em refeições caras para os padrões da classe trabalhadora da época porque sua profissão era muito arriscada. As condições de trabalho eram ruins, o que encurtava em muito a expectativa de vida desses homens.

Caso chegassem aos 40 anos, teriam graves problemas de saúde como reumatismo e artrite, além de doenças respiratórias. Então, eles buscavam algum conforto na comida. 

Confira a receita completa aqui.

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