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Como evoluem as línguas à medida que as mulheres chegam ao poder

Nós investigamos como os idiomas evoluíram à medida que as mulheres foram chegando ao poder. Veja abaixo o resultado.

Escrito por Julie Krauniski

O Dia Internacional da Mulher é uma boa ocasião para observar as conquistas até aqui e também perceber onde ainda é preciso evoluir nesta questão, inclusive na linguagem. Idiomas expressam especificidades culturais e também revelam os primeiros sinais de mudanças na sociedade. Assim, comparando-os, nota-se não só diferentes estruturas gramaticais, mas também diferentes mentalidades.

Nesse sentido, alguns de nossos linguistas de diferentes nacionalidades analisaram 8 idiomas - italiano, francês, espanhol, alemão, inglês, sueco, polonês e português - para descobrir como evoluem as línguas ao passo que as mulheres tomam, cada vez mais, o mercado de trabalho e conquistam posições antes ocupadas apenas por homens.

Italiano: “il Ministro” (o Ministro) e l’Assessor (o Assessor) estão grávidas.

A língua italiana tem dois gêneros gramaticais: masculino e feminino. Mas no âmbito profissional não é sempre assim: muitos títulos ainda apresentam apenas a forma masculina. Conforme as mulheres ganham cada vez mais espaço no mercado de trabalho - inclusive em posições que eram alcançadas apenas por homens - a língua começa a mudar. Contudo, ainda há chão para as declinações femininas se estabelecerem na terminologia oficial. Este é o caso, por exemplo, de “ministro” (Ministro), “architetto” (arquiteto), “avvocato” (advogado) e “assessore” (assessor).

A evolução linguística pode demorar quando a imprensa não adere às mudanças e continua reportando “Sindaco” (prefeito) em vez de “Sindaca”, por exemplo: “Il sindaco di Cosenza: aspetto un figlio! Il segretario Ds: Il padre sono io” (O prefeito de Cosenza: eu vou ter um filho! O secretário do partido italiano Ds: eu sou o pai). Tanto “prefeito” quanto “secretário” são substantivos masculinos. Portanto, a manchete parece falar de um casal gay na política italiana que adotará um filho. Frases como essas evidênciam tal discrepância. Felizmente, a língua se adapta e o órgão oficial da língua italiana, a l’accademia della Crusca, já recomenda as atualizações dos termos de acordo com os gêneros. Contudo, os novos títulos ainda não são oficiais.

Francês: “madame le ministre” (Madame O Ministro).

Na França, tais mudanças enfrentam muita resistência. Ao contrário da l’accademia della Crusca (Academia Italiana), a l’Académie française (Academia Francesa) oficialmente se opõe a tais mudanças. O órgão é responsável pela preservação da língua francesa. Os títulos de prestígio permanecem ligados ao sexo masculino. Ex.: “le ministre” (o Ministro). No entanto, híbridos curiosos têm sido criados para as mulheres, como “madame le ministre” (Madame O Ministro). Em Québec, o termo foi estabelecido por lei em 1979.

Espanhol e Alemão: um par estranho.

Apesar das diferenças óbvias, há uma coisa em comum entre essas duas línguas: ambas apresentam os gêneros masculino e feminino em praticamente todas as profissões. O espanhol substitui a terminação masculina “o” por “a”: “ministro/ministra” (igual ao português). Ou adiciona a terminação feminina: “juez/jueza” (juíz/juíza). O debate de gêneros na Espanha também tem se estendido aos substantivos coletivos. Como são geralmente masculinos, o país tem considerado as duas formas. Por exemplo: “miembros y miembras del parlamento” (membros e membras do parlamento).

Na língua alemã, as profissões geralmente apresentam a mesma regra. Nesse caso, adiciona-se a terminação “in” para títulos femininos. A mulher mais importante na política alemã, Angela Merkel, é, portanto, "Bundeskanzlerin" (chanceler) e não “Bundeskanzler”. Contudo, habilitações acadêmicas continuam no masculino. O correto para Doutora, por exemplo, é “Frau Doktor” (Senhora Doutor) e não "Doktorin".

Algumas definições, no entanto, estão indo em direção à neutralidade: em vez de “Kellner” (garçom) e “Kellnerin” (garçonete), tem-se usado cada vez mais a palavra neutra “die Bedienung” (serviço).

Inglês e Sueco: do neutro para o terceiro sexo.

The” equivale a todos os artigos definidos em português: a, as, o, os. Portanto, “the” é neutro. Profissões seguem o mesmo padrão e são geralmente aplicáveis a ambos os sexos. “The minister”, por exemplo, se aplica a homens e mulheres.

Na língua sueca, há o pronome masculino “han” e feminino “hon”. A eles, foi adicionado o pronome “hen”. A nova terminologia foi criada para as pessoas que não querem revelar seu gênero ou o gênero referido – seja porque é desconhecido, ou porque a pessoa é transgênero ou o locutor considera o sexo uma informação superficial para compreensão do texto. O termo passou a integrar recentemente o novo dicionário oficial, que é atualizado a cada dez anos, conforme frequência de uso e relevância de determinados termos na sociedade.

A vontade de “neutralizar” os dois gêneros é refletida nos nomes de profissões, que geralmente têm uma forma neutra, seguindo o exemplo do inglês. Para profissões antigas, fortemente marcadas por um sexo ou por outro, estão sendo criados neologismos que lembram a solução alemã “die Bedienung” (serviço). Contudo, ainda há profissões como “sjuksköterska” (enfermeira). Apesar de feminina, hoje também é usada para homens.

Polonês: ministra x ministerka.

Profissões femininas são formadas normalmente adicionando a terminação “ka” na forma masculina: “nauczyciel - nauczycielka” (maestro - maestrina). O problema é: o mesmo sufixo é usado para a forma diminutiva: “kawa - kawka” (café - cafézinho). Joanna Mucha, ministra do Esporte e do Turismo polonês (2011-2012), decidiu não usar o termo convencionalmente aceito “pani minister” (Senhora Ministro), mas a versão feminina de origem latina “ministra”. Ela poderia ter optado pelo o neologismo “ministerka”, mas recusou a ideia de “se diminuir”.

Português: presidente x presidenta.

A maioria das profissões em Português apresenta distinção entre masculino e feminino. No entanto, algumas profissões são usadas para se referir aos dois gêneros. São elas, por exemplo, palavras terminadas com o sufixo “ente”, “ante”, “inte” e “ista”. Há algumas outras profissões que, por serem historicamente consideradas profissões masculinas, não apresentam um sufixo feminino. Ex.: “capataz”. No entanto, algumas outras profissões, como presidente, aceita a versão "presidenta". No caso da ex-presidenta Dilma Rousseff, essa opção não era só uma escolha linguística, mas uma posição política feminista, já que o uso de “a presidente” também é considerado correto.

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