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De onde vem o cafuné? Uma investigação sobre a origem dessa palavra tão gostosa

Qual a origem da palavra cafuné? Investigamos de onde vem essa palavra tão gostosa!
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ESCRITO POR Cecília E.
De onde vem o cafuné? Uma investigação sobre a origem dessa palavra tão gostosa
Ilustração por Paula P. Rezende

Todo mundo que já ganhou um cafuné sabe o quão bom que é! Mas o que ninguém sabe é qual a origem dessa palavra: um gesto tão gostoso!

A palavra cafuné parece ter surgido tão de mansinho que ninguém percebeu! Sua origem se diverge principalmente em duas possibilidades: veio com os navios negreiros direto de Angola ou já vivia por terras tupiniquins, brincando por entre os dedos e cangas nativas. Muitos acreditam que a origem da palavra tenha se perdido e permanecerá um mistério. Nesse cenário, a origem da palavra fica flutuando, brincando num específico ato de carinho, tão difundido pelos corpos brasileiros… Mas não se sinta assim tão perdida! A gente pode encontrar ainda algumas pistas e traços! Vamos dar uma olhada?

Roger Bastide, um grande antropólogo francês que viveu e produziu por um tempo no Brasil, era da opinião de que a origem da palavra cafuné era africana. Enquanto isso, outro grande antropólogo francês que também passou um tempo no Brasil, Lévi-Strauss, atribuía muitos dos elementos que definem a palavra ao ato simples de carinho presente entre os indígenas brasileiros, os Bororós, que têm o costume de acariciar a cabeça um dos outros como prática social para catar piolhos. Para ele, a origem da palavra estava no território onde ela era colocada em prática: o Brasil.

Apesar de as discussões sobre a origem da palavra serem amplas, todos concordam com seu significado básico: tomar a cabeça de alguém com delicadeza e acariciá-la. Mas, para alguns ainda, o sentido original da palavra cafuné não era assim tão doce: tomar a cabeça de alguém e torcê-la! Dá para acreditar?

Seja qualquer for a origem que você escolher para essa palavra, o fato é que é impossível dar uma volta (seja qual for seu trajeto!) pelo grande território brasileiro e não ver o cafuné fluindo por todos os lados e por diferentes realidades! O cafuné é uma mistura de teoria com prática, de instinto com construções sociais e culturais.

Para simplificar tudo, podemos definir a palavra cafuné assim:

“Simples ato de acariciar, adormecer, contemplar ou relaxar alguém. Ato com raízes na intimidade e no carinho. Uma carícia marota. Estalidos na cabeça de alguém. Imitação a caça a piolhos.”

Uma curiosidade sobre essa palavra é que ela faz parte dessas palavrinhas em português que não têm uma tradução direta para outros idiomas! Para traduzir essa palavrinha aqui, é preciso dar todo um contexto, contar toda uma história ou simplesmente apoiar a cabeça no colo de alguém e deixar que essa pessoa cate seus piolhos, preferencialmente numa tarde mansinha…

Em outras palavras, cafuné é algo íntimo e leve. Acontece apenas onde há carinho, não tem lugar fixo. Está nas casas, varandas, praias, bancos de praças, escadas e ruas. Brinca no ato leve de coçar a cabeça de alguém e fazer essa pessoa relaxar, adormecendo docemente… Acariciar o outro por simples afeto.

E, para além de toda essa discussão filosófica e brincadeiras poéticas, o fato é esse: a maioria das pessoas que já pesquisou a origem da palavra cafuné realmente acredita que ela venha do quimbundo, uma língua angolana. Mas até aí essa palavra brinca com a gente! Mesmo para os pesquisadores que acreditam que a origem venha do quimbundo, não é claro qual seria a sua palavra-mãe, ou seja, a raiz propriamente dita! A dúvida brinca por entre essas palavras aqui: kafu’nukifunateKajundu.

E aí, se você concordasse que a palavra cafuné vem mesmo do quimbundo e tivesse que escolher uma raiz só para todo esse cafuné do mundo, qual dessas três palavrinhas você escolheria?

Sem mais.

Um cafuné e muito axé para vocês!

(Axé? Mas qual a origem da palavra axé? Hum… Só conto na próxima!)

Se você quiser saber a origem de outra palavra, é só mandar a sua sugestão!

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Cecília E.
Cecília Erismann é uma poeta e artista com muitas curiosidades. Autora dos livros Poesia em Flor Menor e A dialogue between poetry and philosophy: An encounter of the writer with his reader, Cecília já teve seus textos publicados em diversas revistas, colaborações e ontologias. Atualmente ela mora em Berlin, onde consegue dar sempre um jeitinho de praticar os 5 idiomas que fala e arriscar de vez em quando uma ou outra palavrinha num outro idioma que ela ainda não conheça muito, tipo italiano.
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