Encontros Remotos ep.1: O que eles não ensinam nas aulas de espanhol

Pia e Jimmy estão no começo de sua jornada e já fizeram um amigo! Veja o primeiro espisódio de Encontros Remotos.
Escrito Por Pia Leong
18/01/2017

O nosso plano de fazer um tour pela América do Sul de bicicleta se tornou realidade! Nosso avião aterrissou uma semana atrás na Argentina, e nós estamos na estrada desde então. Apenas mais 4700km nos restam! Talvez isso possa parecer sem noção, mas uma vez que tivemos a vontade de colocar de lado as nossas “vidas normais” e embarcar nessa aventura, não conseguimos mais tirar isso da cabeça. Demorou 1 ano para economizarmos e nos prepararmos para a jornada – tempo suficiente para planejar a viagem e começar a aprender espanhol.

Não existiam dúvidas sobre isso: eu estava realmente me jogando de corpo e alma. Eu sabia apenas contar até 3 em espanhol e nunca tinha feito uma viagem de bicicleta mais do que um fim de semana. Por outro lado, o meu namorado Jimmy já tinha passado um ano de sua vida fazendo um tour de bike e aprendeu um pouco de espanhol aprendido na escola e no tempo que ele passou na Espanha. Como eu não queria que ele trocasse os meus pneus furados ou ficasse falando por mim, eu comecei a ter aulas semanais de espanhol.

Reconhecer o progresso que eu estava fazendo foi uma grande motivação. Era divertido aprender algo novo todo dia. Não demorou muito para chegar ao ponto em que eu pude compreender textos simples e escrever frases, porém, quando eu precisava mesmo, eu não conseguia unir duas palavras! Eu tinha muito medo de falar alto e cometer erros! E eu percebi isso bem na hora de nossa viagem começar. Ah, que ótimo…


Quando chegamos à Argentina, eu não conseguia entender nada. Talvez por causa das semanas de preparação caótica, os dois dias de viagem, jet lag ou a realidade chocante de ter que montar uma barraca todo dia num lugar diferente. Eu não sei porque, mas a primeira semana parece ter ficado meio embaçada na memória. Claro que eu conseguia ler placas e manchetes de jornal, mas entender os argentinos era um mundo à parte do espanhol que eu aprendi com o meu professor.

Graças a alguns dias afinando os meus ouvidos, eu comecei a reconhecer palavras que eu aprendi entre murmúrios indiscerníveis. Eu comecei a seguir o Jimmy nas suas conversas com as pessoas que conhecemos. Foi realmente encorajador perceber que eu estava aprendendo espanhol no fim das contas – eu apenas tinha que aprender a ouvir.

Agora, começar a falar foi uma outra história! Sempre que alguém me perguntava alguma coisa, minha reação imediata era olhar para o Jimmy. Não era que eu não tinha entendido a pergunta, mas eu tinha muito medo e eu balbuciava palavras quando tentava responder.


Eu ainda não superei esse medo, mas Jimmy está me forçando a falar mais. Ele alcançou o seu nível de espanhol não se importando se suas frases saíam perfeitas ou não. Ele apenas vai com o fluxo e se comunica com quaisquer palavras que ele saiba. Eu suponho que não tenha outro jeito a não ser este. Falar e ler/escrever são coisas completamente diferentes, e se eu quiser aprender espanhol eu vou ter que aceitar o fato de que tudo vai sair um pouco bagunçado e misturado por um tempo!


Conhecer o Marcedonio foi ótimo e não poderia ter acontecido numa hora melhor. Nós paramos na sua loja no meio do nosso caminho em uma area pouco povoada dos Andes. O Jimmy e eu ficamos imediatamente encantados com o seu grande sorriso e olhos brilhantes, e nós sabíamos que queríamos conhecê-lo melhor. Na sua presença, o medo inicial de me confundir com as palavras sumiu. Eu relaxei, e terminamos dando muitas risadas juntos à medida que ele nos mostrou como assar seu pão. Olhando para trás, estou surpresa o quão bem nos entendemos (considerando o meu nível de espanhol). Dependi de gestos e de linguagem corporal para completar a frase onde as palavras faltavam – e dispostos a compreender um ao outro – Marcedonio e eu tivemos uma conversa de verdade.

Comunicar-se com a linguagem corporal não é algo que você aprende nas aulas de espanhol. Falar com Marcedonio me fez perceber o quanto que isso pode ajudar você a se fazer entender. É bem divertido e faz as pessoas rirem!

¡Gracias, Marcedonio!

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Pia Leong
Nascida em Queensland, Austrália, Pia é uma cenógrafa que de alguma forma se achou viajando pela América do Sul de bicicleta, vivendo em uma barraca. "Encontros Remotos" documenta sua tentativa corajosa de se comunicar com as pessoas locais com seu espanhol meia boca.
Nascida em Queensland, Austrália, Pia é uma cenógrafa que de alguma forma se achou viajando pela América do Sul de bicicleta, vivendo em uma barraca. "Encontros Remotos" documenta sua tentativa corajosa de se comunicar com as pessoas locais com seu espanhol meia boca.

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