Grammar Girl explica como amar gramática em inglês (sim, é possível!)

Nós conversamos com Mignon Forgarty, criadora e apresentadora do podcast Grammar Girl, que fala sobre o seu amor por gramática e como aprender inglês pode ser divertido – tanto para falantes nativos quanto para quem quer ficar fluente!
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ESCRITO POR Dylan Lyons
Grammar Girl explica como amar gramática em inglês (sim, é possível!)

Existe uma palavra que tem o dom de polemizar no ensino de idiomas: gra-má-ti-ca. Provavelmente assim que você a leu, o ponteiro da sua escala de amor e ódio pulou de um lado para o outro de modo desgovernado. A questão é, que em vários momentos do aprendizado de um idioma, as regrinhas de gramática estarão presentes na sua vida. Conhecê-las vai ajudar você a fazer escolhas e a entender vários aspectos da língua.

Esta entrevista faz parte da série norte-americana da Revista da Babbel “6 Questions With” (6 Perguntas para), e nessa edição a entrevista é com Mignon Fogarty, criadora do podcast Grammar Girl, sobre gramática em inglês, iniciado em 2006.

1. Comece falando do começo. Como você se tornou a Grammar Girl, e como começou sua paixão por inglês?

FOGARTY: Bom, eu sempre fui escritora. Desde pequena, minha mãe me levava para a biblioteca mais perto de casa para ter aulas de escrita, que eu amava. Eu tenho um diploma em Inglês, e eu trabalhei para o jornal do colégio e da faculdade. Mas então, eu tive um estranho desvio na minha carreira, e  fui parar em um programa de doutorado em Biologia. Eu acabei desistindo do doutorado, ficando só com o diploma de mestrado e trabalhando como escritora e editora técnica. Tudo parece bem lógico a princípio: depois estudar Inglês e Biologia, me tornar uma escritora científica. Não foi muito bem planejado, mas deu certo, eu tive uma ótima carreira como editora e escritora de tecnologia no Vale do Silício.

Eu sempre amei tecnologia, e fiquei sabendo sobre esse formato legal de conteúdo chamado podcast e quis experimentar. Eu percebi que os meus clientes editores cometiam sempre os mesmos erros em seus trabalhos, então pensei: “eu poderia apresentar umas dicas rápidas de escrita toda semana”, mas isso foi apenas uma ideia. Eu lancei o podcast Grammar Girl, e após seis semanas, ele era o número dois no ranking do iTunes. A minha ideia simplesmente cresceu, o que foi maravilhoso para mim porque na época os podcasts de ciência e tecnologia eram os mais populares. Não existiam muitos podcasts sobre escrita naquela época, então eu acho que ser um dos primeiros ajudou. Vários(as) jornalistas amaram o fato de um podcast sobre escrita ser tão popular e publicaram muitas matérias sobre o Grammar Girl, e isso nunca mais parou. Em menos de 1 ano, eu fui convidada para o programa da Oprah para a especialista em gramática em inglês. Eu não tive nenhum apoio em termos de Relações Públicas, eu não procurava por jornalistas, eles(as) apenas entravam em contato comigo por meio do meu podcast.

2. Isso é incrível! E em relação à gramática, você se considera mais descritiva ou normativa?

FOGARTY: É engraçado – eu sinto que eu fico em cima do muro porque eu criei o Grammar Girl como uma editora, essencialmente falando de regras. E, trabalhando como editora, eu também estava procurando as regras todos os dias, porque ninguém lembra de tudo sempre. Muitas vezes eu estava apenas dividindo o que eu mesma estava procurando, o que é bem normativo, mas quanto mais eu produzia conteúdo para o Grammar Girl, lia mais sobre a história da língua, do uso de manuais e coisas do tipo, eu passei a me tornar mais descritiva. Quando você vê o que as pessoas consideravam errado há 100 ou 200 anos e como isso era ridículo, você vê como o idioma muda ao longo do tempo. Isso é empolgante e divertido, não é uma coisa ruim. Particularmente, eu tendo a ser descritiva, mas eu entendo que as pessoas com frequência me procuram para conselhos normativos, então eu ofereço esse tipo de apoio, mas tento também fornecer o contexto descritivo da dúvida.

> O podcast é divertido, legal e sem julgamentos… eu apenas quero ajudar as pessoas a terem mais segurança com o idioma.

Uma coisa importante para mim é como o Grammar Girl apresenta os assuntos, de forma divertida e legal, sem julgamento. E acho, especialmente quando comecei, que muitos conselhos sobre escrita tinham um tom arrogante ou que depreciava as pessoas de alguma forma, e eu estava lá apenas para ajudar. Eu quero ajudar as pessoas a aprenderem, então acho que aquilo realmente pegou. As pessoas se sentiam confortáveis em recomendar aos amigos porque o meu Grammar Girl era amigável.

3. E de um modo geral, por que você acha que a gramática é um componente tão importante de uma língua?

FOGARTY: Quando falamos sobre gramática, nós estamos falando sobre algo muito mais amplo. Nós estamos falando sobre pontuação e uso da língua, e todas as coisas que compõem o inglês padrão, que é a língua da formalidade, a língua dos negócios, a língua da educação. Eu acho que pode ser muito benéfico falar o que consideramos inglês padrão porque as pessoas podem julgar se você não o fizer. Dito isto, eu não acho que exista nada de ruim com os dialetos, seja as pessoas no Sul falando y’all ou as pessoas que falam inglês afro-americano deixando de lado o verbo to be. Esses são dialetos, são ricos, maravilhosos, nos dizem muito sobre cultura e nos mantêm juntos como uma comunidade. Portanto, eu não gostaria de depreciar todas essas formas ricas e maravilhosas de nos comunicar uns com os outros, mas eu acho que ter a habilidade de falar o inglês padrão, saber todas as regras e não cometer erros em ambientes como o da academia ou dos negócios é um grande diferencial.

4. Eu acho realmente interessante que as suas “Quick and Dirty Tips” [Dicas Rápidas e Rasteiras] são tanto para falantes nativos de inglês quanto para pessoas que falam inglês como segunda língua. Você poderia falar um pouco sobre esses dois públicos e como você atende a cada um deles?

FOGARTY: Às vezes, eu tenho dificuldades em atender a ambos. Um exemplo são as expressões idiomáticas em inglês. As pessoas que estão aprendendo inglês têm dificuldade, especialmente com essas expressões, já que elas não são lógicas. Mas eu também acho que pode ser fascinante para falantes nativos(as) saberem porque temos essas expressões tão interessantes. Por exemplo, eu vou lançar um episódio sobre expressões de esportes, e vamos falar, por exemplo, da expressão jump the gun (o equivalente em português ao “queimar a largada”) que é usada quando você começa algo antes da hora. Isso vem da pista de corrida, onde você tem a arma que dispara para dar a largada, e se você sai antes do tiro, você “pulou a arma”. Eu acho que falantes nativos podem achar isso interessante, mas para as pessoas aprendendo inglês, é essencial aprender essas expressões para que elas não se sintam perdidas ou confusas.

Outra coisa é que, as perguntas das pessoas que aprendem inglês são geralmente muito mais difíceis do que as perguntas dos(as) falantes nativos(as). Quem tem o inglês como língua materna tem dúvidas, como “quando eu uso affect ou effect?” ou “onde eu coloco a vírgula?” , enquanto as pessoas aprendendo inglês perguntam “porque dizemos ‘i’m in bed’ em vez de ‘on bed’?” ou “Porque posso dizer que ‘I’m at a restaurant’ e ‘in a restaurant’?”. Muitas vezes, não há uma resposta. É simplesmente do jeito que é, é idiomático. Suas perguntas são sempre tão difíceis, mas eu simpatizo com quem quer aprender inglês.

Eu também acho que as pessoas que estão aprendendo inglês, especialmente as pessoas que aprenderam realmente bem, tendem a ficar mais chateadas com os outros quebrando as regras. Eu acho que quando você trabalhou duro para aprender todas as regras da gramática em inglês, você acha frustrante quando nativos não as seguem. Essas são regras duramente conquistadas para eles.

5. Você fala muito sobre aprendizado, no geral, e você tem autores convidados no seu site escrevendo sobre isso. Eu gostaria de saber, se existe qualquer tipo de conselho que você poderia dar em termos de  aprender uma nova língua. Quais são as melhores práticas que você consegue pensar, ou formas de manter a motivação quando você está tentando atingir um objetivo?

FOGARTY: Eu acho que praticar o máximo possível é o mais importante, assim como praticar de diferentes formas. Com o app, por exemplo. Eu adoro usar o app da Babbel, e também acho bem útil tentar falar com alguém nativo e escrever no novo idioma. Eu preciso escrever eu mesma, com minhas próprias mãos, para aprender melhor, por isso eu acho bem útil. Quando o assunto é motivação, eu acho que existem diversas formas de mantê-la. Eu vou para a América do Sul em breve, e isso é uma grande motivação para continuar minhas lições de espanhol. E se você consegue conhecer algum(a) falante nativo(a) em sua comunidade e conversa com ele(a) toda semana, isso faz com que você queira progredir, isso faz com que você também continue aprendendo. Eu acho que criar uma série de recompensas e ter responsabilidade pode ajudar para qualquer tipo de aprendizado.

6. Em seu podcast e posts on-line, você falou sobre algumas diferenças entre o inglês americano e o inglês britânico que você notou na sua viagem para o Reino Unido. Você tem alguma diferença favorita ?

FOGARTY: Uma que me faz rir sempre que eu penso na Inglaterra é que eles falam traffic diversions. Quando uma rua está fechada eles têm diversion em vez de detour. Eu penso em diversion como algo que eles fariam em filmes, enquanto fazem um assalto.

Eu acho que é encantador como o idioma evoluiu de maneira diferente em países diferentes, e mesmo que nós falemos o mesmo idioma, existem muitas variações sutis. Eu sempre acho isso muito charmoso. Eu tenho um caderninho e sempre que eu via uma palavra diferente eu anotava essa palavra que não era como nós usaríamos. Uma delas é caravan em vez de RV para um veículo de passeio. Eu amo aprender palavras e outros idiomas, seja espanhol ou alemão, ou apenas uma variação do inglês.   

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