Você quer morar na Austrália? Aqui vai um guia básico sobre o visto de trabalho e estudos

O país da Oceania está em busca de profissionais qualificados em diversos setores. Será que você atende aos requisitos? Se esse é o seu sonho, prepare-se para planejar a viagem e para a burocracia.
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ESCRITO POR Gabriel B.
Você quer morar na Austrália? Aqui vai um guia básico sobre o visto de trabalho e estudos
Ilustrado por Emma Jayne, cortesia da Agência Bright.

Após o nascimento do filho em 2016, Anay Koprowski e o marido acharam que São Paulo era uma cidade grande demais para se criar uma criança. O casal sentia que faltavam espaços públicos adequados e segurança. Eles até cogitaram se mudar para um lugar mais tranquilo e distante da megalópole, mas perderiam muito tempo no trajeto para o trabalho. A capital paulista já não oferecia um balanço ideal entre qualidade de vida e oportunidades profissionais.

Em busca de novas experiências e para que o filho pudesse ter mais contato com a natureza, Koprowski decidiu ir morar na Austrália. O irmão já morava lá e o marido adorava a terra dos cangurus. Melhor ainda: Koprowski é arquiteta, uma profissão em demanda naquele país e priorizada na concessão de vistos pelo governo. Resumindo, em 11 meses a família estava de malas prontas. 

“Pedi o visto Skilled Independent Subclass 189, que não é vinculado a nenhum estado ou empresa. É pela lista de profissões em demanda. É uma residência permanente”, explica a arquiteta. 

Como a Austrália precisa atrair profissionais com qualificações para diversos setores, o governo mantém uma lista atualizada de carreiras relevantes para as quais vistos são concedidos mais facilmente. Interessou? Entre as especialidades desejadas estão engenharia aeronáutica, consultoria agrícola, carpintaria, audiologia, cardiologia, entre outras. Confira a lista completa aqui.

A minha profissão está no site! E agora? Como posso obter o visto para morar na Austrália?

Prepare-se para uma longa jornada e alguns custos. Como existem muitas opções de vistos, vou abordar neste texto duas das mais comuns: residência permanente para profissionais qualificados e permissão para estudantes em tempo integral.

Essas alternativas não são para você? Não se desespere: o site do Departamento de Assuntos Internos da Austrália sugere o visto mais adequado para cada caso e os passos para conseguí-lo. A plataforma é bem intuitiva (acesse aqui). 

Senta que lá vem burocracia! 

Bom, se você chegou até aqui é porque já aceitou que vai precisar ir atrás de uma pilha de documentos e se planejar bem nos próximos meses. Então vamos ao que interessa. 

Comecemos pelos profissionais. A Austrália mantém o Skilled Migration Programme, um programa para atrair imigrantes com habilidades e conhecimentos relevantes à economia do país. Neste programa, há quatro opções de visto: o sistema baseado em pontos, o patrocínio de uma empresa, a inovação empresarial e programa de investimento, e o talento distinto. Focaremos no sistema de pontos, o Skilled Independent Subclass 189, no qual quem aplica recebe uma nota conforme suas habilidades e compete por um visto.

O Subclass 189 não depende do patrocínio de uma empresa e permite trabalhar e viver em qualquer parte da Austrália trazendo familiares elegíveis, como crianças e parceiras/os. Para conseguir esse tipo de visto, é preciso que sua profissão esteja na lista, que você atinja um certo patamar de pontos, que suas habilidades profissionais sejam avaliadas (algo como a validação do diploma universitário) e que você receba um convite para o visto.

“O visto da minha família foi em três processos separados, mas o do meu marido e filho ficaram vinculados ao meu porque eu era a principal solicitante. Eles avaliaram os documentos de todo mundo, mas apenas eu tive que fazer a prova de proficiência de inglês e a validação de diploma”, conta Koprowski.

E… não depende só de você

Uma das principais “catch 22” deste visto é que você só pode se candidatar se tiver até 45 anos e um convite do governo australiano. Pode parecer estranho mas funciona assim: você reúne todos os documentos necessários e envia a chamada “expression of interest”. Ou seja, manda um “alô” ao Departamento de Assuntos Internos de que gostaria de obter essa permissão e que acredita cumprir os seus requisitos. 

A “expression of interest” é feita via uma plataforma on-line, a SkillSelect. Esse sistema classifica quem é inscrito em um ranking de profissionais que manifestaram interesse no visto. Serão atribuídas notas de acordo com as informações que você enviou e só serão chamados aqueles que atingirem o mínimo de 65 pontos (entram nessa conta a demanda pela profissão, nível de inglês, idade, carreira dos dependentes, cursos extras etc) e cujo setores precisem de funcionários. É possível calcular os seus pontos aqui. 

Caso você receba um convite, terá apenas 60 dias para concluir a candidatura. Então, tenha todos os documentos em ordem e traduzidos!

Quanto custa? Existem mais “pegadinhas”?  

O preço individual começa em 3,755 dólares australianos, cerca de 10,5 mil reais. E você pode se candidatar na Austrália ou no exterior. Existem taxas extras para cada dependente (estime os valores aqui). O prazo de análise do seu pedido pode ser maior que 7 meses.

Os familiares que estiverem listados no pedido principal de visto devem atender a “critérios de saúde e caráter”. Isso significa que quem se candidatar precisa realizar exames médicos. Vistos podem ser negados a quem tiver problemas que representem um custo elevado ou que coloquem pressão no sistema de saúde australiano. Por custos “significantes”, o governo entende a partir de 40 mil dólares australianos (112 mil reais).

“Havia uma lista de médicos credenciados com o governo da Austrália. Em São Paulo, tinha umas três opções. Marcamos os exames assim que fizemos a express of interest. Quando recebemos o convite, já tínhamos feito a consulta e os exames. Os preços não foram muito baratos, mas conseguimos reembolso do plano de saúde”, lembra Koprowski.

Para critérios de caráter, os solicitantes terão de apresentar uma certidão de antecedentes criminais para todos os países em que viveram por ao menos 12 meses nos últimos 10 anos desde que completaram 16 anos. Também é pedido registros/documentos de dispensa de serviço militar.

Não se esqueça também dos testes de inglês! É possível realizar provas do IELTS, TOEFL, PET, OET, entre outras. Tenha em mente que esses testes não acontecem com frequência e que são caros. Logo, planeje com antecedência. Você também vai precisar atingir uma nota mínima que varia conforme o exame. Confira as notas aqui. 

Caso consiga esse visto, você poderá se inscrever no sistema público de saúde, viajar ao exterior por até cinco anos sem pedir autorização (depois deste prazo é preciso uma permissão para retornar ao país) e se candidatar à cidadania caso cumpra os requerimentos.

Dicas preciosas

E quais dicas a arquiteta tem para oferecer? A validação do seu diploma universitário, provavelmente, será a parte mais complexa de todo o processo. Então, comece por ela. “Cada profissão tem um órgão que avalia o pedido. O da minha tinha bem clara a documentação, mas eu não conseguia encontrar exemplos de uma carta na qual pediam para eu fazer uma comparação da minha formação no Brasil e com a de um arquiteto na Austrália”, conta Koprowski. 

A arquiteta acabou escrevendo o documento “do zero”, com o que imaginou estar correto. “Foi um processo complicado. Precisei do histórico escolar, diploma, carteira profissional, e os programas das disciplinas traduzidos. E uma carta de duas folhas escrita por mim fazendo a comparação das formações e porque elas deveriam ser consideradas equivalentes. Enfatizei bastante a carga horária dos cursos porque li que era um fator importante para a decisão do órgão. As coisas que eram um pouco diferentes, eu tentei justificar. Por exemplo, eles têm reciprocidade com Cingapura, e as minhas disciplinas eram parecidas com as de Cingapura. Tentei amarrar as similaridades e as diferenças de uma forma que fizesse sentido aquilo ser classificado como equivalente”, explica.

A junta dos documentos e o processo de validação do diploma de Koprowski levaram cerca de sete meses! Ou seja, não dá para fazer “na correria”. 

Outra dica é prestar atenção no que precisa, de fato, ser traduzido do histórico acadêmico. Em um primeiro momento, Koprowski achou que teria que traduzir as emendas completas das disciplinas da universidade, algo que custaria R$ 50 mil. O órgão de validação, contudo, aceitou a tradução apenas dos resumos dos módulos.

Organização também é crucial! Para não se perder, Koprowski fez um painel com todos os passos, documentos (classificados por tipo, prazos para obtenção/tradução) e datas de entrega. Salvou também os links mais úteis para não precisar pesquisá-los toda hora.

Mas eu quero estudar… como faz?

Para quem deseja estudar na Austrália em tempo integral, a opção de visto mais comum é o Subclass 500. Essa permissão garante a estadia pela duração do curso, com um prazo máximo de até cinco anos. O custo para a inscrição é de 575 dólares australianos (cerca de 1,6 mil reais), seus dependentes pagam uma taxa extra e o tempo de processamento pode atingir quatro meses. Mais uma vez: planeje com bastante antecedência! Simule os preços do visto aqui.

Há diversos requisitos para se qualificar para o Subclass 500, incluindo estar inscrito em um curso de uma instituição educacional reconhecida pelo governo australiano (encontre essas entidades aqui) e, claro, possuir dinheiro para se bancar no país. Durante o processo de visto, você deve oferecer provas reais (depósitos bancários, bolsas de estudos ou comprovantes de empréstimos) de que têm os fundos necessários para o curso e despesas gerais.

Também é possível comprovar que seus pais ou parceira/o teve uma renda anual pessoal de ao menos 60 mil dólares australianos nos últimos 12 meses (cerca de 166 mil reais). Caso você queira trazer sua família, esse valor aumenta para ao menos 70 mil dólares australianos (194 mil reais).  Caso você e seu/sua parceira/o estejam trabalhando, a renda combinada pode ser considerada. 

Aqui há mais informações sobre a renda mínima para esse visto. Acesse a aba “Step by Step”, procure a opção “Gather your documents” e depois “Evidence you have enough money for your stay”.

Outro aspecto importante é a cobertura de saúde. Como estudante, você (e seus dependentes, se for o caso) precisará obter um Overseas Student Health Cover (OSHC). Esse seguro cobre visitas ao médico, certos tratamentos em hospital, ambulância e alguns medicamentos. Há diversas opções de provedores e preços, mas eles não serão baratos. Consulte preços aqui. 

É preciso também levar em conta os requisitos mínimos de língua inglesa para se candidatar ao visto. Várias provas são aceitas, como IELTS, PET e TOEFL. Consulte as notas de corte neste link, na aba “Gather your documents” e “Student visa English language requirements”. 

Posso trabalhar como estudante? 

O Subclass 500 permite que o estudante trabalhe até 40 horas a cada 14 dias (começando sempre em uma segunda-feira) após o início do curso. Logo, preste atenção na maneira como você vai dividir a sua carga de trabalho, pois ela não é semanal! É possível trabalhar mais se o curso exigir ou quando não houver aulas. Os dependentes no visto seguem as mesmas regras trabalhistas.

Os estudantes de mestrado e doutorado, e seus dependentes, não possuem limite de carga horária. Ou seja, podem trabalhar o quanto desejarem após o início do curso. Para mais detalhes acesse esse link e clique nas abas “Work limitation”.

E aí, está de malas prontas para morar na Austrália?

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