O que significa ser bilíngue?

O cérebro de uma pessoa bilíngue funciona de forma diferente? Veja as diferenças de crescer educado em duas línguas.
Escrito Por Marion Maurin
04/11/2015

I- O que é bilinguismo?

Como mostra o vídeo acima, todos têm uma opinião diferente. Para alguns, ser bilíngue significa se comunicar sem esforço em duas línguas, mesmo que uma delas tenha sido aprendida mais tarde na vida e desvie um pouco da naturalidade falada da outra. Outros têm como referência falar sem erros de gramática e com pronúncia perfeita. E não somos só nós, meros mortais, que estamos em dúvida; estudiosos estão igualmente divididos porque os critérios e medidas são simplesmente muito vagos e variados para se chegar a qualquer definição. Disso, podemos tirar uma conclusão: bilinguismo é um rótulo relativo, uma questão de grau e não de dicotomia. É também fundamentalmente um fenômeno subjetivo, algo que primeiramente e principalmente é sentido.

Você sente isso?

Idiomas não são objetos inanimados, que podem ser adquiridos uma vez e depois guardados lá no fundo da sua cabeça. Eles são coisas vivas, capturam a nossa imaginação e definem a nossa realidade: linguagem, emoção e identidade são intrinsecamente ligados. Pode ser que uma pessoa fale uma língua perfeitamente bem em sua infância, mas não se considere bilíngue porque não viveu no país onde esse idioma é falado e não tem conexão nenhuma com a cultura, humor e códigos sociais. Outros já se sentem bilíngues no momento em que conseguem se expressar em outra língua sem hesitar ou ter restrições.

Mas, para o propósito deste artigo, vamos tentar achar uma definição comum: pessoas bilíngues são aquelas que cresceram falando duas línguas e são capazes de trocar entre uma e outra sem esforço. Se temos isso como ponto de partida, nós podemos perguntar: quais características são particulares a esses indivíduos? Ou colocado de outra forma: como o cérebro bilíngue funciona?

II – O cérebro bilíngue

O mundo e a linguagem

Independentemente se você vê a linguagem como uma série de sons articulados ou como um sistema complexo de comunicação, ela cria a nossa primeira conexão com o mundo. O bebê recém-nascido respira fundo e chora, expressando seus desejos e fazendo com que o mundo saiba de sua existência. Durante a infância, a gramática e o vocabulário emergem (em todas as culturas, se você acredita na ideia de Chomsky sobre uma Gramática Universal) e influenciam como você se engaja com o mundo (se você é adepto de uma visão Whorfiana de que a linguagem afeta a percepção).

E, o que acontece com as pessoas que possuem dois sistemas linguísticos possíveis para expressar uma ideia ou sentimento? Por um grande período de tempo, o bilinguismo foi considerado negativo. A opinião geral surpreendentemente era de que tal educação poderia causar uma certa confusão mental, especialmente em crianças pequenas. Foi só em 1962 que um estudo de Peal e Lambert, sobre a relação entre a inteligência e linguagem, alterou essa visão. Alguns estudos mais recentes ainda alegam que pessoas bilíngues têm uma “consciência metalinguística” mais forte, o que é aplicado em solução de problemas nas áreas fora da linguagem, como a matemática.

Brot, baguette e os sistemas de referência cognitivos

A ideia de ter diferentes sistemas linguísticos pode ser ilustrada pela diferença entre a palavra alemã brot e a francesa baguette – ambas se referindo a pão. Por um lado, você tem aquela imagem de uma baguete crocante, quentinha, que você pode comer com um café ou servir com 5 tipos de queijo. Já pelo outro temos o brot que é o o pão preto, com grãos, compacto, saudável e delicioso, da mesma forma que o abendbrot, ‘pão da tarde’, que geralmente é uma refeição com a família pelo fim da tarde ou um lanche antes de dormir. As duas palavras não vivem no mesmo mundo imaginário, elas resgatam memórias e emoções diferentes, além de outras referências culturais.
Elas pertencem a sistemas cognitivos diferentes, e uma pessoa bilíngue que deseja falar sobre pão tem uma variedade de sentidos disponíveis para ela.

Uma comparação com a sinestesia pode esclarecer ainda mais esse conceito. Aqueles afetados pela sinestesia confundem dois sentidos, como visão e audição. Um sinestésico pode literalmente ver a música em diferentes cores, e, portanto, ter acesso a dois sentidos que o ajudam a descrevê-la. Como consequência, sua descrição pode parecer mais rica, metafórica ou figurativa. Vários poemas com algumas expressões diárias se utilizam dos princípios sinestésicos – por isso que dizemos cores frias ou quentes. Essa tão chamada flexibilidade cognitiva é associada com a criatividade e parece ser particularmente evidente entre as pessoas bilíngues.

III – Carpe diem

Apenas 13% dos países das Nações Unidas são oficialmente monolíngues. Se você cresceu em algum deles, não entre em desespero. Nunca é tarde para começar! Aprender uma nova língua é como esporte para o seu cérebro: ajuda a estimular e aumentar as conexões neurais.

Algumas pessoas afirmam que aprender uma nova língua influenciou profundamente a sua vida e personalidade, que eles são mais abertos, criativos, confiantes e tolerantes no novo idioma. É fato que o novo idioma pode mudar a pessoa – não é raro ver um lado diferente de alguém quando essa pessoa fala outra língua.

Libere o artista dentro de você!

Acidentes estranhos e maravilhosos entre línguas podem acontecer. Se uma palavra não vem à cabeça, ou se de fato não existe outra forma de expressar algo, você então usa a solução de uma outra língua…

Eu falei um dia para uma amiga alemã da capacidade que certas pessoas têm de ‘die Ecken rund machen’ a tradução literal para o português seria “arredondar as pontas”. Não somente essa ideia funcionou perfeitamente, mas também em vez de uma risada tirando um sarro eu recebi um olhar de admiração: Vocês falam isso em francês? É genial!

Portanto, deixe a criatividade fluir, libere o artista dentro de você e … aprenda uma nova língua!

traduzido por Sarah Luisa Santos

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Marion Maurin
Com uma mãe alemã que se mudou para a França aos 21 anos, se naturalizou francesa e alguns anos mais tarde educou seus filhos apenas em francês, Marion teve suas raízes alemãs bem escondidas. Aos 21 anos ela fez o mesmo caminho, mas na direção contrária. Marion veio à Alemanha para estudar Filosofia. Atualmente ela trabalha como tradutora independente.
Com uma mãe alemã que se mudou para a França aos 21 anos, se naturalizou francesa e alguns anos mais tarde educou seus filhos apenas em francês, Marion teve suas raízes alemãs bem escondidas. Aos 21 anos ela fez o mesmo caminho, mas na direção contrária. Marion veio à Alemanha para estudar Filosofia. Atualmente ela trabalha como tradutora independente.

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