Vai um acarajé aí? Uma breve história da culinária brasileira

Quer tal descobrir um pouco mais da culinária brasileira? Entre acarajés e caipirinhas, a história do nosso país foi se construindo, e, de forma deliciosa!
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ESCRITO POR Gabriel B.
Vai um acarajé aí? Uma breve história da culinária brasileira
Ilustrado por Paula P. Rezende

Você já se perguntou, de onde surgiram termos como acarajé e catuaba? Caipirinha? Coxinha? Pois é, os nossos quitutes não são apenas deliciosos, eles revelam também muito da história da culinária brasileira. Segue aqui a origem de algumas palavras curiosas das cozinhas do Brasil.   

Acarajé

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Esse bolinho de massa de feijão-fradinho moído, frito no azeite de dendê e servido com pimenta-malagueta, camarões secos, tomate e pimentão é praticamente um patrimônio cultural brasileiro. Na verdade, mesmo que o prato em si não tenha esse status, o ofício das baianas do acarajé o recebeu oficialmente em 2012. Aliás, essa foi uma das primeiras profissões femininas a surgir no Brasil!

Não é possível falar de acarajé sem mencionar a sua ligação com o candomblé. O prato é considerado uma comida sagrada, sua receita não pode ser alterada e deve ser preparada apenas pelos filhos-de-santo. Sem o apimentado recheio, o bolinho é oferecido nos cultos às divindades da religião afro-brasileira. A versão “gourmet” é para o comércio. 

O acarajé tem origem junto aos povos que chegaram ao Brasil do Golfo do Benim, na África Ocidental. O nome, do original àkàrà je, é uma palavra composta da língua iorubá: acará (bola de fogo) e (comer) = comer bola de fogo. 

Caipirinha

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Essa bebida é mais uma figurinha carimbada da cultura brasileira. Sua receita é até determinada por decreto: para ser caipirinha, o drink precisa ter cachaça (“com graduação alcoólica de 15% a 36% em volume”), limão e açúcar. É liberada a adição de água “para a padronização da graduação alcoólica e de aditivos”.

Não há consenso absoluto sobre a origem da bebida, mas é aceito que ela surgiu no interior do estado de São Paulo, possivelmente em Piracicaba. A versão mais provável é de que a caipirinha tenha sido criada em 1918 como um remédio natural contra os efeitos da Gripe Espanhola, uma pandemia que matou ao menos 50 milhões de pessoas no mundo. 

A receita original continha limão, alho, mel e um pouco de álcool (comumente a cachaça). Até que alguém tirou o alho e o mel e colocou açúcar e gelo. Criava-se, assim, um clássico. Aos poucos, a bebida conquistou o povo e se transformou em um ícone brasileiro.

Outras fontes dizem que o nome é uma homenagem a Tarsila do Amaral, que servia a bebida quando morava na França e era carinhosamente apelidada de Caipirinha.

Segundo o Dicionário Houaiss, a etimologia da palavra caipirinha vem da combinação de caipira e do diminutivo -inha. Caipira é uma pessoa natural ou habitante “de parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste brasileiras”, de “origem rural, cujo grupo, no passado, caracterizava-se por atividades na agricultura de subsistência.”

Catuaba 

Talvez a catuaba seja mais conhecida pela fama de estimulante sexual. Mas não se anime muito: ainda não há estudos conclusivos com humanos que comprovem ou desmintam esse suposto efeito afrodisíaco. Isso, contudo, não tem impedido essa bebida barata e saborosa de ganhar popularidade no Brasil.

A composição dos produtos vendidos como catuaba varia, embora os ingredientes mais comuns sejam vinho, álcool, açúcar, xarope de maçã, e extratos de guaraná, marapuama e catuaba. O teor alcóolico fica em torno de 16%.

A planta catuaba ocorre em diversas regiões do Brasil, em especial nas matas ciliares, matas mesófilas, florestas semideciduais e em parte da Mata Atlântica. Ela possui, entre outras utilidades, propriedades inseticida, tônica, bactericida, anti-inflamatório e antidepressiva.

O nome em si vem do Tupi-Guarani: caá = planta, folha, mato + tuã = taludo + ibá = árvore.

Coxinha

Essa delícia gordurosa é um quitute onipresente na vida das pessoas no Brasil. Está nas festinhas infantis, nos aniversários de adultos, nos botecos, nos bares e, mais recentemente, até em restaurantes “gourmet”. Difícil é encontrar quem não goste do petisco (pero que los hay, los hay).

O recheio tradicional dessa massa empanada frita (em forma de pera/coxa de frango) é o frango desfiado, mas o que não faltam são variações que incluem palmito e catupiry. 

Há algumas versões sobre a origem desse salgado. Em uma delas, o prato teria sido criado por uma cozinheira da fazenda Morro Azul, no interior de São Paulo, onde vivia um suposto filho com problemas mentais da princesa Isabel. O garoto só comia coxas de frango fritas, mas um dia faltou a ave. A coxinha, então, foi feita com sobras. 

Essa história, contudo, não é aceita por todo mundo. Há quem diga que o prato surgiu na era industrial de São Paulo como uma opção mais barata ao frango frito. 

A etimologia da palavra coxinha, de acordo com o Dicionário Houaiss, vem da combinação de coxa com o diminutivo -inha. 

Farofa 

O que seria da feijoada e do churrasco sem a farofa? A história da culinária brasileira como um todo ficaria mais pobre sem essa mistura deliciosa de farinha (de milho, mandioca ou até mesmo de rosca) com gordura (manteiga, azeite, banha de porco etc) e “ingredientes extras”, como ovo, salsinha, cebolinha, cebola, pimenta, pimentão, bacon – e o que mais a sua criatividade desejar colocar na panela.

A origem do nome é controversa. O Houaiss indica que “entre os negros de Angola há a palavra falofa ou farofia, para designar a mistura de farinha, azeite ou água”. Mas os índios brasileiros também consumiam farinha com gordura. 

Moqueca 

O prato à base de peixes e frutos do mar cozido em panelas de barro é um dos mais tradicionais do Brasil. Para quem é da Bahia, ele surgiu naquele estado. Já os capixabas discordam e têm até a sua própria versão da moqueca.

Na Bahia, a moqueca é preparada com dendê, leite de coco, cebolas, tomates, pimentões e coentro, seguindo mais a influência africana. No Espírito Santo, o prato deixa de lado o dendê e o leite de coco para usar o urucum (colorau) e o azeite, em uma ascendência mais próxima da culinária portuguesa. 

Luís da Câmara Cascudo, um dos mais relevantes pesquisadores da cultura popular brasileira, dizia que a moqueca tem origem indígena. Para Vilson Caetano, professor da Faculdade de Gastronomia da Universidade Federal da Bahia, contudo, o prato é uma mistura de costumes indígenas e africanos. 

A etimologia da palavra vem do quimbundo (língua da família banta, falada em Angola) mu’keka no sentido de caldeirada de peixe.

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