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Histórias de intercâmbio

Quando o assunto é aprender idiomas, nada se compara a fazer um intercâmbio e viver fora. Mas, qual a melhor maneira de fazer isso? Pessoas de seis países diferentes compartilham sua experiência.

Escrito por John-Erik Jordan

Eu cresci sem nenhum intercâmbio ou programa de estudos internacional, e não me dei conta do que perdi até me mudar para Europa. Quase todo mundo que eu conheci aqui passou um tempo dos seus estudos em algum outro país – e muitos no meu: os Estados Unidos.

Mas, mesmo que sua adolescência seja uma memória distante, nunca é tarde para considerar uma longa estadia fora e colher os benefícios de estudar uma língua estrangeira. As seis histórias abaixo revelam como as diferentes abordagens de estudos no exterior resultaram em experiências distintas. Alguns se matricularam no conhecido programa de intercâmbio europeu Erasmus, enquanto outros fizeram as malas e contaram com os seus próprios recursos para viver uma vida no exterior. Ao final de cada anedota, os autores contam uma pequena lição de vida que aprenderam no tempo em que moraram fora.

Giulia: uma italiana em Paris

Quando eu tinha 23 anos, eu decidi que queria aprender francês de uma vez por todas. “Basta de regras bestas de gramática”, eu disse a mim mesma; eu queria falar o real verlan!

Eu escolhi me mudar para Paris sozinha e evitar o ignominioso destino de apenas falar minha língua nativa em um país estrangeiro. Eu era uma estudante pobre e reservei o hotel mais barato possível em Pigalle, perto de Place de Clichy. Embora eu tenha estudado francês na escola, percebi imediatamente que estava lamentavelmente despreparada, mal podia falar bonjour e comment ça va?- as coisas mais básicas estavam além do meu alcance.

A situação mudou, no entanto, quando eu descobri que não estava sozinha em meu quarto de hotel. Um rato preto estava considerando calmamente se movimentar entre os móveis. Eu tinha que me livrar dele. O filme Ratatouille ainda não havia estreado e eu não sabia da maravilhosa amizade que nós poderíamos ter. Eu juntei toda a minha coragem e liguei para o concierge já adormecido às 3 da manhã. Com o telefone em uma mão e o dicionário em outra, eu gritei, “Monsieur, Monsieur, aidez moi! Il y a une souris dans ma chambre!”(Senhor, senhor, me ajude! Tem um rato no meu quarto!). Quando o concierge chegou ao quarto, armado com uma vassoura, eu gritei de novo: “Non! NON! NE LE TUEZ PAS!!!”(Não, não, não o mate!). Ele ficou perplexo com a minha súbita mudança, mas a sua confusão momentânea permitiu que o rato tivesse a oportunidade de escapar através de um buraco na parede. Todos, inclusive o rato, ficaram felizes com o resultado.

Lição aprendida: a necessidade faz o sapo pular.

Kat: uma alemã em Toronto

Quando eu tinha 15 anos, me inscrevi para um programa de intercâmbio financiado pelo governo para ir aos Estados Unidos. Eu não consegui a bolsa de estudos, e comecei a procurar possíveis razões para isso: talvez porque minhas notas não eram altas o suficiente, ou porque eu gostava de me considerar um pouco uma pessoa antiorganizações naqueles tempos, ou talvez porque simplesmente havia outros candidatos com um sorriso mais bonito que o meu. Qualquer que seja o caso, eu levei isso para o lado pessoal. Olhando agora para trás, ser rejeitada foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Eu decidi ir para o Canadá depois de me formar no Ensino Médio, por iniciativa totalmente minha. Tive que procurar um emprego, comprar um plano para o telefone celular, achar um apartamento, ligar para agentes fiscais e descobrir como as medidas se convertem em gramas quando eu queria assar um bolo – tudo sozinha e em outra língua. Foi difícil, mas ter que organizar cada mínimo aspecto da minha vida em inglês, sem ter alguém para me ajudar, realmente me impulsionou em direção à fluência, e claro, à evolução pessoal.

Lição aprendida: não deixe o fato de que você na verdade não está “estudando fora” arruinar a diversão de estudar fora! Não receber aquela bolsa, ou aquele lugar no programa Erasmus, ou o perder quando você tem 18 anos, não deve impedir você de ir viajar depois em algum momento da sua vida, e por iniciativa própria. É uma das melhores coisas que você pode fazer, tanto para sua educação quanto para sua evolução pessoal.

Cristina: uma espanhola em Viterbo

Eu fui para uma pequena cidade na Itália pelo Erasmus, onde estudei por 10 meses. Eu rapidamente percebi que não conseguiria aprender o idioma sozinha: eu precisava de amigos, experiências, música, comida e coisas que me fizessem querer realmente aprender a língua. O simples fato de eu estar ali não seria o suficiente. Eu perguntei para os meus colegas de quarto por filmes e música que eles achavam que eu iria gostar. Ana, da Eslovênia, era tão apaixonada por música italiana que se tornou a minha maior referência, embora não fosse italiana. Eu aprendi demais com ela e nós ainda cantamos Parole, parole toda vez que nos encontramos depois de todos esses anos. Eu comecei a ouvir os bons clássicos como Lucio Battisti, a incrível Mina, Adriano Celentano e Paolo Conte, só para citar alguns. Para mim, ouvir o italiano falado nas ruas e assistir filmes mob e neorrealistas com outros colegas de Erasmus foi o melhor jeito de aprender o idioma.

Lição aprendida: a união faz a força – deixe os outros iluminarem o seu caminho. Não seja tímido, pergunte por ajuda quando precisar e seja humilde para aprender com os outros.

Ed: um britânico em Valladolid

Depois de terminar a minha faculdade em Southampton, eu fiz um curso TEFL em Zamora, na Espanha. Eu achei um emprego até que bem rápido na ex-capital espanhola Valladolid. Eu não sabia nada sobre a cidade além de sua aproximada localização geográfica e que ela tinha um time de futebol medíocre. Quando eu cheguei, fui imediatamente atirado dentro do estilo de vida espanhol. Eu não tinha contato com outros falantes de inglês fora do meu trabalho. Passava os fins de semana sentado timidamente no canto das rodas de conversa, ponderando se havia algum jeito de me esquivar desse estranho ritual do beijo com o qual as pessoas se cumprimentavam. Após seis meses, eu comecei a me entender com o idioma e a cultura, tropeçando entre conversas com um humor suficientemente modesto para conquistar amizades, e apenas pensava duas vezes antes de colocar com meus beijos a apropriada pressão nas bochechas femininas.

Então um amigo deu uma festa no seu apartamento, e convidou praticamente uma comitiva de colegas estrangeiros. Isso foi como um choque – eu pensava que era o único estrangeiro na vila. Quando eu perguntei que diabos eles pensavam que estavam fazendo lá, eles me olharam com uma cara de dúvida e responderam: “Erasmus, claro”. Eu mal posso acreditar nisso hoje em dia, mas honestamente eu não tinha a menor ideia sobre o que eles estavam falando – Erasmus, lamentavelmente, não é uma coisa inglesa – mas a medida que eu ouvia suas histórias, eu tive uma inveja intensa. Eu exorcizei essa inveja através da imitação. Apesar de estar trabalhando em período integral, fingi ser do Erasmus pelos próximos doze meses. Eu saía e ficava fora até tarde, acordava mais tarde ainda. Estudei espanhol em livros e em bares, e me envolvi em discussões que celebravam o fato de que nós estávamos enfraquecendo as fronteiras do mundo apenas pelo fato de estarmos vivos naquele lugar naquela hora. Foi algo sem cabimento e hedonista ao mesmo tempo, e também imensamente formativo e influente. Mas isso é como a juventude deveria ser, não?

Lição aprendida: fazer a jornada como um completo estranho e chegar a ser um local em um novo país vai garantir a você uma maravilhosa mistura entre humildade e confiança.

Sarah: uma brasileira em Londres

Erasmus não existe no Brasil, mas algumas pessoas participam de intercâmbios – seja um ano do Ensino Médio lá fora ou o pacote work-and-travel. Eu escolhi ir para Londres para estudar inglês e trabalhar meio período. Era a minha primeira vez viajando sozinha na Europa, e eu estava bem inclinada aos típicos erros de uma viajante inexperiente. Eu não tinha ideia de como as estações de metrô em Londres eram dispostas, ou o quão longe a zona 4 era, mas decidi ir até a casa da minha host family com o transporte público de qualquer forma. A casa estava localizada em Wood Green, ao norte de Londres, uma área bastante residencial. Eu saí do metrô confiante de que estaria a apenas 5 minutos do meu destino final. Grande erro. Eu simplesmente estava no meio de um mar de casas britânicas, sem uma alma viva para perguntar por direções, arrastando uma mala com 30 kg, e isso tudo uns bons dez anos antes da ubiquidade oferecida pelo telefone celular. A medida que o desespero começou a se instalar, eu trombei em outro ser humano, e comecei a torturá-lo com o meu inglês macarrônico. Depois de 10 minutos sofrendo para entender o difícil sotaque do norte londrino, ele ficou com pena de mim e simplesmente me ofereceu uma carona até a casa. Eu não poderia estar mais agradecida.

Lição aprendida: quem tem boca vai a Roma. Não tenha medo de passar ridículo quando você não tem certeza sobre o que as pessoas estão falando. É assim que todos nós aprendemos idiomas.

Marion: uma francesa em Berlim

Quando eu me mudei para Berlim para o meu ano de Erasmus, eu rapidamente percebi que deveria ter me esforçado mais para achar uma acomodação. Como parte da geração l’auberge espagnole, eu fui convencida de que iria conhecer imediatamente 3 ou 4 colegas de quarto eruditos e simpáticos e achar um maravilhoso apartamento no bairro mais legal de Berlim. Infelizmente, isso não acontece organicamente, e todos os outros já tinham fechado um contrato antes de chegarem. No meu segundo dia na capital alemã, eu me encontrei parada em frente ao meu computador, revisando todo tipo de anúncio para dividir um apartamento. O meu sotaque francês me serviu bem, apenas depois de duas visitas, dois alemães me ofereceram a oportunidade de mudar em um apartamento incrível junto com eles.

O ano seguinte foi um dos mais bacanas da minha vida, cheio de aventuras e descobertas, mas também, às vezes, cheio de dores e mágoa. A frustração de não poder falar livremente e entender uma conversa inteira foi muitas vezes difícil de assimilar. Os meus colegas de apartamento não faziam nenhum esforço para falar devagar ou simplesmente declaravam que eu tinha que aprender: Aber du musst lernen, eles falavam. Ambos eram da Turíngia no oeste alemão, e cresceram juntos. Faça as contas: amigos desde sempre (língua secreta) + de uma vila no Oeste (sotaque regional fortíssimo) + dividem apartamento (brincadeiras, álcool, todos falando super animados) = muita confusão. Eu me senti completamente perdida no começo, mas perseverei, mesmo que muitas vezes isso significasse engolir o meu orgulho. Eu agora sou fluente em alemão e emThüringisch! E ainda tenho o prazer malicioso de soltar um termo do dialeto no meio de uma conversa com alemães nativos, só para ouvir “o que isso significa?”

Lição aprendida: vá com calma e não fique desencorajado se as coisas ficarem difíceis ou frustrantes. Você só se torna fluente em uma língua praticando e sendo paciente. O prazer que você tem de poder se expressar em um idioma estrangeiro – fazendo uma brincadeira ou falando uma gíria no meio de uma conversa – faz o esforço valer a pena.

ilustração de Pintachan

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