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O que é o Mardi Gras e como ele é celebrado?

Por trás dos termos Mardi Gras e Carnaval há muito mais do que acontece em Nova Orleans e no Rio de Janeiro.
O que é o Mardi Gras e como ele é celebrado?

Muitas vezes, a celebração do Mardi Gras se resume a uma versão muito particular do feriado que é realizada em Nova Orleans, no estado norte-americano de Louisiana. Lá, a festa envolve miçangas, máscaras e certos comportamentos lascivos. Existe também o Carnaval, que ocorre no mesmo período e tem sua famosa base no Rio de Janeiro, Brasil. Mas tanto Nova Orleans quanto o Rio de Janeiro são apenas detalhes de uma história muito mais diversificada que encontra difusão pelo mundo todo. O que é o Mardi Gras exatamente? Descobrimos que é difícil encontrar uma única resposta.

Quando acontece o Mardi Gras?

Embora o Mardi Gras possa não parecer religioso à primeira vista, sua data é baseada no calendário cristão. Podendo variar um pouco, o Carnaval geralmente começa com a Epifania, uma festa cristã realizada 12 dias após o Natal, em 6 de janeiro. 

O carnaval, por sua vez, dura até o Mardi Gras (“terça-feira gorda” em francês), que é a véspera da Quarta-Feira de Cinzas, definida de acordo com a Páscoa daquele ano. Vale lembrar que a Páscoa é datada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre durante o início da primavera, isto é, no Equinócio Vernal. Sim, é um sistema bastante confuso que combina as tradições cristã e pagã de forma explícita. Para entender o motivo, é preciso voltar à origem da celebração.

Como o Mardi Gras começou?

Se você quiser ir muito, muito longe, até o berço do Mardi Gras, alguns historiadores indicam os festivais de Saturnália e Lupercália. Ambos os eventos pagãos eram realizados na Roma Antiga com todo tipo de banquete e luxúria.

Quando o cristianismo tomou conta do Império Romano, nos séculos 3 e 4 depois de Cristo, a Saturnália e a Lupercália foram canceladas. Os cristãos, falando de seu único Deus, não podiam permitir que aqueles dois festivais continuassem, afinal, eles honravam deuses romanos. Em vez de se livrar deles — já que uma proibição direta levaria à revolta e à agitação — os cristãos passaram a adaptar e a integrar a Saturnália e a Lupercália em tradições cristãs já existentes. Portanto, as tradições romanas foram trazidas para o calendário cristão e ajudaram a criar a Quaresma. Uma vez que o tempo da Quaresma é uma época em que os cristãos jejuam e desistem de seus vícios, fazia sentido começar com uma festa que celebrava justamente todos esses vícios. Apesar de as primeiras festividades haverem sido um pouco diferentes do Mardi Gras moderno, elas são as precursoras do espetáculo que conhecemos hoje.

Durante os séculos seguintes, as novas celebrações cristãs se espalharam pela Europa. Em inúmeras variantes, festas surgiram na França, Espanha, Portugal e em quase qualquer outro lugar que o Império Romano tenha se feito presente.  Durante o século 16, quando as potências europeias começaram a expandir seus domínios para a África e as Américas, tais comemorações embarcavam junto.

Quem leva o crédito por trazer o Mardi Gras para a América do Norte é o franco-canadiano Pierre Le Moyne d’Iberville. Em 1699, ele liderou uma expedição que entrava pela foz do rio Mississippi. Celebrando o início de sua jornada rio acima, que por acaso correspondia à época do Mardi Gras, o desbravador escolheu um pedaço de terra a algumas dezenas de milhas do que hoje é Nova Orleans, chamando-a de Pointe du Mardi Gras.

Embora essa origem dê à Louisiana a possibilidade de reivindicar sua fama na história do Mardi Gras, o estado na verdade não realizou a primeira celebração oficial da festa nos EUA. Iberville e sua delegação continuaram seguindo o Mississippi e fundaram uma colônia na região que hoje atende pelo nome de Mobile, no estado do Alabama. Em 1703, as pessoas já se juntavam em Mobile nas chamadas Krewes, que eram organizações sociais que celebravam o Mardi Gras. E não seria antes dos anos 1730 que o Mardi Gras de Nova Orleans passaria a acontecer regularmente.

Festas de Mardi Gras e Carnaval ao redor do mundo

Há um grande número de celebrações que ocorrem no período que antecede a Quaresma. Quase em todo lugar que, em algum momento, foi influenciado pelo Catolicismo tem algum tipo de festa por volta desta época do ano. As tradições variam muito, dependendo das culturas que as influenciaram. A seguir apresentamos as mais icônicas versões do Mardi Gras, ainda que nem de perto essa lista esteja completa.

Nova Orleans

A história do Mardi Gras em Nova Orleans poderia ser um artigo por si só. Como mencionado antes, as primeiras celebrações remontam à década de 1730. No entanto, não há uma linha ininterrupta até a festa que conhecemos atualmente. Em meados do século 19, Nova Orleans era administrada por espanhóis que tentavam acabar com a influência francesa sobre o feriado (a cidade mudou um pouco de mãosantes de se tornar parte dos EUA). Em 1856, contudo, um grupo de homens se reuniu para formar o Mystick Krewe of Comus, que se dedicava às festividades e é hoje a organização mais antiga da cidade a fazer isso. O Mystick Krewe of Comus é considerado por muitos como o responsável por transformar Nova Orleans na capital do Mardi Gras do país, ao mesmo tempo que faz dele um feriado muito centrado na tradição inglesa. A festa atrai a cada ano um grande número de turistas para a cidade, o que pode ser algo positivo ou negativo, dependendo do ponto de vista.

A estrutura do Mardi Gras de Nova Orleans gira em grande parte em torno dos inúmeros desfiles que acontecem na semana que antecede a Quarta-Feira de Cinzas. Cada desfile é feito por um krewe diferente, com suas próprias alegorias e máscaras coloridas. Esses desfiles também são famosos por conta de muita bebida alcoólica e topless, especialmente nas áreas mais turísticas da cidade.

Também não podemos deixar de mencionar os bolos reais, guloseimas inspiradas na cozinha francesa de épocas passadas. Como de praxe, um pequeno bebê de plástico é escondido dentro do bolo (para simbolizar o menino Jesus); quem encontrá-lo tem que fazer o próximo “king cake”, criando assim um sistema autoperpetuador para a sobremesa.

Acadia

Outras partes da Louisiana não celebram o Mardi Gras exatamente como o povo da cidade. Em Acadia, também conhecida como “Cajun Country”, há um tipo diferente de evento. Homens (sim, somente homens) se vestem com fantasias elaboradas e máscaras, antes de ir de casa em casa mendigando por comida. A comida é quase sempre frango e os foliões têm que fazer por merecer se realmente o querem comer. O ritual se chama Courir de Mardi Gras e varia de comunidade para comunidade, geralmente envolvendo muita bebida. O dia culmina então em uma festa onde os ingredientes reunidos ao longo da corrida são combinados para fazer uma refeição comunitária.

Rio de Janeiro

Na “cidade maravilhosa” ocorre o maior carnaval do mundo. Embora a palavra “Carnaval” possa nos lembrar de palhaços, o termo é baseado no Cristianismo (assim como Mardi Gras). Ele é derivado do latim carne levare, que literalmente significa “remover carne”, referindo-se ao fato de que, durante a Quaresma, os cristãos não devem comer carne. Começando na sexta-feira antes da Quarta-Feira de Cinzas, o Carnaval do Rio é uma grande festa de rua repleta de samba, danças, fantasias e desfiles. Ele é uma parte importante da cultura brasileira como um todo; o evento carioca é, afinal, apenas um dos muitos carnavais do país.

Veneza

Enquanto muitas versões do Mardi Gras de Veneza envolvam máscaras, nenhuma delas corresponde 100% à natureza elaborada do “Carnaval de Veneza” e seus conceituados bailes de máscaras. Entre o Natal e a Quaresma, os italianos e demais pessoas que vivem em Veneza usam máscaras altamente ornamentadas. Tais apetrechos têm estilos distintos e sua inspiração pode estar em algumas figuras históricas, como médicos que tratavam da peste ou personagens de peças teatrais.  Não é inteiramente seguro dizer onde surgiu essa tradição com máscaras, mas há decerto várias correlações com códigos e regras de vestuário que vigoravam em Veneza durante o período que antecede a Quaresma. Sabe-se que o ritual de sair de máscara nessa época do ano remonta pelo menos ao século 13. Ainda assim, houve um longo período de tempo em que a prática foi banida, após o próprio imperador romano proibi-la em 1797. Hoje, o período é marcado por desfiles, bailes e todos os tipos de entretenimento.

Sydney

A história do Mardi Gras na distante Austrália é bem diferente das outras mundo afora. Em vez de crescer a partir do Cristianismo, a festa se estabeleceu a partir de um protesto movido por membros da comunidade gay e lésbica. Em 1978, as pessoas em Sydney realizaram um desfile para participar de uma demonstração internacional em homenagem ao aniversário dos motins de Stonewall nos EUA (em junho e julho de 1969). Apesar de aprovado pelas autoridades locais, o desfile foi interrompido e dezenas de participantes foram presos, o que desencadeou muita briga e polêmica. Em consequência disso, fala-se que muitas pessoas foram expulsas de suas famílias e empregos por estarem no evento. No ano seguinte, entretanto, a comunidade não recuou e fez um novo desfile. E no próximo ano também. Mais tarde, a celebração foi transferida para ocorrer em fevereiro, durante o verão australiano. Essa parada acabou assim se conectando com o Mardi Gras. Atualmente, a festa se chama Sydney Gay and Lesbian Mardi Gras e comemora, de uma só vez, tanto o orgulho gay quanto o Mardi Gras. Ela é extremamente popular e conta, além do desfile principal, com diversas festas e outros eventos para celebrar a comunidade LGBTQ na Austrália.

Londres 

No Reino Unido, a véspera da Quarta-Feira de Cinzas é muitas vezes chamada de Terça-Feira Gorda (“Shrove Tuesday”). “Shrove” é o tempo passado de “shrive”, que significa “ser absolvido do pecado” e é algo que qualquer um gostaria de fazer antes do início da Quaresma. Há, porém, um nome um pouco mais divertido para ela: Pancake Day. Como as pessoas têm que se abster de alimentos doces e gordurosos durante a Quaresma, nada melhor do que consumi-los de antemão. Outros lugares adotaram essa tradição utilizando outras comidas, como as malasadas (donuts portugueses) no Havaí e os fasnachts (donuts alemães) na Pensilvânia. Comer panquecas é a forma mais óbvia de celebrar a data, mas em Londres e muitas outras partes do Reino Unido também há competições envolvendo as iguarias, nas quais a pessoa tem que correr enquanto vira uma panqueca na frigideira. Isso está longe de muitas festividades carnavalescas de caráter mais rabugento, mas com certeza é uma boa demonstração do mundo variado que encontramos em torno do Mardi Gras.


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Thomas Moore Devlin
Thomas cresceu na suburbana Massachusetts, e se mudou para Nova York para fazer faculdade. Ele estudou Literatura Inglesa e Linguística na Universidade de Nova York, mas passou grande parte do seu tempo trabalhando em um jornal de estudantes. Por causa disso, ele tem opiniões duras sobre o guia de estilo da AP. No seu tempo livre, ele gosta de ler e às vezes se irrita com algumas coisas no twitter. Ele também passou muito tempo tentando aprender espanhol e sabe um pouquinho de alemão.
Thomas cresceu na suburbana Massachusetts, e se mudou para Nova York para fazer faculdade. Ele estudou Literatura Inglesa e Linguística na Universidade de Nova York, mas passou grande parte do seu tempo trabalhando em um jornal de estudantes. Por causa disso, ele tem opiniões duras sobre o guia de estilo da AP. No seu tempo livre, ele gosta de ler e às vezes se irrita com algumas coisas no twitter. Ele também passou muito tempo tentando aprender espanhol e sabe um pouquinho de alemão.

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