A origem da palavra axé

Qual a origem da palvra axé? Nossa colaboradora Cecília investigou como essa palavra além de gingado também contém uma história impressionante.
Escrito Por Cecília E.
20/07/2018
A origem da palavra axé
Ilustração de Paula P. Rezende

Quem conhece a palavra axé, sabe muito bem da energia positiva que essa palavra tem! É qualquer coisa que parece fluir… Tem ritmo, tem centro, bordas, transborda… Na memória da gente, essa palavra gostosa parece quase morar lá no Brasil! E depois, vira tipo um amuleto, parece que um pedacinho de axé fica sempre com a gente! Porque axé… Ah, o axé a gente deseja de um para o outro! É algo que se recebe e se oferece, vem de dentro. Segue vivendo lá onde as palavras se emudecem… Carrega a força de seus ancestrais e acaricia os corações de todos aqueles que seguem celebrando essa linda expressão de vida. 

Como Mario Gaiarsa, psicólogo e pesquisador de culturas populares, coloca, o axé, ou asé em iorubá, é um termo que nasceu dentro da liturgia afro-brasileira e que permeia outras manifestações culturais/populares no Brasil. O axé vive e dança nas diferentes formas de expressão e resistência das culturas afro-descendentes. É considerado a própria energia vital que cada um carrega consigo para realizar algo nessa vida! É aquela vontade que se tem de deixar a sua marquinha no mundo… É tipo a “vontade de potência” do Nietzsche, ou seja, a força motriz, em que todo um conceito – ou nesse caso, palavrote! – vira a base, ou fonte, de desenvolvimento para todas as outras ideias.

Em quase todos os dicionários dessa vida, a palavra axé é explicada a partir de 4 outras palavras, essas daqui ó:

Poder

Energia

Força

Realização

Pois é! Mas o curioso mesmo é que quase todas as fontes que explicam essa palavra, também o fazem em quatro pequenas subdivisões, que a gente poderia colocar aqui como:

1. O que é o axé

2. O axé na música

3. O axé nas religiões afro-brasileiras

4. O axé na capoeira

E já que o número 4 parece ter uma relação com o axé que está tentando se explicar aqui para vocês, vamos dar uma olhadinha nessa palavra por meio da visão Quadrimembrada das organizações, de base antroposóficaAcompanhe essa brisa que ela poderá oferecer uma visão muito interessante!

No nível da identidade, ou seja, do significado propriamente dito da palavra (nível filosófico, nível do ‘eu’). Segundo os adeptos das religiões afro-brasileiras, a palavra axé é utilizada para designar vida; força manifesta em todo ser vivente ou coisa existente na natureza. É a energia e a força sagrada advinda dos orixás e pode se referir também a força mágica que sustenta os terreiros do candomblé.

No nível das relações, (nível do astral), no clima da palavra, fica fácil de pensar o axé enquanto gênero musical, oriundo das folias de carnaval em Salvador, Bahia. Nesse contexto, o axé é uma mistura de samba duro, reggae, forró. Ou seja,  está ligado a tradição dos timbais da Bahia. É uma energia fluindo e se expressando, juntando diferentes corpos num ritmo só! O axé, tal qual o Araketu que “quando toca, deixa todo mundo, pulando que nem pipoca!”

No nível dos processos, ou seja, do desenvolvimento dessa palavrinha (nível das informações). A palavra axé é utilizada principalmente no contexto das religiões afro-brasileiras e equivale a palavra amém da religião católica. Ela tem sua origem na língua iorubá, e significa principalmente força de realização e manifestação do poder divino. É apenas em 1980 que o axé baiano como conhecemos hoje sai para ruas e passa a ser um dos maiores e mais conhecidos (ou consumidos) gêneros musicais brasileiros.

No nível de recursos, ou seja, na parte material do axé (nível físico), chega a virar mensurável, latente mesmo! O desejo que a gente sente em escutar um berimbau, ver um batuque brasileiro fluindo numa roda de capoeira, num aprendizado e partilha coletiva – que é sempre tão gostoso… Que no final das contas, para essa energia boa entrar no mundo material e encontrar a sua forma de expressão, só podia ser mesmo por meio de uma luta-em-ginga, ritmo.

E quer saber de uma coisa? Essa palavra parece continuar a ser uma energia sagrada que chega a nós vinda dos orixás… Pura matéria de vida: “Um pirilampo que acende e apaga, acende e apaga’, mas que nunca deixa de brilhar...” Quem tem axé, sabe lutar e dançar tudo junto – e o faz com muita disposição!

Porque cá entre nós, começar o dia com um pouquinho de axé é muito bom! É simples, está em tudo aquilo que a nossa energia está. Desejar axé a alguém é tipo pedir boas energias e as ofertar a alguém! É vitalidade… É fé expressa… É solo fértil para o amor e contém em si bons bocados de liberdade!

E isso tudo minha gente, como já nos cantou tantas vezes a querida Ivete Sangalo:

Isso tudo aqui ‘é pra te levar no ilê

Pra te lembrar do badauê

Pra te lembrar de lá

(…)

Muito obrigada axé.

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Cecília E.
Cecília Erismann é uma poeta e artista com muitas curiosidades. Autora dos livros Poesia em Flor Menor e A dialogue between poetry and philosophy: An encounter of the writer with his reader, Cecília já teve seus textos publicados em diversas revistas, colaborações e ontologias. Atualmente ela mora em Berlin, onde consegue dar sempre um jeitinho de praticar os 5 idiomas que fala e arriscar de vez em quando uma ou outra palavrinha num outro idioma que ela ainda não conheça muito, tipo italiano.
Cecília Erismann é uma poeta e artista com muitas curiosidades. Autora dos livros Poesia em Flor Menor e A dialogue between poetry and philosophy: An encounter of the writer with his reader, Cecília já teve seus textos publicados em diversas revistas, colaborações e ontologias. Atualmente ela mora em Berlin, onde consegue dar sempre um jeitinho de praticar os 5 idiomas que fala e arriscar de vez em quando uma ou outra palavrinha num outro idioma que ela ainda não conheça muito, tipo italiano.

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