Para viajar sozinha parte 1: guia da Babbel para mulheres e pessoas queer

Conversamos com vários blogueiros e blogueiras de viagens que já saíram para descobrir o mundo de forma independente (o que quer dizer que você também pode). E traduzimos algumas frases que talvez venham a ser úteis na sua jornada!
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ESCRITO POR Steph Koyfman
Para viajar sozinha parte 1: guia da Babbel para mulheres e pessoas queer

Tempos atrás, viajar sozinha não era algo muito popular. Para quem não se enquadra no padrão homem heterossexual cisgênero, sair para desbravar o mundo podia ser bem complicado. Por sorte, isso vem mudando rapidamente.

De acordo com o Ministério do Turismo no Brasil(MTur), 17,8% das mulheres pretendiam viajar sozinhas em 2017, índice superior aos 11,8% de homens que pretendiam viajar sozinhos. Além disso, o número de buscas por viagens individuais no Google aumentou exponencialmente entre janeiro de 2015 e janeiro de 2018.

Esses dados ficam ainda mais interessantes quando analisamos quem está descobrindo o mundo por conta própria. A Solo Traveler World fez uma pesquisa com 1 000 pessoas que viajaram sozinhas em 2017 e 85,7% delas se identificaram como mulheres. O site comparou essas informações àquelas disponíveis no perfil da Solo Travel Society no Facebook: das 233000 pessoas que seguem essa comunidade (ou seja, uma amostra consideravelmente maior que a da pesquisa), 63% são mulheres, 36% são homens e 1% não se identifica em nenhum desses gêneros. Quando perguntadas por que gostam de viajar sozinhas, 46% das seguidoras da página disseram que essa preferência está relacionada à sensação de liberdade e independência, 22% disseram que não estavam dispostas a esperar por alguém que se dispusesse a viajar com elas e 15% disseram que viajar sozinha é desafiar a si mesma e um modo de ganhar confiança.

O site também tentou explicar por que há mais mulheres que viajam sozinhas do que homens. Uma das razões apresentadas é a tendência de as mulheres serem menos disponíveis do que os homens em função de suas responsabilidades diárias. Nesse sentido, viajar sozinha funcionaria como uma espécie de pausa do dia a dia. Outra razão: as mulheres são mais aventureiras do que os homens e também se sentem mais confortáveis quando estão sozinhas.

Confirmando a pesquisa da Solo Travel Society, a pesquisa da MTur feita no Brasil mostra que uma em cada sete brasileiras vai viajar sozinha nos próximos meses. Para a entrevistadas, o que mais as motivam a viajar sozinhas também é a sensação de liberdade. 

Além das mulheres, as pessoas queer e trans também têm cada vez mais viajado sozinhas. Mulheres, pessoas queer e trans apresentam inclusive preocupações muito parecidas no que se refere à segurança. É claro que os perigos que uma mulher heterossexual cis pode vir a experimentar na estrada são diferentes daqueles vivenciados por viajantes gays, transgêneros e/ou não binários. De toda forma, essas pessoas estão expostas a diversas ameaças de violência.

Apesar disso, as possibilidades estão se expandindo para essas pessoas. Aliás, a própria definição de aventureirx vem ganhando novos significados. Bani Amor, um blogueiro queer que fala sobre a descolonização da cultura de viagens, iniciou um POC Travel Book Club que destaca escritores de viagens que se consideram pessoas de cor e questiona a ideia estereotipada e de “viajar como homem branco” que remonta à problemática perspectiva imperialista europeia.

Embora muitas partes do mundo ainda sejam consideradas inseguras para mulheres e pessoas queer que queiram viajar (sozinhas ou mesmo em grupo), blogueiras e viajantes influentes estão dando um exemplo e passando por portas que até alguns anos atrás estavam fechadas. Como destacado no Segundo Relatório Global sobre Turismo LGBT, produzido em 2017 pela Organização Mundial de Turismo das Nações Unidas e pela International Gay & Lesbian Travel Association, historicamente, são poucos os destinos de férias nas Américas e na Europa considerados seguros para viajantes LGBT. Hoje em dia, porém, parece que essa preocupação se tornou um fator menos restritivo na hora de escolher um lugar para onde viajar. Um estudo global conduzido pela Community Marketing Inc., em 2015, por exemplo, descobriu que a aceitação de pessoas queer era um dos quesitos de menos importância para viajantes queer da geração X e da geração Y na hora de se decidir por um hotel. O mesmo estudo mostra ainda que 68% das famílias queer consideram a aceitação de crianças mais importante que a aceitação de pessoas queer, um aumento de 10% em relação aos dados apresentados pelo relatório de 2012.

Porém, o fato de que isso vem mudando nem sempre diminui o sabor amargo de tais experiências.

Taylan Stulting, autor do The Trans Traveler, disse o seguinte em um relato sobre sua viagem a Dubai: “Em Dubai, senti que não havia nada que eu pudesse fazer para sacrificar minha identidade e conseguir me misturar à população — e isso, é claro, fazia com que minha segurança estivesse constantemente em risco. Se, por um lado, acabei perdendo um pouco da vontade de viajar para outros lugares do Oriente Médio, por outro fiquei com ainda mais curiosidade de viver essa experiência, já que, apesar dos horríveis desafios que enfrentei, adorei Dubai”.

Pesquisar sobre seu destino e descobrir quais são os perigos associados à viagem continua sendo de extrema importância. No entanto, apesar dos riscos que ainda existem, cada vez mais pessoas estão descobrindo por si próprias que não vale a pena deixar que o medo determine suas escolhas. Falamos com viajantes influentes para conhecer suas histórias e ouvir seus conselhos. Além disso, reunimos algumas frases que talvez venham a ser úteis caso você decida sair para desbravar o mundo.

Continua em outro artigo

 

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