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Trabalhar na Alemanha: “freelando” em Berlim

Já imaginou como é trabalhar na Alemanha? Mais especificamente, em Berlim? Para quem não conhece a capital alemã, mostramos que os empregos estão muito além daquelas posições corporativas tradicionais. Veja como é “freelar” em Berlim.
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ESCRITO POR Joriam Philipe
Trabalhar na Alemanha: “freelando” em Berlim
Ilustrado por Noam Weiner

Ao trabalhar na Alemanha, você entra no co-working e sua atenção se volta para o enorme cartaz com os 17 desafios para um futuro sustentável globalmente. Três quadras de distância dali, um outro espaço têm 3 estúdios de áudio com tamanhos e propósitos distintos. Do outro lado da mesma rua, uma casa-experimento entre trabalho e vida internacional, que mais parece uma sala do início do século passado do que um escritório.

Berlim é uma imã para quem é freelancer. Pelo seu custo relativamente barato, posicionamento estratégico no continente e oportunidades borbulhantes.

Justamente por isso, por aqui você encontra todo tipo de ambiente para freelancers e pequenas empresas — de luxuosos escritórios a bunkers da Segunda Guerra reapropriados.

Nos últimos artigos, falamos sobre os preços básicos da cidade como aluguel, supermercado, cursos etc. Desta vez, vamos focar em um aspecto mais profissional: se você está cogitando se mudar para Berlim ou só passar uma temporada e aproveitar para focar no trabalho, essa lista vai mostrar alguns dos espaços mais interessantes para trabalhar na capital alemã.

Betahaus e The Factory

Os mais “gerais” da lista, a Betahaus e a Factory abrigam todo o tipo de atividade. De designers a contadores. De escritores a professores de yoga. Todo tipo de gente vem e vai!

Essa é sua principal força: aqui você encontra todo tipo de profissional para se conectar e todo tipo de serviço para contratar.

Você por acaso está procurando um Steuerberater (contador, mas a verdade é que na Alemanha a função do Steuerberater é bem mais ampla do que alguém que apenas é contador, cuidando de muitos processos legais), aqui com certeza alguém vai ter uma recomendação. Você precisa registrar uma GmbH ou Gesellschaft mit beschränkter Haftung (companhia limitada), alguém na rede deve ter feito o mesmo na última semana.

Preço mensal: 100€–200€

Preço diário: não disponível, porém, a Betahaus tem um café onde trabalhar grátis é possível

Número de eventos: alto

Qualidade dos eventos: variada

Impact Hub

A filial berlinense de um poderoso grupo internacional: o Impact Hub é um espaço único para quem tem uma ONG ou um negócio que presta serviços para o terceiro setor.

O espaço de trabalho em si não é dos maiores e nem dos mais agitados — na maior parte do tempo é mais indicado para quem quer focar nas tarefas do que fazer novos contatos. Mas não se iluda: os eventos organizados por lá atraem profissionais de impacto do mundo todo.

Além disso, grandes empresas dos setores de responsabilidade social/ambiental estão lá, como a GIZ — Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (Agência Alemã de Cooperação Internacional), que há muitos anos coopera com o Brasil em projetos sustentáveis na Amazônia. Vale a pena almoçar com esse pessoal.

Outra grande vantagem é o acesso à rede on-line que inclui todos os outros Impact Hubs ao redor do mundo, expandindo qualquer mensagem ou pedido de ajuda que você mande.

Preço mensal: 200€–300€

Preço diário: 35€

Número de eventos: baixa

Qualidade dos eventos: alta

Migration Hub

Outro espaço ligado ao terceiro setor, mas dessa vez muito mais focado: o Migration Hub acolhe projetos ligados especificamente com essa questão da mobilidade internacional.

Como todos sabemos, o mundo vive uma das maiores crises de realocação geográfica da história. As regiões que tiveram bastante impacto recentemente foram o Oriente Médio e a Europa — com a Alemanha ainda tomando uma posição de liderança, adotando por muito tempo uma política de acolher a todos. Os Flüchtlinge (refugiados) se esforçam para se integrar no novo país, mas barreiras econômicas e culturais tornam essa uma missão complicada.

Assim, espaços como o Migration Hub acabaram surgindo. Um pólo para quem deseja contribuir para amenizar essa grande crise do nosso tempo e melhorar a condição de vida de quem perdeu quase tudo.

Preço mensal: negociável

Preço diário: negociável

O Migration Hub cobra preços diferentes de seus membros. Negócios de impacto que estão apenas começando vão pagar menos que outros já melhor estabelecidos no mercado. Assim, todos contribuem para que mais projetos saiam do papel.

Número de eventos: baixa

Qualidade dos eventos: alta

 

The Venue

Um dos motivos que mais atrai turistas para Berlim é a Technokultur (em tradução livre, cultura do tecno) — os lendários clubes de Elektronische Tanzmusik (em tradução livre novamente, música eletrônica dançante), conhecida no mundo todo como EDM, atraem os curiosos e entusiastas do mundo afora.

Não é de se espantar que um espaço como The Venue tenha surgido por aqui: um co-working focado em empresas relacionadas a produção de áudio. Com um estúdio próprio, um palco e todo tipo de equipamento de som que você possa imaginar, o espaço atrai quem procura seus similares.

Músicos, produtores, criadores de equipamentos e engenheiros de som são figuras comuns pelos corredores; mas se você procurar bem, vai encontrar uma outra tribo: podcasters. A sede da rede Bear Radio é bem ali, criando e distribuindo podcasts em inglês e alemão.

Preço mensal: negociável

Preço diário: negociável

Nesse momento o The Venue só aceita como membros fixos do espaço as companhias aceleradas pela sua companhia parceira APX, que oferece investimento e espaço para projetos selecionados. Porém, eles são superabertos para parcerias e negociações mais flexíveis ou mesmo visitantes do universo do áudio.

Número de eventos: média

Qualidade dos eventos: alta

Full Node

Uma das maiores revoluções tecnológicas da última década (acelerada especialmente nos últimos 4 anos) foi a introdução dessa nova ferramenta chamada blockchain. Em tradução livre, essa expressão significa corrente de blocos, mas especialistas preferem traduzi-la para o português como protocolo da confiança. Muita gente já ouviu falar da explosão das moedas criadas com base nessa tecnologia como Bitcoin e Ethereum.

Mas a verdade é que blockchain é apenas uma matéria-prima: como cimento para um arquiteto. As possibilidades de uso são ilimitadas, e, mundo afora diversos times experimentam essa nova peça para influenciar o futuro da democracia, mobilidade urbana, segurança digital e muitas outras áreas.

Talvez pelo aspecto libertário de Berlim, a cidade acabou se tornando um dos três maiores pólos europeus para desenvolvimento de novos produtos usando blockchain. Tanto investimento e talento se encontram aqui, um espaço de trabalho dedicado exclusivamente aos projetos usando essa ferramenta foi aberto. Se você sonha com Bitcoins e contratos smart, este é o seu lugar.

Preço mensal: 300€–500€

Preço diário: 30€

Número de eventos: média

Qualidade dos eventos: variada

Afinal, onde?

Esses foram relatos de espaços que eu conheço pessoalmente pela cidade. Já trabalhei em sete localidades diferentes e participei de inúmeros eventos. Claro, aqui só listei alguns dos meus lugares preferidos.

Como vocês puderam perceber, Berlim – e seus espaços de trabalho – é uma cidade múltipla que acomoda tribos de todo o tipo. Não daria para falar de todas as localidades da cidade em um texto só, mas tomara que eu tenha deixado clara essa pluralidade e a chance de encontrar um espaço feito sob medida para a área em que você trabalha.

Aqui muitas vezes o alemão puro não basta, mais da metade dos grandes eventos da cidade – e, ah! São muitos! – são em inglês. Sorte que a gente tem as duas línguas para você não se perder.

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