Vocabulário feminista: O que saber para se empoderar

Feminismo foi a palavra de 2017. E agora, que tal colocá-lo em prática?
02/03/2020
Vocabulário feminista: O que saber para se empoderar

Ilustrado por Elena Lombardi

Feminismo x femismo

Feminismo foi a palavra do ano em 2017, de acordo com o dicionário Merriam Webster. E não é à toa: essa palavra, considerada uma das mais importantes do vocabulário feminista foi uma das vencedoras no número de pesquisas online deste ano, atingindo vários picos no número de buscas na internet. A demanda foi crescendo em resposta ao lançamento de várias notícias relacionadas e eventos. O aumento geral dessa popularidade nos diz que muitas pessoas estão interessadas nesta palavra; picos específicos nos fornecem informações sobre alguns dos motivos.

O termo ganhou muita visibilidade graças ao movimento #metoo, à Marcha das Mulheres e até mesmo graças às séries O Conto da Aia e Big Little Lies. O Brasil não ficou para trás e também falou do abuso contra as mulheres na novela global O outro lado do paraíso.

Mas, afinal, o que é o feminismo, e por que essa palavra é tão importante no vocabulário feminista?

Existem muitas vertentes do feminismo, que foi, primariamente, um movimento em prol da igualdade de direitos entre homens e mulheres (salários iguais, a mesma liberdade de ir e vir, a mesma segurança nas ruas etc.). É importante esclarecer uma coisa: o feminismo não é, de jeito nenhum, “machismo ao contrário”.

Enquanto o machismo prega a opressão às mulheres das mais diversas formas (um ótimo texto sobre esse tema pode ser encontrado aqui), o feminismo luta justamente para expor essa opressão, e assim como há um vocabulário feminista, existe também um vocabulário machista. Ambos possuem termos do universo feminino e masculino, respectivamente, que definem o orgulho de ser mulher, ou homem, e esse contraste nunca esteve tão em alta como nos dias de hoje, principalmente com a ascensão das mulheres e com a igualdade cada vez maior dos dois sexos na sociedade moderna. Mas não basta deixar na teoria, cabe a cada um avaliar suas ações e privilégios e mudar padrões de comportamento.

Voltando ao “machismo ao contrário”: a palavra que descreve esse comportamento seria o femismo, uma ideologia que prega a supremacia das mulheres sobre os homens (gerando, também, um sistema de opressão).

Dito isso, apresentamos a seguir um pequeno glossário de combinações de palavras usadas no inglês, que juntas tomam um significado único, se referindo a alguns comportamentos machistas nada legais para com as mulheres (e para com os próprios homens também, afinal o machismo também os aflige de diversas formas).

Nós já temos inclusive um artigo bem interessante sobre essa união de palavras na língua inglesa: o guia inteligente da Babbel sobre como criar novas palavras em inglês 

Manterrupting (man + interrupting = homem + interrompendo)

Esse termo vem da união de duas palavras em inglês: man, que significa homem, e interrupting, que quer dizer interrompendo. Faz referência a quando um homem interrompe uma mulher que está falando e não a deixa concluir seu discurso.

Mansplaining (man + explaining = homem + explicando)

Esse termo foi inicialmente cunhado por Rebecca Solnit, autora do livro Os homens explicam tudo para mim, que fala exatamente de como alguns homens tendem a querer desvalorizar ou até mesmo descreditar os conhecimentos de uma mulher ao explicar-lhe assuntos que ela conhece muito bem. Também vale para quando os homens querem nos explicar coisas óbvias por assumirem que, pelo fato de sermos mulheres, não podemos compreendê-las.

Bropriating (bro + appropriating = irmão + apropriando)

A palavra brother (irmão) ou, no caso, bro, seu diminutivo, aparece neste contexto não de forma positiva, mas simplesmente para se referir à figura masculina. Um bropriating acontece quando um homem se apropria de uma ideia tida por uma mulher e age como se fosse ele fosse o autor, tomando todos os créditos.

Gaslighting

O termo se originou com o filme de mesmo nome (Gaslight, 1944), em que um marido manipula emocionalmente sua esposa, a ponto de ela achar que ficou louca, só para ficar com sua herança. Gaslighting é uma tática de manipulação e violência emocional – e, apesar de também acontecer com homens, as mulheres são as vítimas mais frequentes.

A manipulação é feita com o objetivo de confundir, descreditar a pessoa e até mesmo fazer com que ela não confie mais em seu próprio julgamento.

Frases do tipo “você é muito emocional/dramática”, “você não entendeu direito”, “para de surtar” e, finalmente, a famosa “você está louca” são típicas de alguém que pratica gaslighting.

Em casos extremos, as vítimas podem sentir que perderam totalmente o controle sobre suas vidas.

Slut-shaming (slut = “vadia”; shame = vergonha)

Significa julgar uma mulher, dizendo que seu comportamento é típico de uma “vadia”. Definir o que é, ou não, apropriado para uma mulher já é, em si, algo limitante e machista. Geralmente, esse termo é usado quando uma mulher expõe sua sexualidade e seu corpo mais livremente.

Body-shaming (body = corpo; shame = vergonha)

Semelhante ao slut-shaming, o body-shaming é o ato de julgar uma mulher pelo seu corpo. De novo, geralmente acontece quando uma mulher decide expor seu corpo de forma mais livre. Além disso, padrões de beleza constantemente divulgados pela mídia reforçam esse tipo de comportamento. Como você pode ver, o vocabulário feminista e o orgulho de ser mulher se confrontam com o machismo, que também possui suas combinações únicas de palavras para denegrir o sexo feminino, e isso define um contraste muito presente nos dias de hoje.

Fontes e links para se informar mais:

https://pt.babbel.com/pt/magazine/profissionais-mulheres-da-babbel-discutem-questoes-de-genero

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/10/cultura/1499708850_128936.html

http://www.revistacapitolina.com.br/glossario-de-termos-feminismo/

https://hysteria.etc.br/ler/palavras-de-mulher/

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