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Dicas e truques para aprender um idioma parecido com o seu

Alguns idiomas têm muito em comum. Use estas dicas para acelerar o aprendizado de uma língua parecida com a sua.

Escrito por Gabriel Mestieri

Aprender um idioma não é sempre algo simples, mas pode ficar mais fácil se você tiver em mente alguns truques de como aprender.

Saber que diferentes idiomas merecem abordagens distintas é um bom ponto de partida. Para um falante nativo de inglês, por exemplo, aprender alemão será uma experiência bem distinta de aprender japonês. Por causa de sua proximidade e origem comum com o inglês, o alemão deve ser mais fácil.

Neste artigo daremos algumas dicas para aqueles que querem aprender uma língua semelhante à sua nativa. Como quase tudo na vida, há vantagens e desvantagens, mas até as dificuldades podem ser usadas ao seu favor.

1. Aproveite o fato de que muitas palavras terão radicais parecidos

Muitas palavras importantes terão radicais parecidos em idiomas próximos. O radical contém o significado básico da palavra e é a parte à qual prefixos e sufixos são adicionados – com um radical é possível formar várias palavras diferentes. Em inglês, "friend" (amigo), por exemplo, é o radical para as palavras "friendship" (amizade), "friendly" (amigável, simpático), "to befriend" (fazer amizade), entre muitas outras.

A palavra alemã "Freund" é bem parecida com sua equivalente em inglês, mas as palavras derivadas dela podem ser um pouco mais difíceis de entender: "Freundschaft" (amizade), "freundlich" (amigável, simpático), "anfreuden" (fazer amizade).

Para um falante nativo de inglês aprendendo alemão, será bem mais fácil entender como as palavras se formam e memorizar os afixos alemães mais importantes do que aprender palavra por palavra.

2. Conheça seus amigos (e separe os bons dos falsos)

O fato de que muitas palavras são parecidas ou até mesmo exatamente iguais em línguas parecidas é talvez a maior vantagem de aprender um idioma próximo ao seu. Continuando com o exemplo inglês/alemão, vejamos algumas palavras básicas: mother/Mutter (mãe), father/Vater, water/Wasser (água), three/Drei (três), beer/Bier (cerveja), fish/Fisch (peixe), butter/Butter (manteiga), warm/warm (quente)… a lista dos chamados bons amigos é imensa.

Com português e espanhol, a semelhança lexical é ainda maior. Alguns exemplos: cerveja/cerveza, dois/dos, trabalhar/trabajar, comer/comer, pronunciar/pronunciar. As semelhanças são tantas que muitas pessoas no Brasil pensam que podem falar espanhol sem nunca ter estudado, o que infelizmente não é verdade.

Entretanto, quando se trata de idiomas, nem todo amigo é um bom amigo. É preciso saber separar os bons (palavras que se parecem e têm significados semelhantes) dos falsos (palavras que se parecem ou são exatamente iguais mas têm significados distintos dependendo do idioma).

Um exemplo clássico de falso amigo inglês/alemão é a palavra "gift". Se você receber um "gift" de um falante de inglês, provavelmente ficará feliz ("gift" em inglês significa presente). Se vier de um alemão, entretanto, é melhor não aceitar, já que essa palavra significa “veneno” na língua de Goethe.

Isso pode causar bastante confusão. Mas só se você deixar isso acontecer. O fato de que uma palavra com a qual você está acostumado pode significar algo completamente diferente em outra língua pode ser tão engraçado e absurdo que será fácil memorizá-la.

A primeira coisa que aprendi em espanhol é um dos falsos amigos mais clássicos que este idioma tem com o português brasileiro: “sobrenome”, na variante do português falada no Brasil, é equivalente a “apellido” em espanhol, enquanto “apelido”, em português, pode ser traduzido para espanhol como "sobrenombre" (outras traduções possíveis são “mote” e “apodo”). Isso é tão estranho (e sensacional) que eu nunca mais esqueci.

3. Aproveite as estruturas gramaticais parecidas

A gramática varia conforme a língua, mas também existem algumas estruturas que farão uma língua estrangeira próxima soar mais familiar que outras.

Veja, por exemplo, a ordem das palavras em substantivos compostos. Em inglês e alemão, o substantivo “forte” vem sempre na última posição. Em português e espanhol, ocorre o contrário.

Inglês: toothpaste Alemão: Zahnpasta Português: pasta de dente Espanhol: pasta de dientes

Algo similar acontece com a posição dos adjetivos: em inglês e alemão, eles vêm antes do substantivo. Em espanhol e português, geralmente depois.

Inglês: the blue sky Alemão: der blaue Himmel Português: o céu azul Espanhol: el cielo azul

Os “phrasal verbs” ingleses e os verbos separáveis alemães são outro exemplo de estruturas gramaticais semelhantes. Eles não são exatamente a mesma coisa, mas é possível observar que ambos funcionam de maneira similar: uma partícula que modifica o verbo, dando a ele um significado totalmente novo.

Em inglês, por exemplo, "blow" (soprar) pode significar "explodir" com a adição de um "up" (blow up). Em alemão, "falar" (sagen) vira "cancelar" com a adição de um “ab” (absagen). Não é necessário ser um falante nativo de nenhuma dessas duas línguas para entender essas construções, mas isso com certeza ajuda.

4. Aproveite os sons parecidos

Para falar um idioma, é necessário obviamente entender e saber pronunciar seus sons. Os fonemas (unidades sonoras) à disposição dos falantes mudam de língua para língua, mas, assim como o resto, serão mais parecidos em idiomas mais próximos.

Para um falante de inglês, por exemplo, os fonemas do alemão serão mais fáceis de entender – e repetir – do que os do espanhol. Já para um falante de português, tentar repetir algo que ouviu em espanhol será mais fácil do que repetir palavras em alemão.

É claro que haverá exceções, pois mesmo línguas próximas podem ter sons bem diferentes. Assim como falantes nativos de espanhol têm dificuldade em pronunciar os sons nasais do português, não é especialmente fácil para ingleses e americanos pronunciar palavras alemãs como Streichholzschächtelchen (confira outras palavras alemãs difíceis e as dicas para pronunciá-las corretamente aqui).

Mas, em termos gerais, a proximidade é um fator positivo. Experimente você mesmo. Escute e tente repetir algumas palavras em espanhol. Depois, em alemão. A diferença no nível de dificuldade é bem grande.

5. Treine seu cérebro para deduzir coisas a partir do contexto.

Você aprendeu as primeiras lições, já entende o idioma razoavelmente bem (afinal, ele é parecido com o seu) e chegou finalmente o momento de assistir a um filme sem legendas (ou com as legendas no idioma original). Tudo vai muito bem nos primeiros minutos, mas então você começa a não entender algumas palavras. Não se desespere!

Vários elementos podem ajudar você a entender o que aquela palavra significa, como o contexto, a expressão facial e, claro, a semelhança com seu próprio idioma.

Deduzir o significado de uma palavra desconhecida será mais fácil quando o contexto for menos estranho para você. Entender a ideia geral de uma fala, ainda que nem tudo seja compreendido, também.

6. Faça um esforço extra

O aprendizado de um idioma parecido com o seu deverá ser mais rápido do que o de um muito diferente. Você será capaz de atingir mais resultados em menos tempo.

Mas isso não deve ser uma desculpa para praticar menos. Pelo contrário: aproveite para atingir seus objetivos mais cedo.

Proponha desafios para você mesmo e faça de tudo para alcançá-los. Metas menores geralmente funcionam melhor: é melhor aprender como fazer o pedido em um restaurante em uma semana do que tentar terminar um nível em um mês, por exemplo. Objetivos muito ambiciosos costumam ser vagos e irrealistas e você acabará se frustrando.

Tente usar as dicas acima e você logo perceberá que aqueles primos aparentemente complicados da sua língua-materna podem ser bem mais fáceis de aprender do que você esperava.


Ilustrações por Chaim Garcia

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