Os 6 idiomas mais difíceis de aprender se você fala português

Estudar um idioma sempre envolve bastante dedicação, a lista abaixo exige um pouquinho mais de esforço, paciência e memória.
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ESCRITO POR Gabriel B.
Os 6 idiomas mais difíceis de aprender se você fala português

Existem idiomas mais difíceis de aprender? Afinal, porque algumas línguas são classificadas como mais fáceis do que outras? Claro, tudo depende de perspectiva.

Você é do time que acha que o português é um dos idiomas mais difíceis de aprender? Exageros à parte, temos até algumas palavrinhas mais complexas de se pronunciar, como inconstitucionalissimamente e histerossalpingográfico, mas ter palavras complicadas não é uma exclusividade lusófona. 

Quer um exemplo? Veja só essa maravilha do alemão: Streichholzschächtelchen (caixinhas de fósforos). Sabe pronunciá-la? Pois é.

O português possui sim uma aparente infinidade de conjunções e tempos verbais que podem ser para lá de confusos para quem é estrangeiro. Contudo, está longe de ser o idioma mais intricado desse nosso universo.

Para medir a dificuldade de uma língua, podemos analisar critérios como a árvore genealógica – quanto mais distante da nossa raiz românica, menos semelhanças existem com o português –, vocabulário, alfabeto e pronúncia.

Também não dá para negar que o esforço e a dedicação de cada estudante tem um papel crucial no aprendizado. Ou seja, dependendo, quem sabe você vai achar mandarim super fácil!

Os idiomas abaixo estão no topo do ranking no quesito dificuldade para quem tem o português como língua nativa (e, convenhamos, elas não são fáceis no geral).

Os 6 idiomas mais difíceis de aprender se você fala português

6 – Russo

russo

Esse idioma europeu com cerca de 166 milhões de falantes nativos faz parte da ramificação leste da família eslava. O russo é a língua oficial da Rússia (claro!), Belarus, Quirguistão e Cazaquistão, além de ser usado na Ucrânia e em diversos países da antiga União Soviética.

A falta de semelhanças com o português é uma das maiores barreiras para o aprendizado do russo, a começar pelo alfabeto composto por caracteres cirílicos. São 33 letras (10 vogais, 21 consoantes e 2 sinais [ь, ъ]), que pouco lembram a grafia latina/românica.

E sabe esse dois sinais que mencionamos? Eles sequer possuem som!! Servem para indicar a pronuncia suave ou dura de uma letra.

Isso mesmo, há diversas formas de se falar cada letra, incluindo a sonoridade aberta, dura e suave. Logo, um som um pouco diferente pode dar outro significado a uma palavra.

Ainda não está convencido sobre a dificuldade do idioma russo? Cada verbo possui dois infinitivos e há seis casos de substantivos: nominativo, genitivo, dativo, acusativo, instrumental e preposicional. Isso significa que existe uma declinação para cada uma dessas formas. Haja memória para decorar tudo isso! 

5 –  Vietnamita

vietnamita

A língua da família Mon-khmer tem mais de 70 milhões de falantes nativos e até usa o alfabeto latino, uma herança do período colonial francês. Mas as semelhanças com o português não vão muito além disso. 

Grande parte do vocabulário tem influência do chinês e do tailandês. Algumas palavras do francês ainda resistem, como savon/sabão/xà phòng e valise/maleta/va li, o que pode trazer algum alento aos falantes de português.

Como o idioma é tonal, a forma como se pronuncia uma palavra com consoantes idênticas e sequências de vogais muda completamente o seu significado. 

Mas, nem tudo é desespero! A gramática do vietnamita é relativamente simples. Ao menos a forma como as frases são compostas: sujeito + verbo + objeto. Por outro lado, o complexo sistema de seis tons do idioma é um obstáculo de peso a superar. 

4 – Coreano

coreano

Fortemente influenciado pelo chinês e, em menor grau, pelo japonês, o coreano tem mais de 75 milhões de falantes nativos espalhados pelo mundo (48 milhões na Coreia do Sul, 24 milhões na Coreia do Norte, 2 milhões na China e cerca de 1 milhão nos Estados Unidos). 

Integrante da família isolada, o idioma possui pequenas diferenças de grafia e vocabulário nas duas Coreias, mas os países tentam seguir um mesmo padrão.

O sistema de escrita é o Hangul, uma série de símbolos que consistem em 24 letras (14 consoantes e 10 vogais). A combinação dessas letras gera cinco consoantes duplas e 11 ditongos. 

Esses símbolos estão longe de ser simples para os usuários do alfabeto latino. Por outro lado, o Hangul é considerado um dos sistemas mais lógicos do mundo. É uma mistura de alfabeto e silabário, indicando o som de cada palavra. Em blocos, formam sílabas e palavras.

Antes desse sistema, criado no século XV, o país usava caracteres chineses, que nem sempre representavam bem a fala coreana, que é foneticamente bem complexa.

Em termos de gramática, nem sempre as frases são compostas por sujeito + verbo + objeto. Essa ordem pode variar. Uma dica é prestar atenção sempre até o fim da frase porque é lá que aparecerão os verbos, seus tempos e expressões relevantes.

Grande parte das frases também vêm com palavras com partículas agregadas para indicar o seu papel na sentença, como objeto ou sujeito. E você achando que russo era difícil!  

3 – Japonês

japonês

Membro da família japônica, o japonês tem em torno de 127 milhões de falantes nativos. Entre outros aspectos, o idioma cria certo pânico em estudantes por seu alfabeto com milhares de ideogramas baseados em caracteres chineses para se memorizar.

O sistema de escrita é composto pelo Kanji, Hiragana e Katakana (dois silabários de 46 caracteres cada que juntos são chamados de Kana). Os textos podem aparecer no estilo ocidental (em linhas horizontais, de cima para baixo) ou em formato tradicional (colunas verticais do topo para o pé da página, do lado direito para o esquerdo). 

A boa notícia é que a gramática se mantêm estável por tantos séculos que é possível ler clássicos super antigos sem grandes problemas. Mas a ordem das frases, em geral, é baseada em sujeito+objeto+verbo. Além disso, é preciso saber usar o artigo correto porque eles indicam sujeitos, movimento, objeto, perguntas, entre outras coisas.

2 – Mandarim

mandarim

O mandarim é a forma mais falada do chinês, com mais de 900 milhões de nativos. Esse idioma tonal da família sino-tibetana apresenta um grande desafio de memória a quem deseja desbravá-lo: há cerca de 50 mil caracteres no alfabeto, sendo que chineses com um alto nível de educação conhecem “apenas” 8 mil destes. 

Para entender o básico do que está escrito nas capas de jornais, estima-se que seja necessário saber algo como 3 mil caracteres!! É muita coisa, mas ainda assim já é um alívio não ter que lembrar os outros 47 mil logos.

O mandarim utiliza quatro tons e um neutro (alto-contínuo, crescendo, caindo-crescendo, e caindo) para distinguir palavras e sílabas que possuem as mesmas consoantes/vogais, mas têm significados diferentes. Por exemplo, mā, má, mǎ e mà significam, respectivamente, mãe, cânhamo, cavalo e repreender, embora sejam escritas quase da mesma forma. 

Já deu para sentir o drama, não? 

1 – Árabe

arabe

E o topo desta lista ficou com esse idioma da família semítica, com mais de 310 milhões de falantes nativos que nem sempre se entendem. Pois é, o árabe tem tanto dialetos e subdialetos que, em alguns casos, é difícil até mesmo para quem usa a língua desde pequeno compreender alguém de outro país árabe.

O árabe clássico, baseado no idioma encontrado no Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos)  é uniforme no mundo árabe, embora inclua modificações para seu uso moderno. Por outro lado, árabe coloquial engloba uma série de dialetos de diversos países e regiões. Muitas vezes, ninguém se entende.  

Os dialetos mais comuns são os Arábia Saudita, Iraque, Síria, Egito e Norte da África. Em geral, ainda é comum que o dialeto do Egito seja usado como uma espécie de modelo por muitos falantes de outras versões da língua. Essa influência está ligada, entre outros aspectos, ao sucesso do cinema egípcio na região.

Emissoras de  notícias que transmitem para todo o mundo árabe, como a BBC ou Al-Jazeera, costumam utilizar o árabe clássico moderno. 

Outros aspecto que aumenta ainda mais o nível de dificuldade para falantes do português é o seu alfabeto. Como se já não bastasse os símbolos serem super difíceis de distinguir/memorizar, todas as 28 letras representam consoantes. Contudo (pausa para mais um momento de confusão) as letras alif, waw, e ya são usadas para representar as vogais longas a, u, e i.

Seu cérebro ainda não deu curto-circuito? Desafio aceito! Provavelmente você já sabia que o sistema de escrita do árabe começa da direita para a esquerda. Mas sabia que o formato de cada letra muda conforme a sua posição na palavra? Fica a dica, e boa sorte!

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