Está começando a estudar inglês? Não tenha vergonha de ler livros infantis.

É claro que livros infantis não são apenas para crianças. Eles podem agregar muito valor à vida de qualquer um e nos ajudam a aprender um novo idioma. Leia mais.
Escrito Por Gabriel B.
Está começando a estudar inglês? Não tenha vergonha de ler livros infantis.

Mesmo que você já seja um adulto, as obras para crianças têm muito a ensinar sobre qualquer idioma. Afinal, elas são pensadas para ajudar os pequenos a aprender novas palavras e formas diferentes de utilizar a língua.

Ao começar a estudar inglês, bastante gente logo fica desmotivada por não entender muito do que a/o professor/a diz na sala de aula. Tudo bem, esse sentimento é normal. Só não desista! Com um pouquinho de esforço, é possível ganhar vocabulário rápido e compreender cada vez mais o idioma anglo-saxão. 

Pode até parecer meio estranho, mas uma forma eficiente de aprender novas palavras e como usar as estruturas do inglês é lendo livros infantis. Isso mesmo, não tenha vergonha de comprar ou pedir emprestado os livrinhos de primos, filhos de amigos e sobrinhos para estudar o idioma de William Shakespeare. Essa estratégia dá resultado e, de quebra, você ainda vai ter assunto para conversar com os pequenos.

Livros infantis são uma fonte preciosa de conhecimentos linguísticos também para os adultos. Os autores destes materiais os desenvolveram para ajudar as crianças a incrementar o seu vocabulário e a descobrir estruturas de frases, tempos verbais, gramática e expressões da maneira mais interessante possível.

Aprender um idioma é um processo estruturado à partir do nível mais simples até o mais complexo. Então comece com leituras adequadas ao seu conhecimento. Aos poucos, você vai evoluir e enfrentar novos desafios do idioma. 

Abaixo, a Babbel deixa algumas sugestões de livros infantis para abrir o seu caminho na literatura inglesa. E, no fim deste texto, também preparamos um pequeno glossário. Aproveite e divirta-se!

The Giving Tree, de Shel Silverstein (1964)

Já falamos sobre esse clássico da literatura infantil neste texto, mas vale a pena revisitar essa obra que vendeu mais de cinco milhões de cópias em todo o mundo. Ela é um excelente exemplo de como transmitir uma mensagem complexa usando uma linguagem simples. E para quem não deseja ler o livro com as ilustrações originais, o texto é bem pequeno: apenas duas páginas. 

The Giving Tree narra as diversas fases da amizade entre uma árvore e um garoto/homem ao longo de algumas décadas. O livro aborda de forma sensível conceitos como amar sem esperar nada em retorno, o egoísmo e a ternura de perdoar quem te machucou.

A obra de Silverstein é uma ótima opção para estudantes do nível A1, que ainda não têm muito vocabulário ou confiança para entender frases complexas. As sentenças são diretas e curtas – a maioria dos verbos está no simple past e no simple present. Por exemplo: “I want to buy things and have fun. I want some money. Can you give me some money?”

O livro fornece ainda vocabulário sobre natureza, ações (subir na árvore = climb up the tree, por exemplo) e estados emocionais.

Where the Wild Things Are, de Maurice Sendak (1963)

Essa premiada e imaginativa aventura é uma leitura prazerosa por si só, mas ganha outra dimensão graças às ilustrações excepcionais de Sendak. Não é por acaso que o livro vendeu mais de 20 milhões de cópias em todo o mundo, rendeu uma opera infantil e até mesmo um filme em “live-action”/animação em 2009. 

Considerado um dos melhores livros infantis da história, Where the Wild Things Are é protagonizado por Max, um garoto vestido em um traje de lobo cujas travessuras causam caos em casa. Um dia, sua mãe o chama de “monstro”, ao que ele retruca com um “vou te comer”. A resposta rende-lhe como castigo ir para o seu quarto sem jantar. 

Ali, Max é transportado para um universo fantasioso. O quarto se transforma em uma floresta e um barco privado chega pelo mar para levá-lo à ilha onde vivem os monstros.

A curta história é repleta de palavras pouco usadas no dia-a-dia, como rumpus (tumulto), sail off (navegar/partir para) e gnash (ranger). As conjugações verbais estão, em grande parte, no simple past e embora a leitura seja um pouco mais desafiadora, a linguagem ainda é simples de seguir. Por exemplo: Then all around from far away across the world he smelled good things to eat

Também há exemplos de uso de voz-passiva (passive voice). “So he was sent to bed without eating anything.” De qualquer forma, vale a pena explorar esse livro nem que seja apenas pelas ilustrações.

Livros infantis

The Cat in the Hat, de Dr. Seuss (1957)

Um dos livros mais famosos do escritor infantil norte-americano Theodor Seuss Geisel, ou Dr. Seuss, The Cat in the Hat tornou-se um clássico entre crianças de diversas gerações. A obra vendeu mais de 15 milhões de cópias no mundo e teve até uma má recebida adaptação live-action para o cinema em 2003, estrelada por Mike Myers e Dakota Fanning. 

A história se passa em um dia chuvoso, nublado e frio. Duas crianças estão sentadas em frente à janela da sala de estar, entediadas por não poderem brincar do lado de fora devido ao tempo ruim. A mãe deles não está em casa. 

É então que um gato com um chapéu entra pela porta da frente oferecendo uma variedade de atrações para animar as crianças. Assustadas e sem saber como reagir, elas observam as travessuras do felino e de suas criaturas causarem um alvoroço na casa. 

A obra visa estimular crianças pequenas a tentarem ler o texto sozinhas. A maior parte dos verbos está no simple present e simple past. E o vocabulário é super útil, repleto de palavras que indicam ações (play = brincar, sit = sentar, etc) e nomes de objetos. 

Aprender novas palavras fica ainda mais fácil porque as ilustrações mostram os objetos citados pelos personagens, em uma forma eficiente de associar imagem a nomes. Além disso, o texto é criado com rimas quase musicais. Por exemplo: 

But I like to be here.
Oh, I like it a lot!”

Said the Cat in the Hat

To the fish in the pot.

Ah, e o livro também ensina algumas perguntas, como How do you do? (Como vai?) e What did you do? (O que você fez?). 

Little Riding Hood, autor e data desconhecidos

Como é possível que não saibamos com certeza quem criou (e quando) um dos contos mais famosos da história? Pois é, a fábula de Chapeuzinho Vermelho tem suas origens em uma vasta tradição folclórica europeia de narrativa oral. Por isso, de acordo com a British Library, fica difícil atribuir a narrativa a um autor específico. 

Sabe-se, contudo, que o autor francês Charles Perrault publicou pela primeira vez uma série desses contos europeus em uma coletânea em 1697. Mas a história foi recontada tantas vezes que passou por inúmeras adaptações. 

Quase todos conhecem a trama: Chapeuzinho tem que levar uma cesta com bolos e doces para a sua avó doente. A mãe da menina pede que ela não passe pela floresta e não fale com estranhos. Mas ela a desobedece e conta a um lobo para onde vai. 

O lobo chega antes à casa da avó de Chapeuzinho e devora a idosa. Quando a menina aparece, o animal tenta se passar pela senhorinha. Na versão mais moderna do conto, a menina e a avó são salvas por um lenhador. Na original, não há ninguém para impedir o trágico destino da garota.

A moral da história é que não se deve confiar em estranhos, o que Chapeuzinho fez mesmo percebendo que o lobo vestido como sua avó tinha braços peludos e orelhas pontudas. 

O conto já apareceu em versos, texto corrido, cinema, desenhos, animações, etc. Sugerimos esta versão publicada em 1810, disponível online na British Library. Como é de se esperar, o vocabulário é mais antigo e as frases são estruturadas de maneira mais antiquada. Por exemplo: To your Grandmamma take: this custard so nice, pot of butter and cake (Para a sua vovó leve: esse doce tão bom, pote de manteiga e bolo, em tradução livre). 

Em “this custard so nice”, o adjetivo nice aparece depois do sujeito (custard), mas no inglês moderno o oposto seria mais comum: this nice custard. Vale ressaltar que o autor pode ter optado por essa composição por motivos sonoros e de rimas. 

Glossário de contos de fadas

Agora que você já está pronta/o para estudar inglês com a ajuda da literatura infantil, separamos algumas palavras comuns nessas histórias para incrementar o seu vocabulário. 

Adventure = aventura.

Antagonist  = antagonista.

Carriage = carruagem. 

Castle = castelo. 

Chapter = capítulo. 

Character = personagem (mais comum)/caráter (menos comum). 

Curse = maldição.

Custard = doce/creme (em geral, com ovos). 

Damsel = donzela.

Enchanted = encantado.

Enemy = inimigo. 

Fairytale = conto de fadas. 

Forest = floresta. 

Goblin = gnomo/duede malévolo.

Hero = herói. 

Magic wand = varinha mágica/varinha de condão. 

Magic = mágica.

Monster = monstro. 

Myth = mito. 

Ogre = ogro.

Plot = trama. 

Prince charming = princípe encantado.

Protagonist = protagonista. 

Spell = feitiço. 

Wicked = perverso/maligno. 

Woodcutter = lenhador.

Se você está interessado em outras formas de melhorar seus conhecimentos linguísticos além dos livros infantis, então dê uma olhada nesses artigos:

Como aprender idiomas em casa.
Como assistir filmes e aprender um idioma ao mesmo tempo.
Quais podcasts são bons para começar a aprender inglês.

Se você já leu esses livros infantis, descubra outras formas de melhorar o seu inglês.
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Gabriel B.
Gabriel Bonis é jornalista, especialista em Direito Internacional para Refugiados e mestre em Relações Internacionais pela Queen Mary University of London. Ele passa a maior parte do seu tempo escrevendo sobre direitos humanos, ajudando refugiados a lidar com seus processos de asilo e estudando alguma língua nova. Atualmente, vive em Berlim. Siga-o no Twitter (@gbonis).
Gabriel Bonis é jornalista, especialista em Direito Internacional para Refugiados e mestre em Relações Internacionais pela Queen Mary University of London. Ele passa a maior parte do seu tempo escrevendo sobre direitos humanos, ajudando refugiados a lidar com seus processos de asilo e estudando alguma língua nova. Atualmente, vive em Berlim. Siga-o no Twitter (@gbonis).

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