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Como as pessoas de todo o mundo fazem resoluções

Desde queimar efígies até beber cinzas, há em todo o planeta inúmeras maneiras de aderir a novos hábitos, em decisões geralmente tomadas na virada de um ano.
Como as pessoas de todo o mundo fazem resoluções

Cerca de 45% das pessoas nos Estados Unidos fazem promessas a fim de melhorar a si mesmas de alguma forma. De fato, tais resoluções modernas são uma ideia bem americana, pois fazem parte da identidade individualista e esforçada que integra a cultura de autoajuda do país. Ainda assim, isso não acontece somente nos Estados Unidos.

Para responder à curiosidade sobre como o tema é tratado no resto do mundo, buscamos conhecer e apresentar alguns dos costumes tradicionais em outros países. Com isso, comprovamos também que o Dia de Ano Novo é usado por quase todo canto para refletir sobre o passado e planejar o futuro.

Origem na Babilônia

A tradição de fazer resoluções de ano novo remonta a mais de 4.000 anos. Com efeito, historiadores descobriram que as primeiras pessoas que registraram suas decisões também foram as primeiras a celebrar um “ano novo”: os babilônios. Durante um festival de 12 dias no início da época de plantio, em meados de março, eles faziam promessas a seus deuses e geralmente pediam que bens e objetos fossem devolvidos a seus legítimos proprietários.

Mais à frente na história da humanidade, os romanos estabeleceram o dia 1º de janeiro como início de ano. Antes, semelhante aos babilônios, Roma contava com 1º de março para dar início a um ano novo. Contudo, em algum momento por volta de 46 a.C., a data foi antecipada algumas semanas para janeiro. Isso aconteceu em parte devido ao mês que leva o nome do deus romano Jano, uma entidade de dois rostos que, segundo reza a lenda, olhou para trás e avançou para o novo. Era apropriado, então, que no Dia de Ano Novo os romanos prometessem a Janus de que se comportariam bem no próximo ciclo.

Embora o Dia de Ano Novo não seja tecnicamente um feriado cristão, isso não impediu o Cristianismo do século XVIII de estabelecer uma missa em sua celebração. Alguns ramos da igreja passaram a realizar uma missa na véspera ou no próprio Dia de Ano Novo, convidando seus paroquianos a refletir sobre o tempo passado e a se decidir por aperfeiçoamentos no período por vir.

Mas o cunho religioso por trás de todas essas tradições vem diminuindo cada vez mais entre as resoluções que tomamos durante a virada dos anos. Hoje, as promessas e decisões têm um caráter muito mais subjetivo e individual. Naturalmente, isso significa que a única pessoa por quem você é responsável é você mesmo.

Uma rápida volta pelo mundo

Em 2013, o Google Zeitgeist lançou um projeto que questionava os participantes sobre suas resoluções. Pessoas de todo o planeta enviaram respostas. O resultado mostra claramente que nem todas as culturas têm o costume de fazer resoluções. A América do Norte e a Europa, por exemplo, exibem uma afinidade muito maior com o assunto do que a África ou a Ásia. E entre os países onde as pessoas estão habituadas a fazer promessas de fim de ano existe uma grande variedade de como elas exatamente tomam essas decisões. Desde tradições envolvendo champanhe até decisões mais radicais quanto a própria definição da palavra, não há um consenso claro sobre o que caracteriza uma “resolução”. Aqui estão alguns exemplos de resoluções mundo afora (e de como elas são feitas).

Estados Unidos

Decidir mudar e fazer algo para melhorar são comprometimentos enraizados na cultura norte-americana. Mas, junto com isso, existe outra grande tradição no país: desistir da resoluções tomadas. Embora quase a metade das pessoas nos Estados Unidos faça promessas de fim de ano, menos de 10% delas são realmente cumpridas.

Entre todo tipo de palavra que os norte-americanos podem dar há algumas resoluções muito populares, por exemplo: se alimentar de modo mais saudável, se exercitar mais, ler mais, passar mais tempo com a família ou aprender algo novo. O único denominador comum aqui é que todas as promessas são voltadas ao aperfeiçoamento e ao avanço pessoal.

Colômbia

Se você traduzir “resoluções” diretamente para o espanhol, você obtém o termo resoluciones. Mas, quando o relógio chega à meia-noite e entramos no dia 1º de janeiro, não são  resoluciones que são feitas, mas sim deseos (“desejos”). Uma tradição entre os colombianos é que, para cada toque do sino à meia-noite, uma pessoa come uma uva e faz um desejo. Isso significa 12 uvas e 12 desejos no total (ou sete desejos, dependendo dos costumes de cada região). Essa tradição provavelmente veio da Espanha, apesar de um pouco diferente, e

os desejos colombianos nada mais são que as resoluções nos Estados Unidos. Você não “desejaria” comer de maneira mais saudável mas, em vez disso, plena saúde no novo ano. Há outras tradições associadas que também são usadas para os desejos específicos de alguém. Para um ano com fartura e abundância, os colombianos enchem seus bolsos com lentilhas durante o Réveillon. Se, em vez disso, eles quiserem viajar bastante, então dão à meia-noite uma volta no quarteirão com uma mala de viagem. Alguns até mesmo escrevem seus desejos em um pedaço de papel e o carregam consigo ao longo de todo o ano: no próximo dia 31 de dezembro, esse bilhete é queimado antes de dar espaço para um novo.

Itália

De todas as formas contemporâneas de fazer resoluções ao redor do mundo aqui mencionadas, as tradições italianas são as mais próximas das dos Estados Unidos. Na Itália, as pessoas nutrem o que chamam de buoni propositi, ou “boas intenções.” Isso pode incluir para de fumar, praticar mais esporte ou uma série de outras coisas.

Alguns italianos têm igualmente outros costumes para essa época. Certas comidas trazem boa sorte se forem saboreadas na virada do ano: por exemplo, a carne de porco “engorda” as carteiras e as ervilhas garantem bonança. A Itália também é uma das nações onde se acredita que, se você estiver usando certo tipo de roupa íntima, terá sorte no novo ano.  Em geral, os italianos escolhem a cor vermelha para a calcinha ou a cueca. Porém, como o costume pode variar, certifique-se de ter algumas opções diferentes à disposição.

China

O Ano Novo Chinês não é em 1º de janeiro, mas o conceito é basicamente o mesmo. O “Lantern Festival” é uma celebração de duas semanas que começa na primeira lua cheia entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro, culminando enfim no Ano Novo Lunar. Ao todo, trata-se de um período intenso que causa uma das maiores migrações humanas do mundo moderno, com milhões de pessoas viajando para ver suas famílias.

No que diz respeito às resoluções, as tradições chinesas não são de modo algum como as norte-americanas. Em vez de fazer metas para o próximo ano, os chineses visam garantir sorte e prosperidade. Isso é feito de várias maneiras durante o festival das lanternas: a cor vermelha, um jantar para reunir pessoas queridas, o número oito e mais outros, por exemplo, são considerados amuletos para atrair coisas boas no ano seguinte.

Rússia

O Ano Novo é o feriado mais importante entre os russos. Como a religião foi banida da região à força quando os bolcheviques subiram ao poder para construir a antiga União Soviética, os feriados religiosos praticamente desapareceram. Com o “buraco” do tamanho de um Natal que restou em dezembro, as pessoas do país começaram a comemorar no Ano Novo. A tradição chega ao ponto de ter uma Novogodnyaya Yolka, ou seja, uma árvore própria, que é decorada com luzes e uma estrela na ponta mais alta.

Ainda que muitas tradições do Ano Novo tenham importado rituais do Natal, elas ainda asseguram diversão para todo um período específico. Assim como os colombianos e os habitantes de vários outros países mundo afora, os russos fazem desejos em vez de resoluções. Eles anotam seus desejos em um pedaço de papel, que depois é queimado. Só que lá as cinzas são colocadas em uma taça de champanhe que será bebida à meia-noite.


Aprender um idioma é uma das suas resoluções de Ano Novo? Nesse caso, temos alguns textos úteis para você dar o pontapé inicial:

Adicione o aprendizado de um novo idioma à sua lista de resoluções de Ano Novo.
Thomas Moore Devlin
Thomas cresceu na suburbana Massachusetts, e se mudou para Nova York para fazer faculdade. Ele estudou Literatura Inglesa e Linguística na Universidade de Nova York, mas passou grande parte do seu tempo trabalhando em um jornal de estudantes. Por causa disso, ele tem opiniões duras sobre o guia de estilo da AP. No seu tempo livre, ele gosta de ler e às vezes se irrita com algumas coisas no twitter. Ele também passou muito tempo tentando aprender espanhol e sabe um pouquinho de alemão.
Thomas cresceu na suburbana Massachusetts, e se mudou para Nova York para fazer faculdade. Ele estudou Literatura Inglesa e Linguística na Universidade de Nova York, mas passou grande parte do seu tempo trabalhando em um jornal de estudantes. Por causa disso, ele tem opiniões duras sobre o guia de estilo da AP. No seu tempo livre, ele gosta de ler e às vezes se irrita com algumas coisas no twitter. Ele também passou muito tempo tentando aprender espanhol e sabe um pouquinho de alemão.

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