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Como aprendi um idioma depois de adulta: algumas dicas e considerações

Aprender um idioma quando adulto é tão fácil quanto aprender quando criança. Veja como isso é possível no artigo a seguir.
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Como aprendi um idioma depois de adulta: algumas dicas e considerações

Quando comecei a estudar inglês, no começo da minha adolescência, sempre ouvia a mesma máxima: “Aprender um novo idioma é muito mais fácil quando você é jovem!”. Sem dúvida, os anos de estudo lá atrás contribuíram muito para o que preciso encarar no presente. Mas, depois de me mudar para Alemanha e ter que aprender alemão, comecei a me questionar se essa premissa é realmente fato ou se não passa de mitologia linguística.

No livro Becoming Fluent: How Cognitive Science Can Help Adults Learn a Foreign Language (“Tornando-se fluente: como a ciência cognitiva pode ajudar adultos a aprender um idioma estrangeiro”, em tradução livre), os psicólogos Richard Roberts e Roger Kreuz desmistificam a crença de que aprender um idioma quando criança é mais fácil e enumeram as diferentes vantagens que crianças e adultos têm na hora de aprender uma nova língua.

De acordo com os autores, adultos podem, sim, aprender um idioma com mais facilidade do que uma criança. Isso acontece porque eles já têm experiência de aprendizado (eles já aprenderam, entre outras coisas, sua língua materna) e entendem como sua mente funciona. As crianças, por sua vez, têm a vantagem de adquirir o sotaque nativo com mais facilidade, já que são muito novas para ter qualquer vício de linguagem. Além disso, os pequenos possuem outro fator determinante a seu favor: eles não sofrem com a ansiedade nem com a pressão de aprender um idioma e não praticam a autossabotagem, geralmente fruto dessa mesma ansiedade. Ou seja, a grande razão por trás do eventual fracasso quando um adulto se dispõe a aprender idiomas é… ele mesmo. Não digo isso no sentido da preguiça ou da falta de dedicação (o que seria assunto para outro artigo), mas sim levando em consideração as convenções sociais sobre o que é certo ou errado, o medo de errar e a própria definição de sucesso. Bom, vou parando por aqui para o texto não virar uma terapia on-line…

Pensando na teoria de Roberts e Kreuz, analisei o que me ajudou a aprender um novo idioma depois de adulta. A seguir, relaciono dez pontos que consegui identificar. E, por mais que não se trate de nada muito inovador (nem de uma fórmula mágica), acredito que ler e refletir sobre esse tema pode ajudar você a começar a aprender um novo idioma de fato – e depois de adulto.

1. Comece do começo

Por mais boba que essa dica pareça, ela realmente faz uma grande diferença, tanto no momento presente como mais lá para a frente. Começar no seu nível (ou desde o princípio, caso você não saiba nada do idioma) faz com que a probabilidade de você se assustar seja menor. É claro que você pode navegar por aquela lição mais avançada para ver se entende alguma coisa, ou baixar uma lista de vocabulário mais sofisticada. Mas, no final do dia, a sensação de progresso quando você estuda no seu nível e consegue acertar os exercícios é mais gratificante do que tentar assistir a filmes sem legenda logo de cara, por exemplo. Não espere entender ou pegar muita coisa desde o início. Faça um favor para você: não se deixe impressionar pelo volume do que você deve aprender para ficar fluente. Lembre-se: uma caminhada começa sempre com o primeiro passo.

2. Está no meio do caminho? Continue andando

Esse ponto tem muito a ver com o primeiro. Você já está estudando há um tempo, consegue ler algumas coisas mais complicadas e até mesmo se virar quando precisa usar o novo idioma. Mas ter aquela conversa com a mesma fluência que você teria falando português ou assistir a filmes sem legenda ainda não está rolando… É, lamento informar, mas você está no estágio que eu gosto de chamar de “empacão” (de empacado): parece que você empacou nesse nível intermediário. Nesse momento, é importante entender o que funciona melhor como técnicas de aprendizado. Afinal, o básico você já sabe. A saída é se perguntar: aprendo melhor ouvindo ou lendo? Gosto mais de escrever ou de falar? Preciso falar mais com nativos do idioma? Escutar mais rádio? Descubra aquilo que faz seu aprendizado deslanchar e pratique essa estratégia repetidamente. Acredite: quando você menos esperar, vai estar no nível avançado.

3. Conheça a sua própria gramática

Realmente, não tem como escapar desse ponto. Se você não conhece a gramática do português, pelo menos o básico, vai ser muito mais difícil entender a gramática de qualquer outro idioma. Quando comecei a estudar francês, tive que revisar o português – inclusive porque as duas gramáticas são bem parecidas –, e isso me ajudou muito a entender a lógica francesa. Mais adiante, esse conhecimento me ajudou a entender o alemão, que tem uma gramática bem mais complexa e completamente diferente de tudo o que eu já tinha estudado. Uma das vantagens de aprender uma novo idioma depois de adulto é justamente essa: você tem mais repertório para entender outras lógicas.

4. Aceite seus erros

Todo mundo comete erros. Não tenha vergonha. Aprenda com eles. Nessa hora, deixe a criança tomar conta e fale (ou escreva, leia etc) sem medo de ser feliz. Eu sei que esse é o tipo de coisa fácil de falar, mas difícil de fazer. Na hora H, você sente que tem algum tipo de limitação – e demora uns dez minutos para pedir uma mera sobremesa no restaurante. Porém, entre ficar com receio e não falar nada ou falar alguma coisa errado, prefira falar errado. O “pior” que pode acontecer é ninguém entender você. Mas pode ser também que, dependendo da situação, alguém ajude você a falar certo. É lógico que, em contextos de trabalho, realmente aconselho a saber o que você está falando: falhas de comunicação nessas situações podem causar um grande problema.

5. Aceite suas limitações

Parece chover no molhado, mas essa foi uma das coisas mais importantes de que me dei conta ao aprender alemão. Existem fonemas que eu simplesmente não consigo pronunciar, ponto. Posso tentar melhorar, e até treinar para reproduzir corretamente o som do r que vem da garganta, por exemplo, mas não tenho como pronunciar certos fonemas de forma natural e não forçada. Tudo bem! Essa é minha limitação para a pronúncia, o que me leva ao próximo ponto…

6. Procure saber sobre a pronúncia

Mesmo que você não consiga reproduzir os sons do seu novo idioma com a perfeição de um nativo, saiba como se fala corretamente. Além de ajudar na sua compreensão, isso vai melhorar sua pronúncia. E evitar muitos mal-entendidos…

7. Não se autossabote – construa um hábito

Essa é válida não só para aprender idiomas, mas também para a vida. Qualquer mudança requer esforço. Criar hábitos não é a tarefa mais fácil do universo (se fosse, creio que todos seríamos mais saudáveis, por exemplo), mas é possível com o mínimo de foco. A procrastinação é humana e, de fato, existem coisas muito mais interessantes do que estudar os artigos do alemão. Mas, seguindo a filosofia da frase No pain, no gain (“Sem esforço, não há vitória”, em tradução livre), tente criar o hábito de sempre, no mesmo horário X, estudar o que for. No começo, vai ser um pouco trabalhoso, mas depois você se acostuma, acredite.

8. Crie um personagem para você nesse idioma

Essa eu li em um outro artigo e achei fenomenal. Quem nunca se sentiu com dupla personalidade ao falar um outro idioma? A sua voz muda, sua escolha de palavras é outra, o senso de humor é diferente… Sim, de certa forma, você muda ao falar um novo idioma – e isso é normal. Se você quiser explorar mesmo seu lado performático, leia o próximo tópico.

9. Leia em voz alta – e repita

Aprendi inglês com fitas cassete e cantando em voz alta no quarto musiquinhas como “One little, two little, three little indians…true story! Falar em voz alta ajuda a treinar aqueles sons que talvez você não consiga pronunciar muito bem ou que não são muito familiares. Além disso, fixa na sua cabeça algumas palavrinhas desses textos (eu nunca mais esqueci essa música!). Quando estou em casa sozinha, sempre tento ler em voz alta artigos de jornal ou cantar músicas no idioma que estou aprendendo.

10. Imersão: fale com nativos, viaje… faça o que você puder

Esse seria o passo final para a tão sonhada fluência. No meu caso, a total imersão no idioma era o que faltava para eu conseguir ficar fluente em inglês. Mas conheço pessoas que não tiveram essa experiência e, mesmo assim, são fluentes em outro idioma. O segredo é estar em contato constante com a língua e manter sua motivação viva até você conseguir seu objetivo: seja ele ficar fluente ou conseguir falar o básico para viajar ou trabalhar.

Se você não pode viajar, entrar em contato com um falante nativo hoje em dia é muito mais fácil graças à internet. Existem grupos no Facebook que organizam encontros, conversas por Skype… Até mesmo o Whatsapp entrou nessa brincadeira. As possibilidades são infinitas. E aí, o que você está esperando para falar um novo idioma?

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